"Nenhum outro filme será feito assim, posso garantir": Tim Burton relembra sua filmagem mais caótica com Johnny Depp
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Tim Burton já passou por muitas filmagens fora do comum, mas uma delas permanece insuperável. Com Johnny Depp no elenco, o filme se transformou em um imenso quebra-cabeça que o diretor garante jamais querer repetir.

Na longa filmografia de Tim Burton, não faltam produções ambiciosas e tecnicamente complexas. No entanto, quando se trata de apontar a filmagem mais difícil de dominar em sua carreira, o cineasta não hesita: Alice no País das Maravilhas, sua adaptação do famoso clássico de Lewis Carroll lançada em 2010.

O diretor mergulhou em suas memórias durante sua participação no quadro Video Club do portal Konbini em 2025. Enquanto a série Wandinha, da qual é produtor e diretor de diversos episódios, era exibida na Netflix, Tim Burton aproveitou a entrevista para relembrar as obras que alimentaram sua paixão pelo cinema e destacar momentos marcantes de sua trajetória.

Entre esses momentos, uma experiência claramente se destaca.

Alice no País das Maravilhas
Alice no País das Maravilhas
Data de lançamento 23 de abril de 2010 | 1h 48min
Criador(es): Tim Burton
Com Johnny Depp, Mia Wasikowska, Michael Sheen
Usuários
4,2
Adorocinema
4,0
Assista agora no Disney +

Alice no País das Maravilhas: Um imenso quebra-cabeça para Tim Burton montar

Durante a conversa, Tim Burton foi questionado sobre dois filmes que dirigiu para a Disney: Alice no País das Maravilhas, em 2010, e Dumbo, lançado nove anos depois. Duas adaptações em live-action de clássicos do estúdio, mas com processos de produção completamente diferentes.

Em Alice no País das Maravilhas, o cineasta se viu diante de um verdadeiro desafio técnico, em uma época em que a Disney estava apenas começando a apostar maciçamente nesse tipo de recriação espetacular.

Walt Disney Pictures
É engraçado porque, quando fiz Alice no País das Maravilhas, era tudo muito novo, a Disney fazendo todo aquele alarde... Foi o filme mais caótico que já dirigi, porque não usei apenas uma técnica, não fiz só captura de movimento... Misturei todos os tipos de efeitos

O longa-metragem dependia de uma combinação particularmente complexa de técnicas. Personagens digitais, animação, efeitos visuais e captura de movimento precisavam coexistir para dar vida ao País das Maravilhas imaginado pelo diretor. Esse método complicava consideravelmente a possibilidade de visualizar o resultado final durante a produção.

Um filme impossível de exibir antes de estar concluído

Essa particularidade inclusive impediu o estúdio de adotar uma das práticas habituais das grandes produções de Hollywood: organizar exibições de teste com antecedência suficiente para coletar as reações do público e fazer eventuais ajustes.

Walt Disney Pictures
Sabe, na Hollywood moderna, testa-se um filme antes de lançá-lo. Aqui, eles não puderam testar porque não havia nada pronto até o finalzinho. Era uma espécie de quebra-cabeça esquisito, porque os olhos de determinada pessoa eram maiores, outra pessoa era totalmente animada, outra era metade captura de movimento...

Uma experiência tão singular que Tim Burton tem certeza de que jamais poderá se repetir:

Alguns meses antes, para quem viu o filme antes do lançamento, não havia filme nenhum. Ele simplesmente se materializou bem no final. Foi o filme mais caótico e bagunçado... Nenhum outro filme será feito assim, posso garantir!

Um caos recompensado por um imenso sucesso

Embora sua produção tenha causado arrepios no diretor, Alice no País das Maravilhas acabou se tornando um sucesso estrondoso. O filme também é uma das muitas colaborações entre Tim Burton e Johnny Depp, que interpreta o excêntrico Chapeleiro Maluco.

Walt Disney Pictures

O público compareceu em massa e o longa ultrapassou a marca simbólica de 1 bilhão de dólares em bilheteria ao redor do mundo. Uma grande recompensa para aquilo que Burton descreve como seu filme mais "caótico e bagunçado".

Tim Burton ainda não terminou de explorar os universos fantásticos: além dos novos episódios de Wandinha, o cineasta também trabalha em um misterioso projeto de animação, sobre o qual revelou pouquíssimos detalhes até o momento.

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Paralelamente, ele desenvolve para a Warner Bros. uma nova versão do clássico de ficção científica A Mulher de 15 Metros, cujo roteiro foi recentemente entregue a Danya Jimenez e Hannah McMechan, roteiristas de Guerreiras do K-Pop.

Enquanto isso, Alice no País das Maravilhas pode ser visto e revisto no catálogo do Disney+.

Giovanni Rodrigues
Giovanni Rodrigues
-Redação
Já fui aspirante a x-men, caça-vampiros e paleontólogo. Contudo, me contentei em seguir como jornalista. É o misto perfeito entre saber de tudo um pouquinho e falar sobre sua obsessão por nichos que aparentemente ninguém liga (ligam sim).
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