Pantera Negra já era um herói referência desde seu surgimento na revista do Quarteto Fantástico na década de 60, e agora se torna um dos melhores filmes da Marvel disparado. A questão aqui não é só representatividade, o longa é bem feito, bem produzido e bem dirigido, não é a toa que o diretor Ryan Coogler (Fruitvale Station: A Última Parada e Creed: Nascido para Lutar) assina esse longa com toda sua pegada autoral, desde o início, com sua câmera circulando um jogo de basquete amador no gueto. O filme fala de raízes, onde imediatamente depois de Guerra Cívil, temos T'Challa (Chadwick Boseman), voltando para o seu reino em Wakanda e tentando se firmar no trono como governante e guerreiro de uma civilização avançada. Com a ajuda de Shuri (Letitia Wright), uma versão feminina de Tony Stark de Wakanda, Nakia (Lupita Nyong'o) e a Dora Milaje Okoye (Danai Gurira), T'Challa vai lutar contra tudo aquilo que ameaça o seu povo. Coogler emprega com maestria questões raciais atuais, disfarçadas em um filme super-heróico, daí a questão de ser dele também o roteiro junto com Joe Robert Cole. Seus personagens tem camadas, desde os protagonistas aos antagonistas, é bem amarrado naquilo que se propõe a fazer. Ficando assim evidente seu manifesto cultural e toda sua bagagem nesse sentido, já que não faltam referências da cultura black, e é maravilhoso, é lindo ver isso na telona do cinema. A influência musical gira em torno do hip-hop, rap e melodias africanas que lembram e muito "Rei Leão", é um espetáculo! Toda hora que surge a batida black na narrativa todo seu corpo vibra e vai junto com o ritmo contagiante. O design de produção de Jason Clarke é bem vibrante, colorido, lembra muito as HQs do saudoso Jack kirby, e isso pode ser visto na coroação de T'Challa. Pantera Negra não é só um filme de herói negro ou um filme de nicho, mas sim um divisor de águas do cinema moderno. Um filmaço para todo o tipo de público.