Deu a Louca em Hollywood (2007), ou, como eu gosto de chamar, "A Culpa é do G mudo em Gnárnia". Esse filme é uma experiência tão absurda que, assisti-lo é como ser atingido por um trem carregado de piadas ruins, referências aleatórias e Carmen Electra fazendo... coisas. Muitas coisas.
A premissa do filme é simples: pegue As Crônicas de Nárnia, misture com A Fantástica Fábrica de Chocolate, adicione uma pitada de Piratas do Caribe, X-Men, O Código Da Vinci, Serpentes a Bordo e qualquer outra coisa que os roteiristas Jason Friedberg e Aaron Seltzer tenham visto enquanto zapeavam na TV a cabo. O resultado? Quatro órfãos tão deslocados que fazem Os Trapalhões parecerem um grupo de intelectuais:
1. Lucy (Jayma Mays), criada no Louvre por um curador que morre dançando break (sim, isso acontece) e é perseguida por um Silas albino que parece ter saído de um filme de kung fu barato .
2. Edward (Kal Penn), um lutador mexicano que apanha de um anão vestido de Nacho Libre e ganha seu bilhete dourado depois de ser jogado pela janela (educação infantil no México, né?) .
3. Susan (Faune A. Chambers), que é atacada por cobras em um avião e cai em cima de Paris Hilton (o que, convenhamos, é um destino pior que a morte) .
4. Peter (Adam Campbell), um mutante com asas de frango que é humilhado até por outros mutantes (o que diz muito sobre a hierarquia social dos X-Men) .
Juntos, eles vão para a fábrica de chocolate de Willy Wonka (Crispin Glover, que claramente precisava do dinheiro), onde descobrem um guarda-roupa que os leva para Gnárnia (sim, com G mudo, porque direitos autorais são complicados) .
Em Gnárnia, encontramos:
- Harry Potter (drogado e interpretado por alguém que claramente nunca leu os livros).
- Jack Sparrow (ou "Jack Swallows", porque trocadilhos ruins são a essência desse filme).
- Aslo, um leão sábio que parece mais interessado em cantadas do que em salvar o mundo.
- A Branquela Perversa (Jennifer Coolidge), que é basicamente a Feiticeira Branca se ela tivesse assistido muito Sex and the City.
O filme então se transforma em uma sucessão de piadas que variam entre "isso é ofensivo?" e "isso é sequer uma piada?". Temos:
- Piadas sobre albinosn(porque O Código Da Vinci precisava ser zoado, aparentemente).
- Piadas sobre gordos, mexicanos, negros e gays (tudo no mesmo nível de humor de um grupo de adolescentes bêbados) .
- Carmen Electra como Mística, porque... bom, porque Carmen Electra.
Deu a Louca em Hollywood é o tipo de filme que você assiste e pensa:
- "Quem financiou isso?"
- "Por que alguém aceitou fazer esse filme?"
- "Será que eu estou tendo um derrame?"
Mas, no fundo, há algo quase poético em sua incompetência. É tão ruim que chega a ser hipnótico. As críticas são unânimes:
- "Nojento, repugnante... uma desonra à existência humana."
- "O elenco é tão ruim que parece que estão lendo o script pela primeira vez durante as cenas."
- "Nem a Carmen Electra salva." (Mentira, Carmen Electra sempre salva.)
Se você gosta de filmes tão ruins que viram clássicos cult, Deu a Louca em Hollywood é para você. É uma viagem alucinógena sem drogas, uma experiência cinematográfica que deixará você rindo (de nervoso) e se perguntando:
"Como isso foi feito? Por que isso foi feito? E por que eu estou assistindo de novo?"