MEU MALVADO FAVORITO 2 não parece ter objetivos muito profundos, querer passar mensagens ou etc. O que ele quer é fazer rir e fazer o ingresso do 3D compensar.. e consegue, com louvor.
O 3D é fantástico, e não serve pra salvar o filme, mas apenas como a cereja do bolo. Mesmo se não fosse em 3D, sua capacidade de divertir e entreter é tão bem sucedida que é impossível não rir alto em alguns momentos do filme.
A trama, bem simples, trata de um novo Gru (de novo o ótimo Leandro Hassun) agora pai dedicado, sem envolvimento com atividades heróicas, e tão pouco criminosas, que é convocado por uma Agência Secreta Anti-Vilões para descobrir e prender um novo criminoso.
Quem vai, literalmente, arrastá-lo para o novo serviço é a Agente Lucy, novata mas bem habilidosa e divertida, muito bem dublada por Maria Clara Gueiros.
Inicia-se aí um conflito entre de situações, já que Gru é pai, está solteiro e debaixo de uma pressão das filhas para arranjar uma namorada, a filha mais velha entrando na adolescência, com direito a paqueras e mensagens no celular, tudo somado ao retorno às atividades, agora como espião do bem, e tendo Lucy como parceira, o que piora ainda mais as coisas.
Antigamente o dilema de Gru era a forma como foi criado pela mãe, com nenhum incentivo, sempre rejeitado. Agora, sua frustração volta na época da escola, e que não conseguia namorada porque era o esquisitão.
Acaba que a trama acaba não girando em torno do caso, de pegar o vilão, mas em torno desses dilemas. Por isso o meio do filme fica sem ação, sem muitas situações empolgantes.
Tudo muda é claro quando o vilão é revelado dentre os prováveis suspeitos e inicia seus planos malignos, já no último ato, trazendo de volta muita ação e diversão.
As melhores cenas do filme estão por conta dos adoráveis Minions, que participam muito mais desta vez e protagonizam muitas cenas engraçadas, levando a sala à muitas risadas, até as cenas dos créditos finais. Desta vez, a versão dublada não mexeu na voz dos minions, que são mais engraçadas no original.
Até eles são alvos do vilão, sendo abduzidos e transformados em seres malvados, roxos e feios, causando cenas quase que assustadoras. Algumas crianças tapam os olhos de medo nessa hora.
Outro ponto importante é a presença de Agnes, a filha mais nova de Gru, ainda fissurada em unicórnios e muito interessada não só uma namorada para o Pai, mas em uma presença materna. Com ela surgem momentos muito profundos e especiais, como outros engraçadíssimos, como em uma cena em que ela tenta ajudar Gru a se livrar de uma vizinha inconveniente.
O roteiro não é dos melhores, com algumas pontas soltas, situações pendentes, mas nada que estrague a diversão e a qualidade do filme, que pode ser considerado melhor que o primeiro.
O vilão, assim como no primeiro filme, é explorado de forma limitada, deixando sempre Gru e seus dilemas no centro do roteiro, o que acaba sendo melhor, porque pra quem assiste, saber se o Gru vai conseguir arranjar namorada acaba sendo mais importante do que o destino do bandido.
Com pequenas referências a outros filmes, personagens e musicais, e até ao clássico YMCA do Village People, essa nova aventura de Gru garante risadas minuto a minuto, um pouco de emoção e minions, minions, minions, muitos minons.. e quanto mais, melhor.
João Paulo Barbosa