Com foco no terror de sobrevivência (survival horror), o novo filme de Resident Evil dirigido por Zach Cregger resgata a atmosfera sombria da Capcom e prepara estreia nos cinemas.
Desde muito novo tenho um apreço especial pela saga Resident Evil. Embora os jogos de survival horror não fossem recomendados para minha idade na época em que andei pelas ruas de Raccoon City pela primeira vez, o fascínio em relação àquele universo me acompanhou até a vida adulta. Hoje, lembro com carinho de encarnar Jill, Claire, Leon e Chris durante horas, algo que parece ganhar uma nova vida com a releitura de Zach Cregger.
Parece engraçado pensar que em mais de 20 anos, a saga Resident Evil ganhou 7 filmes live-action e 4 animações canônicas ao universo original. Embora pareça pouco para três décadas, é um feito impressionante quando se compara a outras adaptações de videogame e mesmo quando se coloca a franquia ao lado de outras aventuras de ação e ficção científica.
Agora, o universo retorna às telonas com sangue novo (risos), um hate exagerado e, conforme os 30 primeiros minutos vistos na manhã de hoje pelo AdoroCinema, a chance de ser a melhor versão cinematográfica dos games da Capcom.
O que os primeiros 30 minutos de Resident Evil dizem sobre o filme?
Embora a crítica do novo filme de Resident Evil chegue em poucos dias, o AdoroCinema ainda não assistiu à exibição do filme completo. Na verdade, ninguém o fez além dos envolvidos. Por sorte, o jornalista que vos escreve foi um dos primeiros brasileiros à conferir o que Zach Cregger decidiu fazer com a franquia. Muito do que será dito aqui já está presente nos vídeos de divulgação - e também pouparei detalhes específicos demais para não estragar futuras experiências.
A exibição feita previamente, com duração de 30 minutos, apresenta um ar frenético. Conhecemos Bryan em meio à correria de trabalho: ele é um entregador que fornece serviços a hospitais. Enquanto há momentos vistos em trailers e teasers, com o protagonista procurando o dono de sua atual encomenda, conseguimos sentir que ele não tem relação alguma com Jill e Chris, agentes especiais da Lei, mas há uma leve semelhança com Leon: em um dia comum de trabalho, ele se deparou com a pior noite de sua vida.
Austin Abrams, em um bom português, simplesmente engole as cenas. O astro de The Walking Dead e Dash & Lily foi uma escolha certeira de Cregger por ter uma facilidade imensa em transitar entre a comédia e os momentos de tensão. Ao receber uma entrega de última hora para o Hospital de Raccoon City, o jovem que passa pela iminência de ter sua vida alterada devido a mudanças em seu namoro, decide aceitar o serviço.
No caminho, enquanto discute com a namorada sobre os rumos da relação, ele acaba atropelando uma mulher - e, pouco a pouco, o filme começa a demonstrar a que veio. Em uma ambientação diferente dos primeiros três jogos, já que temos neve na paisagem, a fotografia brinca com a escuridão e até adiciona ocasionalmente o vermelho ao fundo em um aviso ao telespectador de que algo não está certo.
Quais são os easter-eggs do começo de Resident Evil?
Deste ponto em diante, temos ainda a adição de um policial e a chegada de Bryan à uma casa abandonada, onde tenta insistentemente entrar em contato com autoridades ou qualquer um que possa ajudá-lo. Zach Cregger sabe brincar com absurdos, então até aqui temos vários momentos da comédia do inusitado, alguns jumpscares e climas de tensão bem posicionados. Em termos dos jogos, há diversas referências pulando pela tela: a máquina de escrever, a disposição de uma espingarda, ervas, sprays, a caixa de balas, zumbis e até uma criatura transformada (não vou falar qual).
Assim como o diretor já havia antecipado, o filme faz questão de imergir na experiência dos games. Ele brinca com as perspectivas de primeira e terceira pessoa de maneira fluida à narrativa, adiciona um pequeno puzzle (mal executado pelo atrapalhado Bryan) e até mesmo insere a busca e o manejo de recursos em meio à tensão crescente de um possível ataque. A cena final desse footage é explosiva. Literalmente.
Por que o novo filme de Resident Evil de 2026 pode ser a melhor adaptação da franquia?
Apesar de 30 minutos, um terço do filme, ser ainda muito pouco para se ter um veredito do projeto, tais momentos apresentados deixam bem claro qual será o tom do novo Resident Evil. Aqui, temos um terrir (mistura dos gêneros terror e comédia) em sua melhor forma: o humor obscuro somado ao suspense do survival horror são bem equilibrados no que foi visto até então. Muitos ainda não se conformam com o fato de que não se trata de uma adaptação 100% fiel aos games. E eu entendo, mas vejo grandes benefícios com essa abordagem.
Como dito, ainda é cedo para se ter uma opinião definitiva desse novo experimento baseado nos jogos da Capcom, mas vem comigo: há um sobrevivente lutando contra armas biológicas, partes fundamentais da experiência dos títulos pode ser vista no filme, existem referências diretas à IP, o gore e o terror fazem parte da história, mas não deixam a galhofa (ou o lado goofy) da franquia de lado... para mim, com tudo bem executado, estes primeiros indícios são bem convincentes de que temos um tiro certeiro.
Doa a quem doer: A história do novo Resident Evil é legítima - e quem reclama está ignorando o espírito dos jogosUma vez que tivemos 6 filmes estrelados com Milla Jovovich em uma descaracterização contínua do que significa Resident Evil (teremos textos sobre isso também!) e uma tentativa fraca de reboot com a ótima Kaya Scodelario, o trabalho de Zach Cregger soa bem efetivo. Além das relações citadas com Resident Evil, estes 30 minutos também demonstram o domínio da direção. Definitivamente, o cineasta por trás de Noites Brutais e A Hora do Mal se divertiu atrás das câmeras e pensou em cada ângulo e detalhe em referências aos jogos.
A mistura da comédia e terror pode não ser bem recebida por fãs - e o mesmo pode-se dizer sobre a falta de personagens dos jogos, mas não é possível agradar todo mundo ou pensar que uma adaptação precisa seguir elementos à risca, especialmente quando há tantos acenos ao material de origem. Enquanto ainda esperamos alguns dias para assistir ao filme completo, o que posso dizer que é, pelo menos à primeira vista, Resident Evil é divertidíssimo e poderia muito bem ganhar o subtítulo de Outbreak - pois é exatamente o tipo de perspectiva do incidente de Raccoon City que parece apresentar.
Resident Evil estreia nos cinemas em 17 de setembro de 2026.