Escritor dos livros, Lee Child optou por não dar continuidade à franquia encabeçada por Tom Cruise.
Antes de Alan Ritchson, Tom Cruise assumiu a persona de Jack Reacher no cinema. Ele estrelou dois filmes na década de 2010 e, embora sua história pudesse ter continuado com um terceiro capítulo, o criador do personagem vetou a ideia. Lee Child, autor dos livros originais, reconheceu que não queria seguir em frente com mais um projeto protagonizado por Cruise.
“Havia uma cláusula no contrato do filme que me dava o direito de vetar qualquer projeto futuro após dois filmes. E eu exerci esse direito”, revelou Child durante uma entrevista recente para o Collider.
“O acordo foi fechado em 2005 e levou muito, muito tempo para ser concluído. Os dois filmes terminaram em 2017. O primeiro, em particular, foi um sucesso estrondoso. Estreou em dezembro de 2012. Em janeiro de 2013, apenas um ciclo de vendas depois, oito dos meus livros de bolso antigos já estavam entre os 10 mais vendidos. Isso é algo inacreditável, e não dá para recusar”, acrescentou.
Dirigido por Christopher McQuarrie, Jack Reacher - O Último Tiro (2012) arrecadou 218 milhões de dólares mundialmente, com um orçamento estimado de 60 milhões. Já Jack Reacher: Sem Retorno (2016), a sequência comandada por Edward Zwick, faturou 162 milhões ao redor do mundo, e manteve o mesmo orçamento do longa-metragem anterior.
Vale lembrar que Child sempre considerou os filmes uma versão alternativa de suas histórias, e não a obra definitiva. Entretanto, os fãs dos livros não compartilharam dessa opinião e ficaram incomodados com o fato de Cruise ser fisicamente tão diferente do protagonista de 1,95 m e mais de 100 kg descrito nos livros.
“Obviamente, ele [Tom Cruise] era completamente inadequado para o personagem. Como ator, achei que ele captou muito bem a essência do personagem - a característica de ser silencioso e tudo mais. Internamente, ele se saiu muito bem, mas externamente não funcionou”, colocou Child.
Assim, quando o terceiro filme foi vetado, a indústria do entretenimento já havia se voltado para o streaming, devido às melhorias na banda larga, ao fenômeno das maratonas de séries e à capacidade das empresas de dedicarem enormes recursos para contar uma história em formato longo. Foi nesse cenário que Reacher nasceu em 2022.
“Hoje, acho que ninguém escolheria um longa-metragem em vez da televisão por streaming por dois motivos. Primeiro, a duração - é um luxo fantástico. Realmente é. Oito horas, dez horas, 12 horas, o que você quiser. Você pode contar a história inteira, com todos os seus altos e baixos, todas as partes mais tranquilas, todas as partes divertidas. Não é preciso condensar tudo em 90 minutos de conteúdo (...) As finanças são totalmente diferentes. Com um longa-metragem, o ator atrai o dinheiro. Que ator vale um investimento de 200 milhões de dólares?”, pontuou Child.
Para os interessados, vale lembrar que Reacher está disponível para streaming no Prime Video, enquanto os filmes Jack Reacher podem ser encontrados no Paramount+.