O maior problema de Hollywood quando se trata de adaptações em quadrinhos é subjulgar o seu público. Por ironia ou puro despretensiosismo, imaginam não ser necessário realizar um esforço digno dos seus personagens em troca da velha e batida fórmula de gerar lucros. Funciona, mas nem sempre. X-Men Origens: Wolverine é a maior prova disso. Caricato, desigual e de extrema preguiça, o longa foi um fracasso hilariante. Já Wolverine – Imortal conseguiu aprender com os erros, mas isso não o exime de falhas. E nada tem a ver com ser ou não fiel aos quadrinhos.
Baseado no arco de histórias Eu, Wolverine (um dos mais bem-sucedidos tanto em vendas quanto críticas), escritos por Chris Claremonte Frank Miller, Logan vai ao Japão para encontrar o amor na bela Mariko Yashida. Das páginas em quadrinhos, a relação de ambos é o mais presente se comparado a película.
A relação entre o mutante e a Mariko é de grande destaque, ainda se observado que certas cenas entre os dois nem parecem tratar-se de uma aventura fantástica. Os muitos personagens orientais também são bem aproveitados, e dominam a tela, algo pouco frequente na terra do Tio Sam. O diretor James Mangold consegue ser competente na maior parte dos 126 minutos, mesclando bem as empolgantes cenas de ação, romance e humor. Entretanto, fica difícil não imaginar caso Darren Aronofsky tivesse permanecido no cargo.
Conhecendo ou não os quadrinhos, o roteiro de Mark Bomback e Scott Frank deixa furos desnecessários e situações complicadas de engolir, principalmente no que diz respeito ao Samurai de Prata. Ficou previsível, enfadonho. Um pesar muito grande sobre o grande vilão. Ainda assim, para quem esperava um completo desastre e mais de Wolverine gritando e gritando (porque sangue que é bom, nada – tudo para pegar uma censura menor e abranger um público maior), o saldo termina por ser positivo.
Ao fim, Hugh Jackman está mais Wolverine do que nunca. Todavia, o “animal bestial” ainda carrega direção. É um Ronin com Mestre; Um paradoxo proporcionado há tempos e não será agora que os engravatados entenderão isso. Não enquanto o cartão de visitas dos X-Men permanecer lotando salas e mais salas .