O astro de Todo Poderoso foi convidado para uma participação que brincaria justamente com um de seus papéis mais famosos.
Morgan Freeman já interpretou Deus nos cinemas, emprestou sua inconfundível voz a diversos personagens e acumulou alguns dos papéis mais marcantes de Hollywood. Mas houve uma produção que tentou justamente brincar com essa imagem do ator e recebeu um sonoro “não” como resposta.
Em 2013, Seth Rogen e Evan Goldberg lançaram É o Fim, comédia que reúne uma verdadeira coleção de estrelas interpretando versões exageradas e fictícias de si mesmas em pleno apocalipse. O elenco principal conta com Rogen, Jay Baruchel, Jonah Hill, Craig Robinson e Danny McBride, além de participações de nomes como Emma Watson, Michael Cera, Paul Rudd, Kevin Hart, Channing Tatum e até a Rihanna.
Morgan Freeman também poderia ter entrado para essa lista com uma participação bastante especial: os responsáveis pelo filme queriam que ele aparecesse como Deus, retomando justamente a imagem que o havia consagrado em Todo Poderoso.
Morgan Freeman voltaria como Deus em É o Fim
A ideia surgiu quando Rogen e Goldberg precisaram repensar o desfecho de É o Fim. O final originalmente planejado não funcionou bem com o público nas sessões-teste, e os cineastas começaram a trabalhar em uma alternativa envolvendo os personagens chegando ao céu.
Foi aí que Morgan Freeman entrou nos planos. Além da associação imediata do ator com Deus por causa de Todo Poderoso, havia outra conexão que tornava a piada ainda mais elaborada: Jay Baruchel havia atuado ao lado de Freeman em Menina de Ouro, drama de Clint Eastwood vencedor do Oscar.
Segundo Goldberg contou à Vulture, a brincadeira começaria com Freeman aparecendo no céu e simplesmente anunciando: “Eu sou Deus”. Os personagens ficariam surpresos, e Baruchel perguntaria se isso significava que Freeman já era Deus quando os dois trabalharam juntos em Menina de Ouro. A sequência ficaria ainda mais absurda quando o verdadeiro Deus aparecesse para revelar que tudo não passava de uma brincadeira feita com as pessoas que chegavam ao céu: aquele era apenas Morgan Freeman.
O ator, porém, não ficou tão encantado com a ideia absurda e não aceitou participar. “Morgan Freeman disse ‘não’”, contou Rogen. “Queríamos que ele interpretasse Deus. Aparentemente, ele leva muito a sério seu personagem como Deus!” Goldberg ainda brincou que Freeman “deveria ter aceitado”, enquanto Rogen foi além: “Acho que foi o maior erro que Morgan Freeman já cometeu!”
A recusa levou a um dos momentos mais memoráveis do filme
Sem Morgan Freeman, Rogen e Goldberg precisaram encontrar outra solução para encerrar É o Fim. E não foi rápido: segundo eles, foram cerca de seis meses tentando diferentes ideias até chegarem ao final que acabou entrando no filme. Na versão definitiva, os personagens chegam ao céu e encontram ninguém menos que os Backstreet Boys. O grupo então apresenta “Everybody (Backstreet’s Back)” entre as nuvens antes de subir os créditos.
No fim das contas, a recusa de Morgan Freeman acabou abrindo caminho para uma conclusão que combina perfeitamente com o espírito absurdo da comédia. A participação do ator teria funcionado como uma grande referência a Todo Poderoso e Menina de Ouro, enquanto a aparição dos Backstreet Boys entregou uma piada mais imediata e acabou se tornando uma das grandes surpresas de É o Fim.