Este livro brasileiro nasceu em uma oficina com García Márquez e tem uma história real por trás que poucos conhecem
Victoria Fernandes
-Redatora
Apaixonada por histórias que unem emoção e estética. Ama romances de época e o charme do cinema francês. Fascinada por distopias e tudo que é cyberpunk. Defensora do cinema brasileiro e do que ele tem de mais humano, criativo e vibrante.

Um jovem sem fé acaba morando dentro da cabeça de um santo e passa a ouvir os segredos das mulheres. Realismo mágico brasileiro com raízes verdadeiras em sua essência!

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Socorro Acioli nasceu em Fortaleza, Ceará, em 1975. Jornalista e doutora em estudos de literatura pela Universidade Federal Fluminense, é professora e coordenadora da especialização em escrita e criação da Universidade de Fortaleza. Antes de se destacar na literatura adulta, já era consagrada pelos livros infantojuvenis, incluindo um Prêmio Jabuti.

Em 2006, foi a única brasileira selecionada para a oficina Como Contar um Conto, ministrada por Gabriel García Márquez em Cuba. Foi lá que nasceram as primeiras ideias do que viria a ser A Cabeça do Santo, publicado pela Companhia das Letras em 2014.

A Cabeça do Santo

O romance conta a história de um jovem que descobre possuir o fantástico dom de ouvir as preces das mulheres para santo Antônio. Pouco antes de morrer, a mãe de Samuel lhe faz um último pedido: que ele vá encontrar a avó e o pai que nunca conheceu. Ao chegar à cidade quase fantasma de Candeia, no sertão do Ceará, ele encontra abrigo na cabeça oca e gigantesca de uma estátua inacabada de santo Antônio, que jazia separada do resto do corpo. Companhia das Letras

E a história real? Durante 39 anos, a cidade cearense de Caridade abrigou um Santo Antônio monumental sem cabeça, que não conseguiram inserir no corpo, tornando-se quase uma lenda urbana ao repousar no chão, servindo inclusive de muro na casa onde alguém morou. Foi exatamente essa imagem que inspirou o livro.

O escritor moçambicano Mia Couto elogiou a obra: afirmou que há muito não lia com tanto prazer uma história que evocasse, com tão fina elegância, um universo que vai muito além das crenças rurais e nos remete à nossa diversidade interior e à necessidade de nos encantarmos.

Com realismo mágico à brasileira, amor, fé e o sertão nordestino como pano de fundo, é um dos romances nacionais mais originais dos últimos anos, com apenas 176 páginas.

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