Bastam poucos minutos para ver Filip completamente nu em um teste de elenco e, logo em seguida, em meio a uma orgia. À primeira vista, a nova série dramática Orgulho parece uma mistura frenética de Euphoria com Rivalidade Ardente, mas logo se revela algo muito diferente.
A produção polonesa original do HBO Max certamente gerará debates em seu país de origem, fortemente católico e conservador. Um homem gay assumidamente livre que deseja adotar uma criança? Impensável na Polônia real. Como narrativa seriada? Fascinante e crucial.
Entre festas e fraldas: conheça a trama de Orgulho
Sob o efeito de drogas, entre batidas eletrônicas, glitter e corpos suados, o jovem Filip (Ignacy Liss) busca sua própria liberdade — às vezes até em orgias no apartamento de sua irmã, Anna. Ela detesta a falta de dinheiro, de emprego fixo e de responsabilidade do irmão e tenta alertá-lo. Poucas horas depois, Anna morre devido a um problema cardíaco.
De uma hora para outra, Filip se depara com uma situação impossível: o que será de sua sobrinha, a pequena Tosia? O pai da menina não tem o menor interesse em cuidar dela, forçando Filip a finalmente amadurecer. Como ele e Anna cresceram em um orfanato após a morte da mãe e o desaparecimento do pai, Filip decide adotar Tosia para poupá-la desse trauma.
HBO Max
A premissa lembra a fantástica minissérie britânica Lost Boys and Fairies (2024), mas o cenário polonês traz uma perspectiva muito mais complexa: na Polônia, pessoas LGBTQIA+ não podem se casar e a adoção por indivíduos queers é praticamente impossível.
Emocionante, intensa e provocante
No renomado festival Series Mania, Orgulho competiu na mostra internacional e levou o Grande Prêmio do Júri. Ignacy Liss também foi premiado como Melhor Ator, algo totalmente justificável logo nos primeiros episódios.
Liss humaniza Filip, impedindo que seu comportamento autodestrutivo e inconsequente o torne antipático. Ele entrega um protagonista ambivalente, daqueles que dá vontade de sacudir em um momento e abraçar no seguinte. O fato de Filip tirar a roupa regularmente e agir com o mesmo magnetismo de Ilya Rozanov (do fenômeno literário queer Rivalidade Ardente) também não prejudica a experiência.
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Quem espera um retrato focado apenas na homofobia da sociedade polonesa verá que a produção de Karol Klementowicz brilha primeiro como um drama de personagem. Filip tenta anestesiar suas dores profundas com sexo e drogas, mas precisa aprender a ter responsabilidade no papel de pai improvisado, contando com a ajuda de seu círculo de amigos. O conselho de seu advogado para "passar algumas semanas sem parecer gay" promete, contudo, aprofundar as críticas sociais nos próximos episódios.
Felizmente, apesar da tragédia familiar, a série não é um drama deprimente. Enquanto cenas quentes e momentos de pura tensão se alternam, Orgulho arranca risadas da óbvia falta de jeito de Filip — seja ao perceber que transar com a babá não foi a melhor ideia, ou ao travar de vergonha no pediatra para nomear as partes íntimas da sobrinha, logo ele, que claramente não tem tabus com a intimidade.