Toy Story - Um Mundo de Aventuras estreou em 1996, marcando o início de um tipo muito particular de humor que a Pixar esqueceu.
Os tempos mudam, e a Disney foi uma empresa que alterou significativamente a forma como os filmes infantis são concebidos. Vivemos numa era muito mais familiar graças à gigante do entretenimento e, olhando para trás, é difícil acreditar que algumas piadas já fizeram parte do seu trabalho. A Pixar brilhou em Toy Story - Um Mundo de Aventuras com um dos melhores momentos da saga, dando origem a um tipo muito específico de humor, mas que, à luz de Toy Story 5, se perdeu . Então, hoje vamos falar sobre uma cena fundamental na história dos brinquedos, sua evolução e esquecimento.
O dia em que a Pixar não teve medo em Toy Story com Senhora Marocas
Embora eu não entendesse na época, Toy Story conseguiu se conectar tanto com crianças quanto com adultos através do humor. Nem todas as piadas eram para os pequenos, o que faz com que eu, como adulto, ache a cena da Senhora Marocas genial.
Chegamos àquele momento tristes porque nosso astronauta favorito havia perdido o braço, sem entender que Buzz estava no meio de uma crise existencial, arrasado, usando um avental rosa e tomando chá com "Maria Antonieta e sua irmãzinha". A Pixar estava inserindo uma piada sobre execuções da Revolução Francesa em um filme infantil, algo que só os adultos entendiam. Mesmo hoje, ainda rio dessa piada.
Isso fazia parte da magia dos anos 90 e 2000. O estúdio desfrutava de uma independência criativa com um toque cínico e irreverente. Um sarcasmo que, infelizmente, se dissipou à medida que a máquina Disney mudou seu tom. Aliás, se havia algo de grandioso no lançamento de Shrek (2001), era o fato de ter levado essa ideia ao extremo.
Esse humor era uma forma de dar vida às histórias. Em Toy Story 2, o Sr. Cabeça de Batata inclinou o chapéu para um pacote de batatas fritas e disse: "Um minuto de silêncio pelos irmãos caídos". Em Os Incríveis, se você observar com atenção, a empresa de Bob tinha um certificado que premiava o funcionário que conseguisse reduzir as indenizações por suicídio. Era um humor ácido, sim, mas também sutil e crítico.
Tudo mudou e se tornou mais ameno em 2006. A Disney adquiriu a Pixar e começou a operar sob suas regras. Embora a Casa do Mickey tenha nos presenteado com momentos geniais e cínicos, optariam por um modelo mais convencional, focado no trauma emocional em vez da crítica. Assim, recebemos uma nova onda de filmes (também maravilhosos) como Up - Altas Aventuras (2009), Divertida Mente (2015) e Viva - A Vida é uma Festa (2017), mas eles careciam da mesma perspectiva. Aliás, basta observar os resultados atuais de obras originais como Elio (2025) para perceber que a faísca se apagou.
Com o lançamento de Toy Story 5, a transição fica mais evidente. Embora haja ótimos momentos, a crítica às novas tecnologias e à passagem do tempo é muito mais sutil do que nos filmes anteriores. Em outras palavras, a Pixar deixou de ser uma adolescente travessa para se tornar uma adulta responsável. E nenhuma das duas versões é ruim em si, mas às vezes sinto falta daquele espírito livre do estúdio.