Esta obra-prima visualmente deslumbrante é um dos melhores filmes de guerra de todos os tempos — e, no entanto, muito desconhecida!
por Iris Dias

Você talvez nem saiba da existência de Acencção, um dos melhores filmes de guerra de todos os tempos. Esta obra-prima foi criada em condições extremas!

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Qual é o seu filme de guerra favorito? Entre os títulos mais celebrados pelo público e pela crítica estão clássicos como Apocalypse Now, O Resgate do Soldado Ryan, Nascido para Matar, O Barco e Nada de Novo no Front. Todos eles figuram entre os grandes representantes do gênero.

Mas existe uma obra-prima que permanece menos conhecida pelo grande público e que merece ser descoberta: A Ascensão, dirigido pela cineasta soviética Larisa Shepitko e lançado em 1977. Ao longo de sua carreira, Shepitko dirigiu apenas quatro longas-metragens.

Apesar de ser constantemente reconhecida em festivais internacionais, enfrentou diversos conflitos com a censura soviética. A Ascensão acabou se tornando seu último filme — e também o mais celebrado.

Um drama sobre escolhas impossíveis durante a guerra

A história acompanha os guerrilheiros soviéticos Sotnikov (Boris Plotnikov) e Rybak (Vladimir Gostyukhin), que, durante a Segunda Guerra Mundial, atravessam um território ocupado pelos nazistas em busca de alimentos para sua unidade.

Quando acabam capturados pelas forças alemãs, os dois são submetidos a interrogatórios e colocados diante de uma decisão devastadora: colaborar com o inimigo para salvar a própria vida ou permanecer fiéis aos seus princípios, mesmo que isso signifique enfrentar a morte. Muito mais do que retratar os combates, o filme se concentra nos dilemas morais vividos pelos personagens diante de situações extremas.

Filmado a 40 graus negativos

Um dos fatores que contribuem para a atmosfera sufocante do longa foi a forma como ele foi produzido. As filmagens aconteceram durante o inverno, em temperaturas que chegaram a 40 graus negativos.

As florestas cobertas de neve e as paisagens congeladas vistas na tela não são fruto de estúdio. Larisa Shepitko insistiu em gravar em condições reais para que o elenco experimentasse fisicamente as mesmas dificuldades enfrentadas por seus personagens. O resultado foi amplamente reconhecido. O filme conquistou o Urso de Ouro no Festival de Berlim e continua aparecendo em importantes listas elaboradas por críticos e cineastas.

Em 2018, uma pesquisa da BBC sobre os melhores filmes dirigidos por mulheres colocou A Ascensão na 11ª posição. Quatro anos depois, o longa apareceu em 72º lugar na tradicional lista da revista Sight & Sound com os melhores filmes de todos os tempos, elaborada por diretores do mundo inteiro. Já no Rotten Tomatoes, mantém 100% de aprovação da crítica, figurando entre os 300 filmes mais bem avaliados da plataforma.

Uma carreira interrompida de forma trágica

Poucos anos depois, Larisa Shepitko iniciou a produção de seu novo longa, o drama histórico Adeus a Matiora. No entanto, durante as filmagens, a diretora morreu em um acidente de carro aos 41 anos.

Também perderam a vida o diretor de fotografia Vladimir Chukhnov, o diretor de arte Yuri Raksha e outros integrantes da equipe. O projeto acabou sendo concluído por seu marido, Elem Klimov — diretor do também aclamado Vá e Veja — e chegou aos cinemas em 1983.

Amante dos filmes de fantasia e da Beyonce. Está sempre disposta a trocar tudo por uma sitcom ou uma maratona de Game Of Thrones.
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