O narrador Pedro reconstrói a vida de sua família a partir das memórias do pai, o professor Henrique, que foi assassinado em uma abordagem policial. Mas a reconstituição não é linear: Pedro preenche as lacunas com o que imagina, com o que ouviu, com o que nunca vai saber de fato.
Com elementos autobiográficos, a obra retoma a ocasião em que o próprio autor foi interpelado por policiais na rua, enquanto esperava uma carona, porque alguém denunciara a presença de um "homem suspeito parado na rua". Da experiência pessoal, Jeferson Tenório fez literatura — e que literatura.
O Avesso da Pele
Companhia das Letras
Com uma narrativa sensível e por vezes brutal, O Avesso da Pele traz à superfície um país marcado pelo racismo e por um sistema educacional falho, e um denso relato sobre as relações entre pais e filhos. O que está em jogo é a vida de um homem abalado pelas inevitáveis fraturas existenciais da sua condição de negro em um país racista, um processo de dor, de acerto de contas, mas também de redenção, superação e liberdade.
O livro também foi censurado. Foi retirado de escolas públicas de ao menos três estados brasileiros por reação equivocada ao conteúdo, segundo especialistas. O episódio trouxe mais atenção ao romance e acendeu um debate nacional sobre educação e racismo.
Jeferson Tenório nasceu no Rio de Janeiro, em 1977. Radicado em Porto Alegre, é doutor em teoria literária pela PUC-RS. O Avesso da Pele venceu o Prêmio Jabuti e teve seus direitos vendidos para Portugal, Itália, Inglaterra, França, Suécia, China, Bélgica e Estados Unidos. São 192 páginas publicadas pela Companhia das Letras.