O filme animado dos anos 90 que foi um fracasso de bilheteria, mas que hoje a crítica considera uma obra-prima
por Giovanni Rodrigues

Em meio a Toy Story e à ascensão da Pixar, surgiu uma pequena história de ficção científica que quase ninguém viu nos cinemas, mas que o tempo acabou colocando em um lugar bem diferente.

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Os últimos anos daquela década deixaram filmes animados que até hoje permanecem na memória de toda uma geração. O Rei Leão, Mulan e Tarzan mantinham a Disney no topo, enquanto Toy Story e Vida de Inseto demonstravam que a animação por computador estava pronta para transformar a indústria. Competir pela atenção do público naquele momento era uma tarefa bastante complicada.

A Warner Bros. também buscava seu espaço e apostou em um filme desenhado à mão, ambientado durante a Guerra Fria e focado na amizade entre um garoto e um enorme robô vindo do espaço. A crítica se encantou desde a estreia, mas o público levaria muito mais tempo para descobri-lo.

O Gigante de Ferro foi um dos grandes fracassos de 1999

Essa produção era O Gigante de Ferro, lançada nos Estados Unidos em agosto de 1999 e dirigida por Brad Bird, anos antes de ele se tornar mundialmente conhecido por Os Incríveis e Ratatouille. A estreia nas salas de cinema foi difícil: o filme estreou em nono lugar e arrecadou apenas 23,3 milhões de dólares nos Estados Unidos e no Canadá, para um orçamento estimado em cerca de 70 milhões.

A baixa bilheteria surpreendeu porque os espectadores que assistiam ao filme elogiavam bastante a produção. O jornal Los Angeles Times destacava na época que aquela era uma das obras mais bem avaliadas do ano e questionava abertamente a estratégia de divulgação adotada pela Warner Bros. A passagem pelos cinemas foi curta e, apenas duas semanas após a estreia, a animação já havia deixado o Top 10 nos Estados Unidos.

Brad Bird não havia criado uma história difícil de vender. A trama acompanha Hogarth Hughes, um garoto de nove anos que mora com a mãe em uma pequena cidade do Maine e, em uma noite, descobre um robô extraterrestre gigante. Enquanto tenta mantê-lo escondido, um agente do governo começa a investigar o objeto que caiu do céu e passa a enxergar a enorme máquina como uma ameaça.

Uma história infantil sobre armas, medo e a escolha de quem se quer ser

O Gigante de Ferro se passa em 1957, período em que os Estados Unidos viviam a paranoia da Guerra Fria, com notícias sobre o Sputnik e o temor constante de um ataque soviético. Hogarth cresce cercado por essa ansiedade e, mesmo assim, enxerga o robô sob outra perspectiva: para ele, trata-se de um amigo que está descobrindo o mundo. Assim nasce uma relação que em alguns momentos lembra E.T. - O Extraterrestre, mas com um robô gigante de metal capaz de destruir quase tudo.

A animação conduz essa amizade para uma mensagem simples: uma pessoa pode decidir quem deseja ser, mesmo quando os outros já definiram suas expectativas sobre ela. O gigante foi construído como uma arma, mas aprende sobre o Superman, descobre a mortalidade e compreende que ter capacidade destrutiva não significa ser obrigado a usá-la.

Toda essa narrativa se desenvolve em apenas 86 minutos. A animação combina o desenho tradicional com recursos de computação gráfica para conferir peso e dimensão ao robô. O elenco de dublagem original conta com Jennifer Aniston, Harry Connick Jr., Christopher McDonald e Vin Diesel, que anos antes de dublar o Groot já demonstrava a capacidade de transmitir bastante com pouquíssimas palavras.

O cenário mudou após o filme deixar as salas de cinema. As edições em VHS, DVD e as exibições na televisão permitiram que novas famílias conhecessem a produção, que gradualmente passou de fracasso comercial a clássico cult. Atualmente, o longa acumula 96% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes. Análises recentes continuam a descrevê-lo como um clássico que envelheceu extremamente bem, sendo difícil debater os grandes filmes animados dos anos 1990 sem que o robô gigante seja mencionado.

O Gigante de Ferro está disponível para compra ou aluguel na Apple TV Store e Prime Video.

Giovanni Rodrigues
-Redator
Já quis ser X-Men, caça-vampiros e paleontólogo, mas me encontrei no jornalismo. Como todo bom crítico cultural e aficionado por cultura pop, busco saber um pouco de tudo e muito sobre o que quase ninguém liga.
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