Duna (Dune)
Duna é dirigido por Denis Villeneuve e escrito por Jon Spaihts e Eric Roth (juntamente com o próprio Villeneuve). É a primeira de uma adaptação em duas partes do romance de 1965 de Frank Herbert, cobrindo principalmente a primeira metade do livro. O filme é a terceira adaptação de Duna após o filme de David Lynch de 1984, que foi um fracasso de crítica e comercial, e a minissérie de John Harrison em 2000. Após uma tentativa frustrada da Paramount Pictures de produzir uma nova adaptação, a Legendary Entertainment adquiriu os direitos de filme e TV de Duna em 2016, com Villeneuve assinando como diretor em fevereiro de 2017.
Villeneuve nos entrega um longa de fantasia, ficção científica, aventura, levemente inserido no drama. Acredito que Denis Villeneuve foi o nome certo para a direção de Duna, pois o próprio já trabalhou em produções voltadas para a ficção e fantasia, como em seus longas "A Chegada" e "Blade Runner 2049". Villeneuve trouxe toda a sua expêriencia e deu os toques certeiros na direção do longa, deixando o filme praticamente com a sua cara, pois quem já assistiu "A Chegada", vai notar imediatamente vários pontos trazidos por Villeneuve para Duna, como os seus trabalhos de filmagens e seus takes aéreos (que estão espetaculares), acompanhando diretamente o movimento de cada acontecimento que se desenvolvia e se movia em cena - completamente perfeita a direção de Villeneuve em Duna, nota 10. Já quero de antemão deixar aqui a minha profunda indignação com a 'irrelevante' academia (mais uma vez), pois não indicar o Villeneuve a direção no Oscar é praticamente um crime que presenciamos (exatamente como o BAFTA também fez).
É muito interessante e satisfatório observar (ao longa da trama) às inúmeras referências trazidas para Duna de filmes como a franquia "Star Wars" e "Matrix". Às próprias coreografias das lutas nos remete diretamente à "Star Wars", funcionando como uma espécie de homenagem ao épico de George Lucas - eu achei fantástico!
Tecnicamente o longa de Denis Villeneuve é uma obra-prima do gênero.
Como a fotografia de Greig Fraser, que se destaca como uma obra-prima visual. É impressionante como a fotografia de Duna é bela, magnífica, estonteante, se destacando notavelmente em todas às cenas e sendo a grande responsável pela nossa imersão nos cenários gigantesco do longa. Greig Fraser está indicado ao Oscar e vai brigar diretamente com Dan Lautsen (O Beco do Pesadelo), Ari Wegner (Ataque dos Cães) e Janusz Kominski (Amor Sublime Amor). A trilha sonora do gênio Hans Zimmer é outra obra-prima, pois a mesma é única, contemporânea, intimista, que se destaca nos momentos mais oportunos, como na tensão de um ataque, um embate, uma guerra, uma morte, onde a trilha estava mais suave e ia se elevando (aumentando o ritmo) de acordo com os seguimentos dos acontecimentos em tela - magnífico! Hans Zimmer já levou o Globo de Ouro e na minha opinião, é favorito ao Oscar.
Completando com às partes técnicas temos: os efeitos visuais que estão soberbos e se destaca bem em todas às cenas. A edição e mixagem de som de Mac Ruth é majestosa. A direção de arte de Tibor Lazar é outra obra-prima, como nos impressiona a estética do filme, onde a narrativa casava perfeitamente com a unidade visual do longa. A cenografia também merece um destaque, pois estamos diante de cenários completamente estonteantes. Cabelo e maquiagem também tem que ser mencionado, assim como os figurinos de Jacqueline West e Robert Morgan, que são um show visual em cena, impossível não ser contagiado pelos belíssimos figurinos dos reinos de Duna. O longa é muito bem editado, muito bem montado, méritos para Joe Walker.
