A série tem apenas 4 episódios, mas é estranhamente viciante: Esta nova minissérie de suspense da Netflix é simplesmente algo único na plataforma

Uma minissérie estrelada por José Coronado com a atmosfera dos melhores clássicos do cinema e referências única a Sherlock Holmes.

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Por Diego Souza Carlos

Foi-se o tempo em que apenas a HBO era a única referência de boas minisséries. Como uma das maiores plataformas da atualidade, a Netflix entendeu que o formato é perfeito para a correria da audiência contemporânea e investiu em títulos variados que chegaram a conquistar indicações e vitórias em grandes premiações, como o Emmy Awards, a principal honraria da televisão.

O Problema Final pertence a esse grupo, uma adaptação de um romance de Arturo Pérez-Reverte que deu origem a uma minissérie de apenas 4 episódios, estrelada por José Coronado. Sua premissa pode lembrar E Não Sobrou Nenhum e Glass Onion: Um Mistério Knives Out, já que um estranho assassinato em uma ilha leva a uma investigação, mas a trama acaba tomando um rumo diferente.

Um mistério com um estilo pouco convencional

Desde o primeiro minuto de O Problema Final, fica claro que estamos prestes a presenciar uma homenagem a Sherlock Holmes, o lendário detetive criado por Arthur Conan Doyle. No entanto, a referência não se limita às suas origens literárias, já que o sobrenome do personagem de Coronado é uma clara alusão a Basil Rathbone, um dos atores mais intimamente associados a Holmes.

Ambientada em 1959, O Problema Final é uma minissérie que evita qualquer tipo de modernismo, buscando, em vez disso, capturar o ritmo e o estilo do cinema clássico que Hollywood deixou para trás há muito tempo. Essa é uma premissa que tanto a equipe de roteiristas formada por Alberto Macías, Carlos Molinero e Marisol Farré, quanto o diretor Félix Viscarret levam às suas últimas consequências.

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A principal consequência disso é que O Problema Final é um thriller de mistério elegante que parece pertencer a outra época em todos os aspectos, desde o design de produção estiloso até a direção precisa de Viscarret. No entanto, isso se nota mais nos diálogos, que muitos criticarão por falta de naturalidade, mas esse é justamente o objetivo.

Para ser justo, os personagens da minissérie falam e agem como se tivessem saído de um filme policial clássico. Tudo é direcionado nesse sentido, visando mais o entretenimento leve para aqueles que anseiam por esse tipo de cinema do que a conexão com a geração atual de espectadores.

Este é o alto preço que se deve pagar para se envolver com a premissa de O Problema Final. Se você o aceitar, encontrará uma história ágil que não se furta ao humor ocasional e na qual os personagens são mais importantes que o enredo.

Uma trama surpreendente

O Problema Final ocorre dentro de um hotel em uma pequena ilha perto de Maiorca. Após uma terrível tempestade deixar os treze hóspedes isolados no local, o pior acontece sem que ninguém perceba: Elisa Mander, a turista inglesa, está morta. O caso que no inicio era visto como suícidio, logo passou a ser considerado um assassinato pertubador, e Basil terá que descobrir o que aconteceu antes que seja tarde demais. Agora, sem ninguém conseguir entrar para ajudar e sem nenhuma rota de fuga, todos os hóspedes e funcionários se tornam suspeitos do crime que fica mais complexo a cada instante.

Não estranhe o número baixo de episódios, pois isso ajuda a produção a rapidamente surpreender o espectador de maneira mais objetiva. Apesar disso, nem todos os elementos narrativos estão subordinados a essa meta.

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Dito isso, O Problema Final possui um charme único que o torna estranhamente viciante, porque é algo que os atores abraçam completamente. Um único elemento dissonante teria sido suficiente para arruinar toda a minissérie, mas tudo se encaixa perfeitamente, completando o quadro.

Apaixonado por cultura pop, latinidades e karê, Diego ama as surpresas de Jordan Peele, Guillermo del Toro e Anna Muylaert. Entusiasta do MCU, se aventura em estudar e falar sobre cinema, TV e games.
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