Jason Statham como herói vingador em Código: Vingança: Por que temos a impressão de que o astro de ação interpreta sempre o mesmo papel?
Giovanni Rodrigues
-Redação
Já fui aspirante a x-men, caça-vampiros e paleontólogo. Contudo, me contentei em seguir como jornalista. É o misto perfeito entre saber de tudo um pouquinho e falar sobre sua obsessão por nichos que aparentemente ninguém liga (ligam sim).

Ele interpreta sempre o mesmo papel, mas em filmes diferentes. Com estreia marcada para 10 de setembro nos cinemas brasileiros, o astro chega às telonas com o longa de ação Código: Vingança, dirigido por Jean-François Richet.

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Ele atua quase sempre no mesmo estilo de personagem, mas em produções diferentes, e mesmo assim a fórmula funciona todas as vezes. Há mais de vinte anos, Jason Statham segue praticamente a mesma receita: um herói solitário, uma missão impossível, dezenas de adversários para derrotar e cenas de ação brutais.

Em Código: Vingança, seu novo suspense de ação comandado pelo diretor francês Jean-François Richet, o ator britânico parece mais uma vez atuar em um terreno que conhece de cor. Seja nos cinemas ou no streaming, o público marca presença sem falta.

Um homem perseguido, acusado injustamente, precisando lutar para sobreviver contra uma organização perigosa: a premissa de Código: Vingança poderia facilmente pertencer a um filme anterior de Statham. Após Carga Explosiva, O Código, Linha de Frente, Infiltrado, Beekeeper - Rede de Vingança ou Resgate Implacável, o astro britânico segue interpretando o mesmo perfil de personagem: um profissional da ação, calado, eficiente e que prefere resolver tudo na porrada do que com discursos.

Em Código: Vingança, Statham dá vida a um ex-soldado das forças especiais envolvido em uma conspiração internacional. Após testemunhar o assassinato de seu chefe, ele se torna o alvo de uma organização poderosa e precisa lutar para expor a verdade. Um papel sob medida para aquele que se tornou, com o passar dos anos, um dos últimos representantes do cinema de ação à moda antiga.

Uma fórmula simples, mas extremamente eficiente

Em Hollywood, alguns atores construíram suas carreiras em torno de um tipo específico de personagem. Liam Neeson consagrou o herói vingador com Busca Implacável, Gerard Butler virou o especialista em missões impossíveis com Invasão à Casa Branca, e Jason Statham consolidou seu próprio arquétipo: o do combatente que nunca perde a calma.

Seu segredo? Nunca tentar reinventar a roda. Enquanto algumas franquias tentam acumular reviravoltas ou efeitos visuais mirabolantes, Statham aposta no que seu público realmente quer ver: lutas impressionantes usando objetos do dia a dia, acrobacias reais e um herói de poucas palavras.

Essa abordagem funciona desde Carga Explosiva (2002), filme que o projetou mundialmente. Frank Martin, seu personagem como motorista especializado em entregas perigosas, estabeleceu as bases de sua identidade em cena: um homem elegante, preciso em seus movimentos e capaz de enfrentar um exército inteiro sem perder a postura.

O mesmo herói com rostos diferentes

Ao longo do tempo, Statham variou esse mesmo conceito em diferentes cenários. Em Assassino a Preço Fixo, ele vive um matador de aluguel metódico. Em Megatubarão, ele enfrenta uma criatura gigante enquanto salva uma estação submarina. Em Infiltrado, parceria com o diretor Guy Ritchie, ele interpreta um misterioso segurança de carro-forte movido por vingança.

Seu sucesso recente, Rede de Vingança, confirmou novamente o poder dessa fórmula. Por trás da profissão inusitada de apicultor, escondia-se um ex-agente temível capaz de desmantelar sozinho uma organização criminosa inteira. O longa fez um enorme sucesso, provando que o público continua adorando a receita de ver Statham transformado em uma máquina de combate humana.

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Aliás, seu nome tornou-se um forte argumento de vendas. Mais do que o diretor ou o próprio título da produção, o chamado "novo filme do Jason Statham" é o que atrai os espectadores, demonstrando o apelo construído pelo ator com seus fãs.

Armas improvisadas do dia a dia

Como de costume, qualquer objeto comum das cenas transforma-se em uma arma em potencial nas mãos de Statham. O ator sempre se diverte ao reaproveitar itens do cenário para transformar os confrontos corporais em verdadeiros espetáculos de criatividade.

Após usar cocos como luvas de boxe em Carga Explosiva 2, um galão de mel em chamas em Rede de Vingança e um pedal de bicicleta como arma improvisada no primeiro Carga Explosiva, agora é a vez de um simples cadeado ganhar uma utilidade surpreendente.

Uma forma divertida de lembrar que, no universo do ator, não importa o local: qualquer item vira uma ferramenta de combate.

Um herói à moda antiga?

Em uma época em que as superproduções apostam fortemente em universos compartilhados, super-heróis e efeitos computadorizados, Jason Statham defende outro estilo de cinema de ação. Uma vertente mais física, herdada dos clássicos das décadas de 1980 e 1990, na qual a presença do herói importava tanto quanto o espetáculo em si. Ele é um herdeiro legítimo de Sylvester Stallone, com quem contracenou na franquia Os Mercenários.

O ex-atleta de salto ornamental, que trabalhou como mergulhador profissional antes da atuação, continua bastante envolvido nas coreografias de luta e nas cenas de risco. Essa autenticidade contribui diretamente para seu prestígio entre os fãs do gênero.

Em Código: Vingança, Statham não busca surpreender mudando radicalmente de estilo. Ele entrega exatamente o que seu público espera: um suspense ágil, um protagonista implacable pronto para defender os oprimidos e uma nova oportunidade de ver um dos últimos grandes astros da ação lutando até o fim.

Após mais de vinte anos dedicados ao gênero, resta constatar que uma coisa não mudou: a fórmula Statham continua dando certo.

Código: Vingança estreia em 10 de setembro nos cinemas brasileiros.

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