Mais uma belíssima produção do gênio Clint Eastwood, junto com a maravilhosa Angelina Jolie!!! A TROCA (no original, Changeling).
O longa é baseado na história verídica conhecida como Wineville Chicken Coop Murders (Galinheiro de Wineville), o que fez a cidade de Wineville mudar de nome para Mira Loma, com a intenção de fugir da negatividade trazida pelo caso. Estreado em 2009, A TROCA conta a trágica e triste história vivida pela protagonista Christine Collins (Angelina Jolie), na cidade de Los Angeles, em março de 1928. Christine é mãe solteira e trabalha para viver e sustentar seu único filho de 9 anos, Walter (Gattlin Griffith). Um certo dia ela se despede do filho na porta da escola e ao retornar do trabalho, ele havia desaparecido. Assim começa todo drama de Christine Collins em busca de seu filho, enfrentado tudo e todos.
O mestre Clint Eastwood tinha em mãos uma história real, que soube transformar em obra-prima, com essa adaptação para o cinema. O roteiro peculiar de J. Michael Straczynski foi forte e intenso. Além de dirigir e produzir, Clint é o compositor da trilha sonora, que estava leve, suave, ao sons de pianos que nos transmitia a verdadeira dor vivida em cena.
A TROCA é um filme muito pesado, muito forte, que me impactou e com certeza vai impactar à todos. Um enrendo muito coerente, que conseguia transmitir a agonia e o sofrimento vivido pela protagonista em cada cena apresentada. Uma triste história muito emocionante, que me tocou verdadeiramente, que me sufocou, me incomodou com os relatos ali apresentados. Somos confrontados com a dor e agonia de uma mãe em busca de seu filho perdido, somos impactados com o caminho pelo qual ela tem que percorrer para provar (ou pelo menos tentar) que seu filho não é aquele que lhe foi entregue, que seu filho ainda está vivo em algum lugar, passando por avassaladoras dificuldades, enfrentando uma guerra praticamente sozinha.
Realmente é uma grande emoção, um grande sofrimento, vivido pela experiente e espetacular Angelina Jolie. Uma bela atriz, uma grande influenciadora no mundo cinematográfico, uma mulher muito forte, muito guerreira, que alcançou o merecimento e respeito com muito trabalho, muita entrega ao longo de sua bela carreira. Sou um grande fã e admirador da Jolie, acompanho seus trabalhos há muitos anos, desde O Colecionador de Ossos (1999).
Angelina Jolie viveu Christine Collins, uma mãe em busca do filho perdido enfrentando sozinha uma cidade inteira. Enfrentado a polícia, as pessoas, os repórteres, em uma época muito dura para o sexo feminino. Uma época em que a voz feminina era ignorada por uma sociedade extremamente machista e opressora, onde, jamais uma mulher poderia enfrentar e desacatar tal ordens da polícia e do governo, e foi exatamente isso que Christine Collins fez. Ela enfrentou toda polícia de Los Angeles, sempre acreditando e afirmando sua posição perante a criança que lhe foi devolvida, passando por trágicas consequências por tais desacatos.
Uma atuação espetacular de Angelina Jolie, uma das melhores atuações de sua carreira. Ela soube ser forte, soube ser verdadeira, com uma dramaticidade incrível, que lhe exigia e ela retribuía com bastante perfeição. Jolie se entregou a personagem, viveu a personagem, com uma grandeza tão incrível, que em alguns momentos não sabíamos se era uma atuação, ou uma personagem real. A forma como ela se apresentou foi magnífica, ela conseguia passar toda dor com um simples olhar, com o silêncio que muita das vezes era seu companheiro. As cenas foram muito fortes, que eu ficava com um nó na garganta, tive que segurar minha emoção até o último. Angelina Jolie entregou um belo trabalho, com uma representação feminina muito grande (principalmente pela época que o filme foi rodado), que lhe rendeu ´merecidamente` uma indicação ao Oscar 2009 na categoria Melhor Atriz (ela já havia ganhado o Oscar em 1999 por Garota, Interrompida).
O longa ainda conta com uma bela atuação de Jason Butler Harner, que viveu o personagem Gordon Northcott. Um ser intrigante, enigmático, sombrio, frio, calculista que teve impactantes colaborações com à história. Uma ótima atuação de Jason, entregando um trabalho muito convincente, que se passava por uma pessoa assombrada e maquiavélica, que ao final (sua última cena) alcançou o ápice de toda sua atuação (pra mim, caberia uma indicação a Coadjuvante). John Malkovich esteve muito bem vivendo o Reverendo Briegleb. Se opondo ao governo corrupto e desumano daquela época. Michael Kelly também me chamou muita a atenção vivendo o Tenente Lester Ybarra, que se engrandeceu muito e sua atuação ganhou mais forças ao final da trama. Jeffrey Donovan deu vida ao Capitão J.J. Jones. Um policial ditador e opressor, que teve uma grande participação na história, se opondo aos direitos humanos de se expressar, ainda mais quando esses direitos vinha de uma mulher. Ótimo trabalho de Jeffrey Donovan!!!
Clint Eastwood nos premia com mais uma maravilha da sétima arte. Entregando um longa muito bem trabalhado e muito bem apresentado, contando com uma direção de arte incrível. Mostrando uma Los Angeles dos anos 20 com um cenário de encher os olhos, com tudo muito bem ajustado pra época. Uma bela fotografia adentrando em um figurino maravilhoso (principalmente em Angelina Jolie, que esteve com um visual deslumbrante de uma verdadeira dama). Com tantos destaques, o longa obteve 3 indicações ao Oscar em 2009 nas categorias Direção de Arte, Fotografia e, claro, Melhor atriz.
Impactante, tocante, profundo, obra-prima!!!