"Isso não é a sua cara": Há 48 anos, Clint Eastwood alcançou seu maior sucesso, apesar de todos o aconselharem a não estrelar este filme de baixo orçamento
Marco Rigobelli
Marco é tradutor e redator. Tem uma história pessoal com O Bebê de Rosemary, acha que 10 Coisas que Eu Odeio em Você é um dos maiores filmes já feitos e pode passar horas contando fatos aleatórios sobre O Senhor dos Anéis.

Em 1978, Clint Eastwood tomou uma decisão que surpreendeu Hollywood: aceitar filmar uma comédia que ia totalmente contra a sua imagem, mesmo quando tentavam dissuadi-lo. Essa escolha daria origem a um de seus maiores sucessos populares.

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No final dos anos 1970, Clint Eastwood já havia se estabelecido como uma figura indispensável no cinema de ação e em papéis sombrios, especialmente graças a O Perseguidor Implacável. Sua imagem estava fortemente associada a personagens durões, taciturnos e violentos.

É nesse contexto que ele embarca, em 1978, em um projeto no mínimo inesperado: Doido Para Brigar... Louco Para Amar. Lançado no final de 1978 nos Estados Unidos e depois na primavera de 1979 na França, o filme destoou completamente do restante de sua filmografia. Pouquíssimas pessoas apostavam no seu sucesso… exceto ele.

Uma história improvável entre brigas e ternura em Doido Para Brigar... Louco Para Amar

O filme acompanha Philo Beddoe, um mecânico brigão que ganha a vida participando de lutas clandestinas sem luvas. Sua vida vira de cabeça para baixo quando Lynn, a mulher por quem está apaixonado, desaparece. Ele então parte em busca dela, acompanhado por seu melhor amigo Orville… e, principalmente, por Clyde, um orangotango fora do comum.

Essa mistura de ação, comédia e aventura resultou em algo totalmente atípico para a época, quase em descompasso com os padrões de Hollywood.

Uma escolha que ninguém entendia

Em uma entrevista concedida ao Guardian em 2003, Clint Eastwood relembrou as muitas hesitações em torno desse projeto.

"Sim, fiz escolhas estranhas ao longo da minha carreira. Esse filme, meu agente — na verdade, todo mundo — implorou para eu não fazer. Foi depois de Perseguidor Implacável, eu tinha feito muitos filmes de ação e aventura e eles me disseram: 'Isso não é a sua cara', e eu respondi: 'Então, o que é a minha cara? Eu não faço a menor ideia'".

O que acabou atraindo o ator foi a ideia de sair de sua imagem habitual e explorar algo diferente, especialmente um cinema mais acessível.

"Na minha opinião, isso me permitiria alcançar uma geração mais jovem, fazer um filme que as crianças pudessem assistir (...). E havia algo surpreendentemente 'descolado' naquele filme — esse cara estranho desabafando com um orangotango e tendo a namorada levada: tudo é um pouco diferente [dos filmes habituais]. Parecia a coisa certa a se fazer na época".

Um parceiro de filmagem muito particular

Um dos elementos mais marcantes do filme é, sem dúvida, a presença de Clyde, o orangotango. Uma experiência de atuação da qual Clint Eastwood guarda uma lembrança bastante singular…

"Foi fantástico, era como trabalhar com uma criança de seis anos. Dizem que eles alcançam o nível de uma criança de sete anos e têm apenas a capacidade de atenção de uma criança, então você precisa dar tudo de si logo no primeiro take".

Um sucesso inesperado de bilheteria

Contra todas as expectativas, a aposta se transformou em um triunfo comercial. Doido Para Brigar... Louco Para Amar ultrapassou os 100 milhões de dólares em bilheteria mundial, uma marca impressionante para a época, e ainda mais para uma comédia considerada arriscada.

Impulsionada por esse sucesso, uma sequência foi lançada dois anos depois: Punhos de Aço. O filme também alcançou um grande sucesso, arrecadando cerca de 70 milhões de dólares.

Essas duas obras estão hoje entre os maiores sucessos comerciais da carreira de Clint Eastwood nos anos 1980, provando que uma escolha considerada insensata pode, às vezes, se mostrar decisiva.

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