Há 33 anos, este filme aclamado por Quentin Tarantino passou despercebido por quase todo mundo – hoje é um clássico absoluto!

Em 1993, Jovens, Loucos e Rebeldes, de Richard Linklater, teve uma estreia morna nas bilheterias – hoje, a comédia que captura o espírito de uma época é considerada o filme favorito de muita gente.

>
Por Ana Pilato

A transição de um fracasso de bilheteria para um filme cult é um fenômeno frequente na história do cinema. Basta pensar em Clube da Luta e Donnie Darko, que ficaram abaixo das expectativas nos cinemas, mas depois ascenderam ao status de joias escondidas através do DVD e do boca a boca, liderando hoje as listas de favoritos de muitos cinéfilos.

Richard Linklater também conhece bem essa história: seu filme de 1993, Jovens, Loucos e Rebeldes, teve uma estreia morna nos cinemas dos EUA e mal conseguiu recuperar seu orçamento de produção. Mas hoje, ele é considerado por muitos como um clássico de atmosfera inigualável.

Um dia de verão nos anos 70

A premissa de Jovens, Loucos e Rebeldes é simples de resumir: o filme se passa em um único dia de verão de 1976 em uma cidade texana. É o último dia de aula antes das férias de verão, e na escola local os calouros são tradicionalmente recebidos pelos veteranos com rituais de iniciação humilhantes. O jovem Mitch Kramer (Wiley Wiggins) tenta escapar sem sucesso, mas depois é convidado pelo quarterback Randall "Pink" Floyd (Jason London) para celebrar.

Enquanto isso, Pink recebeu ordens de seu treinador para ficar longe de álcool e drogas durante o verão, mas ele quer aproveitar as férias. Com seu amigo David Wooderson (Matthew McConaughey), ele dirige à noite pela região repleta de jovens. Todos estão em busca de uma grande festa para inaugurar o verão em grande estilo...

Uma cápsula do tempo

A estrutura narrativa "solta" da trama foi uma escolha deliberada: Linklater, que passou a própria juventude no Texas nos anos 1970, queria capturar o sentimento daquela época de uma "falta de rumo cheia de alma" de uma forma não dramática, mas precisa. Para isso, ele contou com um elenco dedicado, do qual surgiriam várias grandes estrelas no futuro: além de McConaughey, Ben Affleck aparece como um valentão, e em papéis menores surgem Milla Jovovich, Renée Zellweger e Parker Posey.

Apesar da abundância de personagens, o filme evita consistentemente padrões previsíveis. Enquanto filmes de elenco numeroso costumam acumular clichês que, somados, tentam criar um panorama social ou um estudo de meio, em Jovens, Loucos e Rebeldes o que importa é a sintonia dos momentos e das situações. Outro fato que se destaca na recepção do filme é que ninguém menos que Quentin Tarantino o inclui entre seus (vários) filmes favoritos.

A distribuidora agiu de forma diferente na época do lançamento para promover o filme: contra a vontade de Linklater, a obra foi retratada nos materiais promocionais como uma "comédia de brisados" (stoner comedy), o que é incorreto, apesar do consumo ocasional de maconha visto em cena. Na verdade, Jovens, Loucos e Rebeldes é uma interessante cápsula do tempo que flui suavemente, capturando uma sensação efêmera de tempo e de vida, compartilhando-a com um público que é imediatamente transportado a pensar na própria juventude.

Fanática por filmes e séries, Ana possui um acervo de informações aleatórias sobre cultura pop e gosta de encarar câmeras imaginárias como se estivesse em Fleabag ou The Office.
facebook Tweet
Links relacionados