Quase 55 anos após a criação da primeira faixa de novelas da Globo, uma trama da década de 1990 segue imbatível em números de audiência.
Quando o assunto é novela das 18h, muita gente pensa imediatamente em histórias de época, romances arrebatadores e até adaptações literárias. Ao longo dos anos, a faixa conquistou um público fiel e se tornou responsável por grandes fenômenos da teledramaturgia brasileira, como Alma Gêmea, O Cravo e a Rosa, Chocolate com Pimenta, Escrava Isaura, Sinhá Moça, A Gata Comeu, Êta Mundo Bom!, entre tantos outros títulos.
Mas, na disputa pelo posto de maior audiência da história do horário, nenhuma das obras citadas ocupa o topo do ranking. O título pertence a uma novela exibida nos anos 1990 e que se se tornou um dos maiores fenômenos da Globo. Trata-se de Mulheres de Areia!
O sucesso que não conseguiram superar
Exibida entre 1993 e 1994, a trama escrita por Ivani Ribeiro registrou média geral de 49,2 pontos na Grande São Paulo, segundo dados históricos do Ibope, permanecendo até hoje como a novela das 18h mais assistida da história da TV Globo. Seu sucesso foi tão grande que muitas pessoas acreditam que a obra foi exibida no horário nobre.
Protagonizada por Gloria Pires no papel das gêmeas Ruth e Raquel, Mulheres de Areia é baseada na novela homônima exibida originalmente pela TV Tupi em 1973 e em O Espantalho (1977), produzida pela Record, ambas escritas por Ivani Ribeiro.
Ambientada na fictícia Pontal d'Areia, cidade do litoral fluminense, a versão da Globo conquistou o público com a rivalidade entre as irmãs de personalidades completamente opostas, o romance entre Ruth e Marcos (Guilherme Fontes), o mistério envolvendo Tonho da Lua (Marcos Frota) e os conflitos da poderosa família de Virgílio Assunção (Raul Cortez).
O enorme sucesso da trama ultrapassou a televisão e ajudou a transformar a Praia dos Pescadores, em Itanhaém, no litoral sul de São Paulo, em destino de fãs. Até hoje, o local abriga a famosa estátua em homenagem a Ruth e Raquel, um dos pontos turísticos mais conhecidos da cidade e uma lembrança do fenômeno que marcou a teledramaturgia brasileira.
Outra curiosidade é que Mulheres de Areia estava prevista para estrear em junho de 1992, após Felicidade (1991). A gravidez da segunda filha da atriz Gloria Pires, no entanto, adiou o lançamento da novela. Em seu lugar, estreou Despedida de Solteiro (1992).
Para Glória, a novela foi um grande desafio. Enquanto amamentava sua bebê nos bastidores, dividia-se entre diferentes frentes de gravação, nos estúdios e em locações externas, e ainda precisava dar conta de interpretar as gêmeas. Na verdade, pode-se dizer que ela viveu quatro personagens, considerando também "Raquel imitando Ruth" e "Ruth imitando Raquel".
"Nunca, em toda a minha carreira, um trabalho exigiu tanto de mim quanto essa novela. Aqueles efeitos eram complicados, mas, graças ao Wolf [Maya, diretor] e ao seu perfeccionismo, até hoje a novela está aí, intacta", afirmou a atriz no livro 40 Anos de Glória.
Para completar, a mãe da atriz faleceu durante a novela, em 1993. "O Wolf me deu quatro dias de folga para que eu pudesse organizar minimamente a cabeça. Foi uma tourada. Uma coisa em que dei meu sangue", declarou Gloria em entrevista ao AdoroCinema.
As 10 maiores audiências das 18h
Além de Mulheres de Areia, outras novelas das 18h da Globo conquistaram números impressionantes de audiência, do início da écada de 1970 até hoje. Confira o ranking:
1. Mulheres de Areia (1993) – 49,2 pontos
2. A Gata Comeu (1985) - 48,8 pontos
3. Escrava Isaura (1976) – 46,9 pontos
4. Dona Xepa (1977) – 46,6 pontos
5. Sonho Meu (1993) – 44,1 pontos
6. O Feijão e o Sonho (1976) – 43,5 pontos
7. Sinha Moça (1986) – 43,5 pontos
8. Fera Radical (1988) – 42,3 pontos
9. Cabocla (1979) – 41,6 pontos
10. Gina (1978) – 41,4 pontos
Se você está se perguntando por que as novelas das 18 mais recentes, exibidas a partir dos anos 2000, não aparecem nesse ranking, a explicação é simples: esses índices foram registrados em uma época em que a televisão aberta concentrava uma parcela muito maior da audiência do que hoje. Nos anos 1990, era comum as novelas ultrapassarem os 30/40 pontos de média, algo bastante raro no cenário atual, marcado pela concorrência da TV por assinatura, dos serviços de streaming e das redes sociais.