Álex de la Iglesia sobre seu jantar com Quentin Tarantino: "A partir do segundo prato, eu já queria ir embora porque não aguentava mais"
Giovanni Rodrigues
-Redação
Já fui aspirante a x-men, caça-vampiros e paleontólogo. Contudo, me contentei em seguir como jornalista. É o misto perfeito entre saber de tudo um pouquinho e falar sobre sua obsessão por nichos que aparentemente ninguém liga (ligam sim).

Anos atrás, o diretor de O Dia da Besta conversou sobre sua experiência com o cineasta americano: "É um problema. É uma pessoa que só fala de cinema."

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Poucos cineastas são tão absolutamente genuínos quanto Quentin Tarantino. Com um estilo 100% próprio e original, transbordando paixão pelo cinema por todos os lados, o trabalho do diretor não é apenas inconfundível, mas caminha para ser o único na história com uma filmografia completamente impecável e perfeita. De fato, esse é precisamente seu objetivo, tendo garantido em inúmeras ocasiões que sua intenção é fazer apenas 10 filmes para garantir que sua carreira não passe por nenhum momento de declínio. Se ele cumprir, seu próximo filme será o último.

Uma coisa que se extrai do cinema de Quentin Tarantino é que ele é um cineasta muito marcado por suas referências e influências e que seus conhecimentos sobre cinema são amplíssimos. De fato, o diretor viu tantos filmes e conhece tantos gêneros que surpreende até mesmo seus colegas, como o próprio Álex de la Iglesia confirmou várias vezes ao compartilhar a anedota de quando teve a oportunidade de jantar com ele.

O diretor de O Dia da Besta e As Bruxas de Zugarramurdi, entre muitos outros, teve a oportunidade de encontrar Tarantino quando foi jurado em uma edição do Festival de Cinema de Veneza e eles foram jantar juntos. Animado por saber que o americano havia visto todos os seus filmes e adorado, o diretor pensou que aquele encontro seria fantástico, mas acabou bastante saturado porque o diretor só sabia falar de cinema.

Álex de la Iglesia ficou cansado de Quentin Tarantino: "Só fala de cinema"

"É um problema", admitiu em uma entrevista com o crítico de cinema Carlos Boyero no Canal+. "Porque você quer conhecer a pessoa e descobre que a pessoa não é mais do que cinema. É um cara que só fala de cinema." Segundo De la Iglesia, o jantar começou com uma porção de "croquetes" e já ali ele percebeu que o conhecimento que Tarantino tinha sobre cinema era algo de outro planeta: "Ele me diz: 'Ei, Alex, você sabe como conseguir um filme de 73 que foi rodado em Sevilha do diretor Gustavo não sei quantos?'. Eu: 'Bom, a verdade é que não faço ideia de que filme você está falando'. [...] E então você percebe que ele se interessa por absolutamente tudo. Parece fascinante."

À medida que a conversa avançava, Tarantino o surpreendia mais. O diretor de Pulp Fiction começou a falar-lhe de um gênero de que gostava muito, que eram os filmes de judô, e sobre o qual De la Iglesia jamais tinha ouvido falar. "Eu não sabia que existiam filmes de judô. E então ele ficou falando sobre judô durante um tempão e depois sobre cinema espanhol absolutamente arcano, ininteligível. [Ele falava] De thrillers dos anos 60 que eu não vi e nem acho que alguém tenha visto."

A partir do segundo prato, eu já queria ir embora porque não aguentava mais

"Eu queria que ele me contasse coisas, que falasse sobre Mira Sorvino ou sobre Jackie Brown", lamentou De la Iglesia.

"Eu imaginava esse lado 'pirado', mas ele tem um ponto de obsessão sério. Atrai muito a gente desestabilizada porque ele é o mais desestabilizado de todos, mas, por outro lado, é divertido e atraente."

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