Críticas AdoroCinema
2,0
Fraco
Fúria

Tiro, porrada e clichê

por Renato Hermsdorff

Ele escapou do inferno para fazer justiça. Agora, ele tem a última chance de se redimir”. A narração da versão brasileira do trailer de Fúria Sobre Rodas (2011), outro filme estrelado por Nicolas Cage, que mais parece um anúncio da Tela Quente, com alguma variação, pode se aplicar a praticamente todo longa-metragem com o ator na última década.

E, mais recentemente, seja no papel de polícia ou ladrão, ele agora também passou a encarnar o bom pai – de menina, todas as vezes – como no mesmo Fúria sobre Rodas, O Resgate, O Apocalipse e também neste Fúria. (Mas sempre empunhando uma arma).

Na nova produção, ele vive Paul Maguire, um cara que busca a filha (Aubrey Peeples) na escola, cobra o dever de casa dela, seleciona as amizades da moça e se preocupa com a influência das drogas. Ele é casado com a bela e submissa Vanessa (Rachel Nichols). Ah, a família. Uma noite, Paul sai com a esposa e deixa a filha em casa, com dois amigos do colégio. Quando retorna, descobre que a residência foi arrombada e a menina, sequestrada.

É quando o passado de Maguire no mundo do crime vêm à tona (ele escapou do inferno). Mas quem poderia queria se vingar dele? Com a ajuda dos amigos das antigas Kane (Max Ryan) e Danny (Michael McGrady), ele forma uma espécie team Os Mercenários (para fazer justiça com as próprias mãos). Ah, a família de novo.

E o trio de canastrões vai confrontar a máfia (uma pipoca pequena para quem adivinhar a nacionalidade) russa, na figura do chefão Chernov (Pavel Lychnikoff) que tem tatuada nas costas a imagem (agora vale uma pipoca média) do Kremlin de Moscou, a sede do governo da Rússia. E lá se vão tiro, porrada e clichê.

Para a audiência que sobreviveu até aqui, no entanto, há uma luz no fim do túnel. O desfecho do crime é uma surpresa. Não é a invenção da roda, mas uma chance de o filme se redimir. A última chance, aliás.