"Daqui a 20 anos, vocês vão agradecer a Deus por isso": Como Tom Hanks impediu que astros fugissem em massa de uma obra-prima dos filmes de guerra
Giovanni Rodrigues
-Redação
Já fui aspirante a x-men, caça-vampiros e paleontólogo. Contudo, me contentei em seguir como jornalista. É o misto perfeito entre saber de tudo um pouquinho e falar sobre sua obsessão por nichos que aparentemente ninguém liga (ligam sim).

As preparações para as filmagens de O Resgate do Soldado Ryan foram tão desgastantes que astros como Edward Burns e Vin Diesel queriam desistir. Mas Tom Hanks soube como evitar isso.

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Quando Steven Spielberg anuncia um novo filme, atores renomados costumam fazer fila, e quase não existe astro de Hollywood que tenha se arrependido de atuar diante das câmeras do criador de Tubarão e E.T. - O Extraterrestre.

No entanto, há mais de 25 anos, alguns atores consideraram seriamente se opor à lenda da direção. O motivo foram as preparações extremamente exaustivas para O Resgate do Soldado Ryan, com o qual Spielberg faria história no cinema mais uma vez: com onze indicações, o grandioso épico da Segunda Guerra Mundial conquistou cinco Oscars no total, destacando-se, além de Melhor Direção, principalmente nas categorias técnicas, como a brilhante fotografia de Janusz Kamiński, Melhor Montagem e Melhor Som.

Não é para menos: apenas a sequência de abertura de 20 minutos, na qual Spielberg nos lança bem no meio do chamado Dia D (o desembarque dos Aliados na Normandia), é uma obra-prima técnica tão realista que precisou ser criada até mesmo uma linha direta de emergência para veteranos após as exibições.

Mas esse realismo teve seu preço: Spielberg decidiu enviar seus atores (com exceção de Matt Damon, que, por conta disso, acabou involuntariamente se tornando bem impopular com o elenco) para um acampamento de treinamento liderado pelo capitão Dale Dye, um veterano do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA. Ao longo de um treinamento intensivo de uma semana, eles deveriam sentir na pele como é ser preparado para uma missão de guerra e entregar atuações especialmente autênticas.

"Eles passavam por um treinamento físico pesado todos os dias, e eu lhes apliquei o mesmo currículo dado aos combatentes de infantaria no treinamento básico entre 1943 e 1944", disse Dye em entrevista ao Yahoo! News. "Como eu tive que comprimir tudo isso em três ou quatro dias, eles trabalharam dia e noite".

A rigidez e os métodos duros do exército, porém, logo se tornaram demais para alguns participantes. Edward Burns, por exemplo, que interpreta o soldado Richard Reiben em O Resgate do Soldado Ryan, descreveu o período como a pior experiência de sua vida:

"Chegamos lá, montamos nossas barracas e não parou de chover por sete dias. À noite fazia perto de 0 °C e ficávamos em uma barraca encharcada, com roupas encharcadas e um cobertor encharcado."

Tom Hanks impediu a debandada dos astros de O Resgate do Soldado Ryan

Burns e alguns de seus colegas estavam prestes a desistir, mas o protagonista Tom Hanks fez uma intervenção. Por um lado, ele ligou para o diretor para explicar o quão tensa a situação no local havia se tornado. Por outro, tentou convencer os atores exaustos a não abandonarem o acampamento e, consequentemente, o filme.

"Estávamos todos exaustos, todos quer tínhamos vontade de ir embora, e havia aquele cara que era um superastro e nem precisava estar ali, votando para que ficássemos", contou Burns.

O astro de Velozes & Furiosos, Vin Diesel, que viveu o soldado Adrian Caparzo em um de seus primeiros papéis no cinema, também confirmou o ocorrido:

"Ele disse: 'Pessoal, daqui a 20 anos vocês vão olhar para trás e agradecer a Deus por termos conseguido.' E, até hoje, todos nós somos muito gratos por termos levado isso até o fim."

O Resgate do Soldado Ryan está disponível no streaming Paramount+.

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