Duas irmãs, uma faca escondida e uma fazenda no sertão baiano onde a abolição nunca chegou de verdade. Traduzido em mais de 20 países.
A história começa com uma faca enrolada em tecido encardido, escondida na mala de couro da avó. Duas irmãs, curiosas, a encontram. Quando Bibiana encontra um objeto antigo no meio das coisas de sua avó, a vida das duas meninas se transforma e a história começa "pra valer". Uma perde a língua. E para sempre suas vidas estarão ligadas a ponto de uma precisar ser a voz da outra.
Torto Arado
Itamar Vieira Junior confessou que não esperava que uma história sobre o interior do nordeste brasileiro fosse premiada, e admitiu que o livro nunca teria sido publicado no Brasil se não tivesse ganho o Prêmio LeYa. Sem contatos no mercado editorial, ele enviou o manuscrito diretamente para o concurso português — e ganhou por unanimidade em 2018.
Funcionário público do INCRA, parte da inspiração do romance surgiu do contato que Vieira Junior teve com comunidades quilombolas da Bahia no trabalho e em sua pesquisa de doutorado. Os ritos do Jarê, religião de matriz africana existente somente na região da Chapada Diamantina, são parte central da narrativa.
Vencedor dos prêmios Leya, Oceanos e Jabuti, Itamar Vieira Junior é geógrafo e doutor em estudos étnicos e africanos pela UFBA. Seu romance é um dos maiores sucessos de público e crítica da literatura brasileira das últimas décadas, tendo sido traduzido em mais de vinte países.
Em 2022, foi noticiado que a obra será adaptada como série pela HBO Max. E em 2026, a Unidos de Vila Isabel escolheu o enredo do livro para o carnaval. Publicado pela Editora Todavia, com 264 páginas, é o primeiro volume de uma trilogia sobre a terra.