SACADAS SACANAS
por Roberto CunhaCom um título como este chega a ser fácil ter uma ideia do que te espera na sala escura. O legal é descobrir que este legítimo representante dos filmes trash tem qualidade de sobra e elenco afiado, com trocadilho. Matadores de Vampiras Lésbicas conta sobre dois amigos, Jimmy (Matthew Horne) e Fletch (James Corden) que decidiram se aventurar pelo desconhecido durante umas férias forçadas e foram parar num lugarejo amaldiçoado pela poderosa vampira Carmilla (Silvia Colloca). O que eles não faziam ideia era que Jimmy seria um dos últimos herdeiros de um antigo clã cujo destino é acabar com a terrível maldição.
O visual da introdução do filme com um locutor narrando a pré história e a maldição das mulheres desejosas por vaginas é uma homenagem aos clássicos da Hammer. E o filme não nega suas origens com uma sucessão de cenas bem conduzidas, partindo de um roteiro criativo, repleto de cenas de clássicos do terror e citações de filmes como Guerra nas Estrelas ou Os 10 Mandamentos. É pura diversão. Os diálogos são todos contaminados com alguns mililitros de sarcasmo e - o melhor - não restritos aos protagonistas. Desde um simples papo na misteriosa taberna até as conversas com o padre guerreiro, a criatividade rola solta. E está presente também nas roupas, no visual e nas armas como as camisinhas de água benta, o arco balestra que tem mira em forma de crucifixo ou a poderosa espada com cabo em formato de pênis. É escracho puro.
E para fazer rir pescoços não são poupados. As muitas tiradas de humor e detalhes de produção como o sangue (branco) e a maneira que ele jorra na cara da pessoas (totalmente alusivo ao esperma) são grandes sacadas sacanas. Para quem tem boa memória audiovisual, Matadores tem referências de montão como a Kombi e as meninas, misto de "Scooby Doo e a Mistery Machine" com pitada de "Josie e as Gatinhas". No elenco, como as antagonistas são lésbicas, a produção não mediu esforços para escalar um belo time de fêmeas como vampiras e as garotas da Kombi que enlouquecem 'literalmente "Fletch (Corden), na seca, e doido para dar se dar bem. E é justamente ele que se destaca e rouba as cenas. Se era para ser uma escada para o personagem de Horne, acabou virando uma estaca no coração da ideia.
Você vai ver toda a tradição dos filmes de terror como um bom figurino, climão de suspense, boa trilha, uma maldição que exige o sacrifíco humano para aplacar a ira do inimigo e a inexorável existência de um grupo que vai morrendo aos poucos. Entre as muitas frases boas, uma delas é emblemática e deixou uma brecha para uma eventual continuação: "Da próxima vez serei atacado por um lobisomem gay". Matadores de Vampiras Lésbicas é engraçado do começo ao fim, mas é diferente dos filmes comuns em todos os sentidos. Embora rico em elementos de pura curtição como, por exemplo, um padre que dirige um carro funerário e fala palavrões, é também uma comédia sensual em tempos de botox onde não faltam seios de silicone. Vale uma mordida, quer dizer, visita. E não precisa de colar de alho para se divertir.