Não é tão bom quanto parece. Como dizem por aí, a verdade é que a embalagem atrai, mas o que nos prende é o conteúdo. Após um começo muito bom, onde a premissa é apresentada de forma inteligente e dinâmica, uma torrente de situações previsíveis inundam a telona, tal qual o agitado pacífico é o cenário das grandes batalhas. Guillermo del Toro foi competente, como de costume, e manteve seus hábitos, como a classificação para menores de 12 anos, os efeitos especiais incríveis, o tom de horror que remete as suas origens e um rosto conhecido. Assim como Johnny Depp é o favorito de Tim Burton, Ron Perlman volta a ser lembrado, confirmando seu papel de "ator fetiche" de Guillermo. Quanto ao roteiro, aí estão os maiores problemas. Os personagens são totalmente estereotipados, além de se esquecer que é o destino do Planeta Terra e da humanidade como conhecemos que está em jogo. Todos os personagens são movidos por razões pessoais.
Spoilers neste parágrafo:
O capitão é um heroico ex-piloto que salvou sozinho uma menininha e agora quer protegê-la a todo custo e apesar de nunca mais poder pilotar um robô, vai mesmo assim. A menininha cresceu e se tornou um piloto de potencial fantástico, mas que peca pela inexperiência e quer vingar a morte de sua família. O protagonista é um piloto talentosíssimo, mas tem dificuldade em seguir regras e se sente responsável pela morte do irmão. Também temos os cientistas esquisitos e o personagem "babaca" e arrogante, que tem problemas de relacionamento com seu pai.
A insistente tentativa de sensibilizar com o drama sofrido pela personagem de Rinko Kikuchi incomoda, e muito! O filme fala tanto em conexão e não se conecta com o espectador, fazendo com que as cenas onde não ocorram batalhas sejam chatas e cansativas, pois não há como se emocionar. E algumas questões também ficaram no ar: Como imagens dos monstros e das batalhas são mostradas em noticiários, se em momento algum vemos qualquer emissora de TV fazendo a cobertura dos fatos? A melhor solução para impedir as invasões destes monstros que pesam milhares de toneladas e que são resistentes à toda força militar do planeta seria mesmo cercar toda a costa do Pacífico com uma muralha? Sério? Com monstros invadindo a cada semana, o tempo gasto para isso, sem falar nos recursos financeiros e de matéria-prima necessários foi a decisão mais viável? Sem falar no final feliz, onde milagrosamente todos sobrevivem, aplaudem, choram e estão prontos para defender o mundo novamente em uma possível continuação.
O ponto positivo do filme, e dependendo do espectador, isso é mais do que suficiente para esquecer ou relevar tudo de ruim que foi dito aqui anteriormente, são os efeitos especiais. Coisa fina, de primeira categoria com certeza. Os golpes têm riqueza de detalhes e enchem os olhos as cenas de batalha. Os ingênuos piram.
Consideração final: Não é nada que você ainda não tenha visto ou imaginado, mas, por outro lado, não é o caso de você pedir suas 2 horas e 11 minutos da sua vida de volta.