A saga De Volta para o Futuro muda drasticamente se você começar a ver o Doc Brown desta forma
Fanática por filmes e séries, Ana possui um acervo de informações aleatórias sobre cultura pop e gosta de encarar câmeras imaginárias como se estivesse em Fleabag ou The Office.

Christopher Lloyd ficou marcado como Doc Brown em De Volta para o Futuro, mas seu papel na história poderia ser mais ambíguo.

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É impossível não pensar em Doc Brown como o gênio excêntrico e cativante que todos nos lembramos de De Volta para o Futuro, com seu cabelo desgrenhado, energia caótica e o DeLorean transformado em uma máquina do tempo. Mas, se o observarmos com um pouco mais de distanciamento – e menos nostalgia –, o personagem interpretado por Christopher Lloyd pode ser muito perturbador.

Estamos falando de alguém que envolve um adolescente como Marty McFly em experimentos perigosos, o coloca em dilemas morais que poderiam apagar sua existência e manipula constantemente a linha do tempo sem assumir total responsabilidade pelas consequências. Talvez esse seja o maior truque da trilogia: disfarçar como uma aventura leve uma história que, no fundo, poderia ser muito mais sombria se parássemos de perdoar seu cientista louco simplesmente por ele ser carismático.

Outra perspectiva de Doc Brown

Muitos dos problemas com viagens no tempo em De Volta para o Futuro têm origem em Doc Brown. É ele quem envia Marty de volta a 1955 em um DeLorean movido a plutônio – que ele roubou de terroristas –, e faz isso sem explicar completamente as regras básicas ao garoto. Somente quando a situação está prestes a sair do controle é que ele o alerta sobre a coisa mais importante: não interferir no relacionamento de seus pais.

No entanto, o aviso chega tarde demais e, ainda mais curioso, o próprio Doc acaba ajudando Marty a manipular os acontecimentos. Juntos, eles orquestram toda uma cena para que seus pais se apaixonem, praticamente roteirizando o primeiro beijo deles no baile. Em vez de simplesmente resolver o problema, Doc transforma a situação em uma espécie de experimento emocional.

O resultado é uma linha temporal alterada na qual os pais de Marty são completamente diferentes, mas Doc considera isso um sucesso sem se preocupar muito com as consequências. Ele não parece particularmente preocupado com os efeitos colaterais de suas decisões, como se tudo fosse parte de um grande ensaio onde o processo, e não o resultado, é o que importa.

Incompreendido ou inconsequente?

E é aí que surge a questão: e se Doc não fosse tão distraído quanto parece? Seu comportamento caótico poderia, na verdade, ser uma forma de agir livremente, de criar situações extremas sem ter que responder por seus atos. Afinal, ele sempre parece estar um passo à frente – mesmo quando finge não saber o que está acontecendo.

De fato, há momentos em que ele demonstra estar realmente interessado em controlar o próprio destino. Quando sua vida está em perigo, ele não hesita em quebrar as próprias regras e usar informações do futuro para se salvar. Esse equilíbrio entre genialidade, improvisação e manipulação torna Doc Brown um personagem muito mais complexo e também bastante perturbador.

Eu, particularmente, prefiro acreditar que ele é simplesmente um gênio distraído, sem más intenções.

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