Parecia difícil, porque criar um spin-off de uma série ainda em exibição que revisitava temas da primeira temporada era, para não dizer arriscado, no mínimo intrigante. No entanto, Cidade das Estrelas encantou grande parte dos fãs de For All Mankind, especialmente aqueles que ficaram um tanto decepcionados com as últimas temporadas da série de ficção científica do Apple TV+.
Um final familiar
Com um tom decididamente diferente da série original e uma mudança para elementos de suspense — incluindo a proteção de segredos de estado, potencial sabotagem, espiões e a paranoia em torno de quem é ou não leal —, os showrunners Ben Nedivi e Matt Wolpert nos guiaram pela história de uma missão secreta e seu desfecho no mais puro estilo de For All Mankind. Talvez até demais. Alerta de spoilers à frente...
Como podemos ver, a aventura da Venera não acabou, e seis meses depois de ter sido ordenada a sua despressurização devido a um traidor a bordo e uma suspeita de explosão, descobrimos que eles sobreviveram de alguma forma. Isso é revelado logo no início do episódio final. Uma missão secreta então começa para tentar trazê-los de volta. Algo que, como podemos imaginar, não será fácil, com Roskova (Anna Maxwell Martin) e Irina (Agnes O'Casey) à espreita e os soviéticos também detectando a nave.
Apple TV+
Não vou entrar em detalhes, mas o ato final tem tudo. É o tipo de clímax emocionante ao qual os criadores da série nos acostumaram, com Valya (Adam Nagaitis) se sacrificando para que a Venera possa viajar por Vênus e chegar à Terra; a nave sendo abatida e, em vez de pousar na Finlândia, caindo a poucos quilômetros da fronteira; uma perseguição intensa que termina com Sasha (Solly McLeod) se sacrificando para salvar seu colega na frente da esposa, que está determinada a vir em seu socorro.
Espere um minuto: sacrifícios pelo bem dos outros? Um cosmonauta perdido em um planeta, encarando a morte como redenção? De fato, sem hesitar, Nadivi e Wolpert seguiram a fórmula, e temos praticamente um final tematicamente semelhante ao da 5ª temporada de For All Mankind. Com suas claras diferenças, é claro.
Já vi isso antes...
Talvez se tivesse passado mais tempo, não fosse tão perceptível, mas é um final que lembra um que vimos há cerca de dois meses. Da mesma saga. Uma saga em que um dos principais temas, além dos aspectos políticos, é o sacrifício e a redenção; fazer o que é certo apesar das ordens. E aqui eles tiveram ampla oportunidade para explorar isso.
Os protagonistas de Cidade das Estrelas são pessoas que podem parecer mais ou menos idealistas, outras mais ou menos pragmáticas, mas que mantêm seus princípios tão firmes quanto seu instinto de sobrevivência em um regime opressor onde os deslizes são severamente punidos e até os móveis têm ouvidos. Um universo perfeitamente adequado para explorar os temas prediletos dos criadores.
O problema não é tanto o enredo. O roteiro é brilhante e muito bem justificado (ou quase; sempre podemos encontrar algo para criticar), mas ao assistir, vem a sensação de que simplesmente repetiram o mesmo final. E essa sensação deixa um gosto amargo na boca.