Estrelado por Robert Pattinson, Toni Collette e Mark Ruffalo, o filme fracassou nas bilheterias, mas agora tem outra chance de brilhar no streaming.
Em seu vasto catálogo, a HBO Max possui um alucinante filme de ficção científica com orçamento de 118 milhões de dólares, mas com a liberdade artística típica do cinema de autor. Refiro-me a Mickey 17, o trabalho mais recente até o momento do vencedor do Oscar Bong Joon-ho, com Robert Pattinson liderando o elenco.
O sul-coreano Joon-ho podia se dar ao luxo de fazer o que bem entendesse após surpreender o mundo com Parasita, mas acabou aceitando uma proposta tentadora da Warner que lhe permitiu fazer seu filme mais caro até hoje, por uma grande diferença. O resultado foi uma aventura espacial incomum com um forte toque cômico que não conseguiu se conectar com o público, despedindo-se dos cinemas com uma arrecadação de apenas 133 milhões.
Mickey 17: Fascinante, mas desequilibrado
Sendo justo, Mickey 17 está longe de ser um filme perfeito. Ele começa com muita força e esbanja imaginação em seus primeiros minutos, mas as coisas se complicam quando precisa adotar um rumo mais claro. É aí que perde o frescor inicial e se torna mais óbvio em todos os aspectos, o que prejudica o elemento de sátira, já que Joon-ho perde um pouco o norte na reta final.
Pelo parágrafo anterior, pode parecer que vou dizer que não vale a pena assistir a Mickey 17, mas a verdade é que apenas não quero elevar as expectativas além do seu valor real. O elenco está superinspirado, com Pattinson entregando uma das melhores atuações de sua carreira — embora o mais justo seria dizer várias, já que ele precisa mostrar múltiplas facetas como esse funcionário descartável que é clonado repetidas vezes.
Além disso, Mickey 17 é o tempo todo um filme com uma abordagem muito pessoal — dá para notar de longe que Mark Ruffalo está fazendo uma paródia quase grotesca de Donald Trump —, mesmo quando precisa apostar em um tom mais espetacular na reta final para justificar o grande investimento que a Warner fez nele. E também é claramente superior a Okja, la outra experiência do diretor em Hollywood.
O ponto crucial é que, mesmo dentro desse desequilíbrio, estamos diante de um filme alucinante, embora nem sempre pelos melhores motivos. De minha parte, sempre preferirei algo ousado que não acerte o alvo em cheio a produtos medíocres que voam tão baixo que parecem quase perda de tempo, mesmo que cumpram os objetivos a que se propõem.