Críticas AdoroCinema
2,5
Regular
A Última Casa

Wagner Moura tenta salvar A Última Casa, mas filme de ficção científica da Netflix é devorado pela própria bagunça

por Bruno Botelho dos Santos

Temos um longo histórico em Hollywood de histórias apocalípticas e a Netflix encontrou há alguns uma fórmula de sucesso com filmes de suspense e ficção científica com temática de fim do mundo em seu catálogo, como vimos acontecer com Cargo (2017), Bird Box (Caixa de Pássaros) (2018), Não Olhe Para Cima (2021), I Am Mother (2019), Oxigênio (2021) e O Mundo Depois de Nós (2023).

Essas produções ganharam ainda mais força na pandemia de COVID-19, que mudou nossas vidas e, claro, impactou a cultura pop. O resultado já tem aparecido em filmes e séries que exploram o trauma coletivo e o isolamento causado pela pandemia. Este é o caso da nova aposta da Netflix: A Última Casa, filme estrelado por Wagner Moura e Greta Lee que funciona melhor como uma história de confinamento, mas se perde quando foge da escala intimista para explorar os elementos de ficção científica e ação.

Qual é a história de A Última Casa?

Na trama, Ann (Greta Lee), Jason (Wagner Moura) e seus dois filhos ficam, de maneira inesperada, confinados dentro da própria casa, enquanto uma força desconhecida transforma o lar em uma espécie de prisão. Desta forma, a família Delgado precisa se unir para manter a esperança e encontrar uma maneira de sobreviver à falta de água, comida e outros recursos essenciais, e essa ameaça misteriosa que está sempre à espreita.

Wagner Moura é a melhor coisa de A Última Casa

A Última Casa tem um começo promissor: aposta em uma escala mais intimista e claustrofóbica, funcionando basicamente como um filme de confinamento enquanto é ambientado praticamente o tempo inteiro dentro de um único lugar, a casa.

O diretor Louis Leterrier (Truque de Mestre e Velozes & Furiosos 10) consegue construir a tensão na luta pela sobrevivência dos personagens. Ele toma tempo para desenvolver a relação dessa família, o que é fundamental para que a gente consiga se importar com eles. É nisso que os personagens de Greta Lee e Wagner Moura são peças-chaves para essa conexão emocional e entregam momentos bonitos e reflexivos, que refletem a experiência traumática que vivemos na pandemia.

Depois de ser indicado ao Oscar por O Agente Secreto (2025), Wagner Moura é a melhor coisa de A Última Casa. Pela sua atuação intensa, o ator brasileiro entrega a carga emocional de Jason e também o colapso mental dele com o passar do tempo, pelo seu desespero para manter os filhos e a esposa a salvo – o que faz com que o personagem perca o equilíbrio e serve como uma reflexão dentro da narrativa.

Final bagunçado e excesso de explicações são os grandes vilões do filme

O problema de A Última Casa é que a história de sobrevivência fica cansativa com o passar do tempo e repetições de situações na rotina dos personagens. Tudo piora quando o roteiro escrito por Matthew Robinson (Amor e Monstros e Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra) começa a resolver o mistério proposto.

É realmente interessante como a trama relaciona esse isolamento dos personagens com a pandemia e posiciona a ameaça para discutir sobre a violência e os impactos da humanidade no mundo, mas todas as motivações são apresentadas sem sutilezas e excessos de explicações enquanto o filme começa a correr para sua conclusão. Aqui, a produção abandona de vez sua escala menor e abraça um final hollywoodiano cheio de ação.

É um tanto irônico que a pior parte de A Última Casa seria essa, considerando que Louis Leterrier é especialista em filmes de ação, com experiência na franquia Velozes & Furiosos, Carga Explosiva e O Incrível Hulk. Inicialmente, o diretor trabalha bem o mistério das criaturas pelo suspense e terror, que funciona melhor na proposta do filme. Mas, infelizmente, quando finalmente vemos sua aparência completa em cenas de batalha, os efeitos visuais não se sustentam e temos sequências confusas e de pouca criatividade visual dentro da casa.

Vale a pena assistir A Última Casa?

Para quem gosta de histórias apocalípticas de suspense e ficção científica, A Última Casa entrega bons momentos de tensão e sobrevivência na primeira metade, carregado principalmente pelas atuações intensas de Wagner Moura e Greta Lee.

Quando deixa seu lado mais contido para se tornar um típico blockbuster de Hollywood, o filme tropeça em suas próprias ambições, com uma parte final corrida e bagunçada. Ele cai na armadilha de deixar tudo mastigado para o público, mas não apresenta uma conclusão satisfatória para essa história.