"É muito difícil, sempre será difícil": Longe da Globo, Edson Celulari revela dificuldades após fim dos contratos com a emissora
Ketlyn Ribeiro
-Redatora
Apaixonada por cultura pop e com um grande acervo de curiosidades aleatórias na memoria, Ketlyn ama enaltecer produções nacionais.

O veterano da televisão não aparece nas telinhas há anos, mas agora aposta em sua grande paixão: o teatro.

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As novelas mudaram muito ao longo dos anos, não apenas na qualidade das imagens e na forma de contar histórias, mas também na maneira como os elencos são formados. Se antes era comum encontrar os mesmos atores em diferentes folhetins, graças aos contratos de exclusividade com a Globo, esse modelo de trabalho foi perdendo espaço ao longo do tempo.

Durante décadas, a emissora carioca manteve um elenco fixo de grandes estrelas, que tinham prioridade na escalação de suas produções. Com a mudança desse sistema de vínculo de longo prazo, porém, muitos atores veteranos precisaram se adaptar a uma nova realidade.

Esse é o caso de Edson Celulari, que iniciou sua parceria com a emissora carioca no começo da década de 1980 e, desde então, participou de mais de 30 produções. Entre os grandes destaques de sua carreira estão clássicos da teledramaturgia como Que Rei Sou Eu? (1989), Fera Ferida (1993), Explode Coração (1995) e Torre de Babel (1998).

Em 2023, após gravar a novela Fuzuê, uma das maiores decepções de audiência da Globo, seu contrato de exclusividade com a Globo chegou ao fim. Assim, o eterno galã passou a trabalhar por obra, sem um vínculo fixo com o canal. A mudança, porém, não parece ter sido simples: fora das telinhas desde então, ele tem buscado se reinventar para continuar na ativa.

A vida de um ex-galã da Globo

A verdade é que Edson Celulari nunca se dedicou a uma coisa só. Além de fazer sucesso na TV, ele também brilha no cinema e, principalmente no teatro – e foi nisso que ele se ancorou.

"Tive o privilégio de pegar uma época da Globo em que tínhamos contratos mais longos, mas a realidade de um ator, a questão de trabalho, é muito dura", desabafou Celulari em entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, no último mês de julho. "No mundo inteiro é assim. Termina um trabalho, começa do zero novamente", completou o ator.

Apesar de reconhecer que o fim dos contratos longos aumentou a circulação no mercado, isso também trouxe mais insegurança financeira. “O audiovisual hoje está muito difícil, porque esses contratos que sempre existiram, os mais longos, estão mais raros agora. Então, o mercado está mais aberto. Então, é não desistir e seguir em frente”, declarou.

Atualmente, Edson Celulari está em cartaz no Rio de Janeiro (RJ) com a peça O Beijo no Asfalto, baseada na obra de Nelson Rodrigues. Mesmo diante da incerteza sobre os trabalhos futuros, Celulari exaltou sua profissão e aproveitou para deixar um recado inspirador para os futuros atores do país: “Se tem alguma coisa a se falar para alguém que quer ir para esse nosso lado da arte é não desistir. É muito difícil, sempre será difícil”.

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