Este livro de Stephen King foi banido pelo próprio autor e nunca ganhou uma adaptação para o cinema ou TV: "Não queria que ele fosse um gatilho"
por Rafael Felizardo

Lançado em 1977 com um enredo polêmico, Rage acabou tirado de circulação pelo escritor.

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Um dos maiores escritores de todos os tempos, Stephen King é responsável por dezenas de adaptações para o cinema e televisão. Entretanto, há um livro que ele se recusa categoricamente a ver adaptado e chegou a exigir que sua publicação fosse interrompida.

Lançado em 1977 sob o pseudônimo de Richard Bachman, Rage (Fúria, no Brasil) é um livro que acabou renegado pelo próprio King. O escritor decidiu tirar a obra de circulação depois que ela foi associada a casos de violência armada em escolas nos Estados Unidos.

Há 30 anos, Stephen King e Michael Jackson se uniram para um filme, e é bem provável que você nunca tenha ouvido falar dele

Qual é a história de Rage?

O enredo acompanha Charlie Decker, um estudante do ensino médio que, após uma série de conflitos pessoais e problemas na escola, atira em um de seus professores e faz os colegas de classe reféns.

Durante o confinamento, a situação toma um rumo inesperado: em vez de simplesmente tentar escapar, os estudantes começam a revelar segredos, inseguranças e conflitos pessoais, enquanto Charlie expõe suas próprias frustrações e ressentimentos. À medida que a tensão aumenta, o episódio transforma-se em um confronto psicológico que revela as dificuldades emocionais dos adolescentes e a violência que permeia suas relações.

Durante uma entrevista de 2013 para a CBS News, Stephen falou sobre ter retirado Rage de circulação.

“Rage não está mais em catálogo porque era um romance sobre um garoto que vai à escola um dia, atira em seu professor de álgebra e mantém sua turma como refém com uma arma. E ele tem toda uma história pregressa sobre seu pai abusivo, muita angústia adolescente e muitos problemas”, disse.

“Comecei a escrevê-lo no ensino médio e terminei na faculdade. Publiquei sob o pseudônimo de Richard Bachman, mas não fez muito sucesso. Nunca foi um best-seller, com certeza, mas foi encontrado entre os pertences de vários jovens - bem, não vou dizer vários, mas pelo menos dois - envolvidos em tiroteios em escolas. Em um deles, graças a Deus, ninguém se feriu ou morreu. O jovem simplesmente se entregou”, acrescentou.

Ele ainda completa:

"Não acho que livros ou filmes sejam a causa desse tipo de violência, e também não acho que isso se aplique aos videogames. Acredito que, entre todas as crianças que jogam esses jogos, há algumas para as quais um determinado cenário violento pode servir de catalisador ou abrir um caminho que elas talvez não tivessem descoberto sozinhas, e elas acabam cometendo um ato violento. Acho que, na maioria dos casos, se elas não encontram o livro ou o filme que desejam reproduzir, elas acabam fazendo outra coisa (...) O truque é encontrar essas pessoas antes que elas façam isso, mas eu não queria que 'Rage' fosse um desses aceleradores, então retirei o livro de circulação.”

Vale lembrar que King é conhecido por tratar de maneira profunda a questão da violência armada. Em 2013, ele lançou Guns, um ensaio não ficcional sobre o tema.

Rafael Felizardo
-Redator | Crítico
Sonhador desde pequeno e apaixonado por cinema de A a Z, encontrou em David Lynch um modo de sonhar acordado.
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