Um dos maiores nomes da sétima arte residiu por décadas no município de Marbella, até se mudar para as Bahamas.
Não há como negar que Sean Connery é uma das maiores estrelas do cinema. Responsável por filmes como O Nome da Rosa, A Caçada ao Outubro Vermelho e mais, nosso astro infelizmente faleceu em 2020, mas deixou um legado que dificilmente será esquecido.
"Ele achou repugnante": Sean Connery rejeitou um dos melhores filmes de suspense de todos os tempos.Sean Connery foi um homem de privacidade
Em meados de 1964, Sean Connery começou a gravar A Colina dos Homens Perdidos, um longa-metragem de guerra dirigido por Sidney Lumet. As filmagens do projeto ocorreram na Espanha, e foi aí o primeiro contato do astro com o país mediterrâneo. Quatro anos depois, o ator retornou ao local para estrelar o faroeste Shalako, e passou a integrar a vida do município de Almería.
Connery voltou a Almería em diversas ocasiões, mas foi em Marbella que decidiu estabelecer residência permanente na década de 1970. Por muitos anos, foi uma propriedade bastante isolada que permitiu ao astro levar uma vida tranquila e relaxada com sua esposa, Micheline Roquebrune.
As coisas começaram a se complicar na década de 1990, com a chegada de Jesús Gil como prefeito de Marbella. A relação entre os dois não era das melhores, principalmente depois que o político utilizou, sem autorização, um vídeo do ator jogando golfe para fins promocionais. Após o episódio, um projeto de desenvolvimento urbano promovido por Gil fez com que o carinho de Connery por Marbella diminuísse.
Em 1999, Connery vendeu sua propriedade e se mudou para as Bahamas, onde viveu permanentemente até sua morte, em 2020. Lá, encontrou a paz que havia desfrutado anteriormente em Marbella, mas que perdeu com o desenvolvimento urbano da região.
No entanto, a ligação do ator com Marbella ressurgiu com o Caso Goldfinger, um escândalo de corrupção urbanística e fraude fiscal que envolveu a demolição e rezoneamento do terreno onde a sua mansão estava localizada para a construção de 72 novas casas de luxo. O nome da operação fazia referência ao fato de Connery ter interpretado James Bond em 007 contra Goldfinger, um filme de 1964.
O ator foi um dos investigados no caso, mas as acusações contra ele foram arquivadas. Durante o julgamento, Juan Antonio Roca, então chefe de Planejamento Urbano de Marbella, revelou um detalhe muito interessante sobre o que, em última análise, motivou a saída do ator da cidade:
"Não vou deixar os vizinhos me verem de cueca", disse Connery em relação à privacidade que perdeu por conta das casas que haviam sido construídas ao redor de sua antiga mansão. A frase foi proferida pelo ator supostamente em um jantar, e revelada pelo jornal El País, que acompanhou a investigação na época.
Sua mudança para as Bahamas foi uma decisão cuidadosamente ponderada, como dito anteriormente, sempre em busca de privacidade. Lá, ele reencontrou a tranquilidade que tanto almejava para desfrutar da aposentadoria e jogar golfe sem ser incomodado.