Morre Gracindo Jr., aos 83 anos: Ator e diretor foi um dos pioneiros da TV Globo e se consagrou ao lado do pai
Guilherme Rocha
-Subeditor
Fã incondicional de reality shows que poucos admitem assistir, novelas clássicas com vilãs que amamos odiar, além de séries que são o auge do entretenimento despreocupado.

Artista teve uma carreira de mais de cinco décadas no teatro, na televisão, no rádio e no cinema, além de dividir o palco e as telas com Paulo Gracindo.

>

O ator e diretor Gracindo Jr. morreu na manhã desta quarta-feira (2), em sua residência, no Rio de Janeiro, aos 83 anos. A família não informou a causa da morte. O artista deixa uma trajetória de mais de cinco décadas, marcada por trabalhos no teatro, na televisão, no rádio e no cinema. O falecimento foi confirmado pelo filho, o também ator Pedro Gracindo.

Nascido Epaminondas Xavier Gracindo, em 21 de maio de 1943, no Rio de Janeiro, Gracindo Jr. começou a carreira bem jovem, aos 15 anos, na Rádio Nacional, onde seu pai, o lendário ator Paulo Gracindo (1911-1995), vivia o auge da carreira como galã de radionovelas e apresentador.

Na emissora, atuou como ator, redator e disc-jóquei. Paralelamente, estreou no teatro em 1961. Em 1964, foi cassado pela ditadura militar, junto com outros 38 artistas, entre eles Dias Gomes e Mário Lago, e ficou proibido de continuar trabalhando na rádio.

Com o diploma de Psicologia em mãos, optou por não seguir a profissão e dedicou-se exclusivamente às artes. Nos anos seguintes, integrou a primeira geração de talentos da TV Globo, participando da inauguração da emissora, em 1965, e de novelas e programas que se tornaram marcos da teledramaturgia brasileira.

Uma carreira de sucessos

Como integrante do primeiro elenco da Globo, Gracindo Jr. participou de diversas novelas durante os primeiros anos da emsisora carioca, como Rosinha do Sobrado (1965), Padre Tião (1966), A Rainha Louca (1967), A Próxima Atração (1970) e Os Ossos do Barão (1973), nesta última dividindo o elenco com o pai, Paulo Gracindo.

Os dois também dividiram a cena em O Bem-Amado (1973), um dos grandes sucessos da televisão brasileira. Poucos anos depois, Gracindo ganhou seu primeiro papel de maior destaque ao interpretar o pintor João Maciel em O Casarão (1976). Mais uma vez, sua trajetória profissional se cruzou com a do pai: os dois deram vida a diferentes fases do mesmo personagem, com Gracindo Jr. interpretando a versão jovem e Paulo Gracindo, a mais velha.

Ao longo da carreira, o ator também esteve no elenco de novelas como Mandala (1987), O Salvador da Pátria (1989), Rainha da Sucata (1990), Deus Nos Acuda (1992), Explode Coração (1995), Anjo de Mim (1996), Esplendor (2000) e Celebridade (2003).

Na Record, participou de produções como Cidadão Brasileiro (2006), Poder Paralelo (2009), Rei Davi (2012) e Plano Alto (2014). Também teve uma passagem pela Manchete, onde interpretou Dom Pedro I em A Marquesa de Santos (1984), minissérie que marcou a primeira produção dramatúrgica da emissora, além de atuar em Dona Beija (1986).

A última novela de Gracindo Jr. foi realizada em Portugal. Ouro Verde, produção da TVI de 2017, exibida posteriormente pela Band, em 2019, marcou sua despedida das novelas.

Como diretor, esteve à frente de inúmeras peças de teatro, além das novelas A Sucessora (1978) e Marron-Glacé (1979) e do programa Os Trapalhões (1983). Em 1978, após uma fase em Portugal, assumiu por um tempo a supervisão do núcleo de novelas das 18h da Globo.

No cinema, também construiu uma trajetória diversificada, com trabalhos em filmes como O Pai do Povo (1976), dirigido por Jô Soares, Os Trapalhões na Serra Pelada (1982), A Hora Marcada (2001), Primo Basílio (2007) e Irmã Dulce (2014), entre outros.

facebook Tweet
Links relacionados