Eu não conheço a obra de Frank Herbert, tampouco assisti o longa de David Lynch, dito isto, devo destacar o principal ponto fraco do longa de Denis Villeneuve. Eu gostei do roteiro do filme, acho que ele percorre um caminho correto de acordo com os acontecimentos que permeia toda a história, mas o que me incomoda está no enredo, mais precisamente no desenvolvimento onde nos é apresentado e estabelecido os personagens. O longa peca exatamente no ritmo, pois a primeira hora é completamente arrastada, o ritmo é extremamente lento, falta imersão, dessa forma o desinteresse pela trama é inevitável, fazendo o espectador se cansar até chegar a segunda hora do filme (que até melhora um pouco). Pra quem já leu o livro, ou assistiu o longa de 1984, ou já conferiu a minissérie, estará mais familiarizado com esta parte (ou talvez não), poderá levar esta parte arrastada do filme numa boa, sem se incomodar como eu me incomodei, mas no meu caso o ritmo do longa me cansou bastante, chegando até me desanimar em algumas partes. Acredito que esta primeira parte da adaptação de Duna funcione mais como um prólogo, uma apresentação dos personagens na trama que irá se desenrolar no segundo filme, porém acredito que toda esta apresentação e desenvolvimento fez o ritmo do filme cair muito e se destacar como um ponto negativo do longa de Denis Villeneuve.
Timothée Chalamet entrega um boa atuação na pele do Paul Atreides, o descendente da Casa Atreides. Timothée segura bem o personagem, até se destacando em algumas partes, principalmente às que envolvia sua mãe. Rebecca Ferguson é a Lady Jessica, a mãe de Paul. Rebecca está mediana, sua atuação em até certo ponto condiz com a sua personagem, mas nada de grande destaque, não vi como um grande trabalho. Oscar Isaac é o duque Leto Atreides. Isaac tem uma curiosa participação na história, e se destaca com bastante relevância para os acontecimentos que irão ocorrer na segunda parte do longa. Uma boa atuação entregue por Oscar Isaac. Josh Brolin é o Gurney Halleck, e ele está bem no filme, apesar de ficar me perguntando o que de fato aconteceu com o seu personagem na segunda metade da história. O grande Stellan Skarsgård está irreconhecível como o Barão Vladimir Harkonnen, e nos entrega mais uma atuação digna do grande ator que é.
Dave Bautista nos entregou o brutal Glossu Rabban. Bautista teve menos tempo de tela, porém foi bem até onde conseguiu. Jason Momoa foi um dos meus personagens preferido da história, o espadachim Duncan Idaho. É sempre gratificante vê o Jason Momoa atuar em personagens que lhe exige força, ímpeto, coragem, e aqui ele nos entrega exatamente isso. O belíssimo ator Javier Bardem nos brinda com mais uma ótima atuação na pele do sagaz Stilgar. É impressionante como em todos os papeis que o Bardem atua, ele nos contagia e nos deixa maravilhado - que baita ator que é o Javier Bardem. Zendaya deu vida à Chani, uma misteriosa jovem Fremen que aparece nas visões de Paul, Chani é o contraponto de Paul e seu interesse amoroso. Zendaya está mais contida, mais mediana, acredito que seu maior destaque virá no segundo filme, acredito que inicialmente o roteiro não lhe favoreceu nessa primeira parte da adaptação.
Duna foi indicado em 3 categorias no Globo de Ouro, Direção, Melhor Filme Drama, e venceu na categoria Trilha Sonora. No Critics Duna empatou com "Ataque dos Cães", recebendo 10 nomeações, entre elas às principais de Direção e Melhor Filme. No SAG's o longa tem uma indicação em Melhor Elenco de Dublês em Filme. No BAFTA o longa é o campeão de indicações, tendo recebido 11, porém com tantas indicações, faltou uma das principais, Melhor Diretor pro Villeneuve (Valeu pela incoerência BAFTA). O mesmo discurso vale para o Oscar, que indicou Duna em 10 categorias (ficando atrás somente de Ataque dos Cães), mas a direção de Villeneuve foi completamente esnobada - que absurdo academia...AFF!
Duna é um bom filme, ele consegue entregar o que se propõe, que é exatamente uma aventura na fantasia. Os maiores destaques é sem dúvidas às partes técnicas, que são um show à parte, mas peca exatamente no que prenderia a atenção do público, que é o ritmo do filme, por ser extremamente lento, arrastado e cansativo. Villeneuve de fato faz um bom trabalho em Duna, ele acerta em umas coisas e erra em outras, mas isso pode servir de lição para a continuação da segunda parte do filme. Duna apresenta resquício de espetáculo, tem grandeza, tem uma ótima premissa, acredito que a adaptação tem potencial para se tornar um dos épicos na lista das obras-primas da fantasia, da ficção e da aventura - como "Avatar", "O Senhor dos Anéis" "Matrix", "Aliens" e "Star Wars", mas se for feito da forma correta.[20/02/2022]