O filme de John Wayne que deixou 91 pessoas com câncer devido à radiação, incluindo ele próprio: "Se sustentaria até mesmo em um tribunal"
Rafael Felizardo
-Redator | Crítico
Sonhador desde pequeno e apaixonado por cinema de A a Z, encontrou em David Lynch um modo de sonhar acordado.

Lançado em 1956, Sangue de Bárbaros deu vida a um dos casos mais controversos da indústria cinematográfica.

John Wayne já era um grande astro do faroeste quando, em 1956, protagonizou aquele que é considerado um de seus piores filmes: Sangue de Bárbaros. Mesmo massacrado pela crítica, a performance ruim do longa-metragem não foi a pior notícia que os profissionais envolvidos poderiam ter.

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As filmagens de Sangue de Bárbaros podem ter causado câncer na equipe

O fato de Sangue de Bárbaros não ser um bom projeto é o menos problemático que se pode dizer sobre ele. Para se ter ideia, as gravações colocaram em risco a vida do elenco e do resto da equipe no set, com consequências potencialmente trágicas que nunca foram totalmente comprovadas, mas que sempre estiveram associadas ao filme.

Para as paisagens desérticas onde o enredo se desenrolou, a equipe se deslocou para uma área particularmente perigosa de Utah - a poucos quilômetros de distância, existia um local onde testes nucleares haviam sido realizados sem qualquer aviso prévio. Embora não se possa afirmar com certeza, os números levaram a uma teoria amplamente difundida quando, nos anos seguintes, John Wayne, o diretor Dick Powell e muitos outros profissionais foram diagnosticados com câncer.

Segundo um artigo da revista People publicado na década de 1980, intitulado "The Children of John Wayne, Susan Hayward and Dick Powell Fear That Fallout Killed Their Parents” (via The Guardian), dos 220 membros do elenco e da equipe, 91 contraíram câncer e 46 morreram. Robert Pendleton, diretor de saúde radiológica da Universidade de Utah, afirmou que a radioatividade de explosões anteriores provavelmente ficou alojada no local.

"Com esses números, este caso poderia ser considerado uma epidemia. A ligação entre a precipitação radioativa e o câncer em casos individuais tem sido praticamente impossível de provar conclusivamente. Mas em um grupo desse tamanho, seria de se esperar o desenvolvimento de apenas cerca de 30 casos de câncer. Com 91 casos, acredito que a ligação com a exposição durante as filmagens de Sangue de Bárbaros se sustentaria até mesmo em um tribunal”, afirmou Pendleton.

Além disso, 60 toneladas de solo radioativo provenientes das filmagens foram enviadas para Hollywood para a gravação de cenas adicionais em estúdio, o que colocou, sem que se soubesse, em risco dezenas de outras vítimas em potencial.

Vale lembrar que John Wayne faleceu no dia 11 de junho de 1979, aos 72 anos, em Los Angeles. A causa oficial da morte foi estabelecida como câncer de estômago.

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