Disclosure Day talvez seja o filme americano mais involuntariamente revelador dos últimos anos. Ele se apresenta como uma meditação solene sobre o primeiro contato e o lugar da humanidade no universo. O que entrega é um monumento ao infantilismo espiritual: a fantasia de que os seres humanos são confusos, corruptos e moralmente exauridos demais para governar a si mesmos e, portanto, precisam de uma espécie superior que desça dos céus para resgatá-los das consequências do próprio comportamento.
Os alienígenas não são visitantes. São missionários. Chegam trazendo "a palavra", a explicação final que reordenará a existência humana. Em certo momento, o filme torna sua premissa constrangedoramente explícita: a humanidade precisa de um ser superior. Essa frase deveria ter feito o roteiro desabar sob o peso da própria falência. O filme a trata como sabedoria.
Isso não é profundidade. É anseio autoritário vestido de assombro metafísico. Os extraterrestres são anjos com design de produção atualizado. Troque as naves por nuvens, os seres avançados por arcanjos e o "disclosure" pelo Juízo Final, e nada de substancial muda: uma humanidade decaída, uma verdade oculta, mensageiros escolhidos, a salvação descendo do alto. Religião reembalada para uma plateia que se considera sofisticada demais para a religião, mas continua viciada em sua arquitetura.
Que fique registrado: o filme é belamente construído. O acabamento é impecável, as atuações são entregues, o assombro é fabricado com mão de mestre. E é exatamente esse o problema. Todo esse virtuosismo está a serviço de uma premissa que o filme não questiona uma única vez. Cada diálogo pomposo pede para ser recebido como sagrado; a câmera insiste em pausar diante das próprias ideias, como se esperasse que a plateia se ajoelhasse. Um filme tão bem-feito nos devia ao menos um personagem disposto a dizer o óbvio: que uma espécie que atravessou a galáxia para entregar uma doutrina não é um salvador, e sim um colonizador com propulsão melhor.
Mas isto não acontece, porque a visão de mundo por baixo da decoração cósmica é primitiva. Os seres humanos são crianças perdidas. A verdade é propriedade de seres superiores. A história avança por revelação, não pela razão. Nossa tarefa não é deliberar, mas receber. O filme chama isso de transcendência. A palavra exata é obediência.
A promessa central do filme, de todo modo, não sobrevive a um instante de escrutínio. O que poderia sequer ser uma "palavra" final sobre a existência? Se os visitantes anunciam que o amor é a resposta, atravessaram a galáxia para entregar um cartão de felicitações. Se oferecem conhecimento, isso é informação, não salvação. Se impõem uma doutrina, são imperialistas. Se reivindicam autoridade por serem tecnologicamente superiores, o filme confundiu poder com sabedoria, o erro fundador de toda tirania da história. Propulsão avançada não confere infalibilidade moral. Inteligência não é virtude; antiguidade não é legitimidade; poder não é verdade. A mensagem precisa permanecer vaga, porque qualquer conteúdo concreto exporia o quanto a premissa é infantil.
A fantasia é, além disso, inconfundivelmente americana. Trata-se de uma cultura que passou quatro séculos descrevendo a si mesma como a escolhida, a cidade sobre a colina, a nação indispensável e, ao mesmo tempo, a nação decaída, corrompida por inimigos internos, à espera de alguém que restaure a aliança. O salvador muda conforme a plateia: um pastor, um presidente, uma profecia, um bilionário. A mesma lógica que transformou um demagogo vulgar num Ciro moderno — não é preciso ser justo, apenas escolhido — agora recruta uma federação alienígena para realizar a seleção mais uma vez. E tudo chega embrulhado na mitologia do "disclosure", um sistema de crenças elegantemente projetado para ser irrefutável: o silêncio do governo prova o encobrimento; a divulgação prova que a revelação começou; os desmentidos demonstram a profundidade da conspiração; as provas ausentes foram suprimidas. Todo desfecho possível alimenta a crença. Disclosure Day não examina essa armadilha epistemológica. Ele a romantiza.
Há, por fim, algo de evasivo em imaginar a salvação como um presente extraterrestre justamente neste momento histórico. Mudança climática, guerra e decadência democrática não são mistérios à espera de revelação. Suas causas são amplamente conhecidas; as soluções são genuinamente difíceis, mas difíceis no sentido de instituições, limites e custos distribuídos, não no sentido de conhecimento faltante. Nenhum visitante celestial é necessário para explicar que queimar combustível fóssil altera a atmosfera, ou que sociedades desmoronam quando a verdade vira marcador de lealdade tribal. O que falta não é "a palavra". É a disposição de fazer o trabalho. A fantasia da intervenção é atraente precisamente porque nos absolve. Isso não é esperança. É procrastinação moral em escala interestelar.
No fim das contas, Disclosure Day é menos uma história sobre extraterrestres do que uma confissão: a de uma civilização capaz de imaginar a travessia das estrelas com mais facilidade do que o próprio amadurecimento. O filme quer desesperadamente que a plateia sinta assombro. O que despertou em mim foi vergonha alheia de sua profundidade sintética, de seus sermões cósmicos e, acima de tudo, de uma cultura tão viciada na fantasia de ser escolhida que, tendo esgotado profetas, presidentes e bilionários, precisa agora importar alienígenas para fazer a escolha.
A humanidade não precisa de um ser superior.
Precisa parar de esperar por um.