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    Anne with an E: Crítica da 3ª temporada
    Por Katiúscia Vianna — 9 de jan. de 2020 às 12:08
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    A adorável série encerra sua jornada na Netflix trazendo aquilo que faz de melhor: dar esperança.

    Nota: 4,0/5,0

    Não existem muitas séries como Anne with an E por aí. É um daqueles projetos que conseguem transportar o espectador para outra época, adaptando os livros de Lucy Maud Montgomery, mas ainda trazem um toque moderno para adequá-los ao público atual, seja através de novos personagens ou de temáticas importantes. Em sua terceira temporada, a série de Moira Walley-Beckett expande ainda mais o universo ao redor de sua protagonista, mas não esquece de exaltar aquilo que torna tal trama tão deliciosa.

    Nessa leva de episódios, Anne (Amybeth McNulty, sempre impecável no papel) completa 16 anos de idade e encontra-se determinada a descobrir o que realmente aconteceu com seus pais biológicos. Paralelamente a tal busca, ela precisa lidar com os desafios do último ano da escola, enquanto finamente passa a confrontar seus sentimentos por Gilbert (Lucas Jade Zumann, cheio de charme) — que também tem sua própria jornada emocional de amadurecimento a percorrer. Enquanto o quase casal ainda embarca numa série de encontros e desencontros românticos capazes de agradar os fãs que torcem pelo ship por anos, é a jornada central de Anne que sustenta a temporada.

    É a necessidade de encontrar o passado (no caso, sua família e entender quanto de sua história foi fabricada pela sagaz imaginação) para poder abraçar o futuro (se tornar uma jovem mulher na faculdade, saindo do conforto de Green Gables). Ambas as situações causam dilemas envolvendo Marilia (Geraldine James) e Matthew (R.H. Thomson), mas trata-se de um passo importante para essa família se unir ainda mais, humanizando-os com imperfeições que causam reconhecimento no espectador. Sendo a adolescente que é, Anne toma decisões impulsivas e comete erros, mas em nenhum momento age de má fé, mantendo o apoio do público, ao mesmo tempo que segue como uma voz revolucionária diante de uma época tão conservadora.

    Só a jornada de Anne já seria o suficiente para construir uma série interessante. Mas o grande trunfo de Anne with an E é saber expandir os horizontes de tal universo, assim como o aprendizado da protagonista cresce com a idade. Personagens coadjuvantes também ganham seus próprios arcos, ganhando tempos breves de protagonistas ao longo dos episódios. Seja a busca de Diana (Dalila Bela) por maior independência, ou a convivência com uma comunidade indígena local (com a fofa revelação do talento de Kiawenti:io Tarbell, intérprete da jovem Ka'kwet), ou uma trágica perda sofrida em Avonlea; essas são oportunidades perfeitas para abordar temas mais delicados.

    Preconceito, mortalidade, feminismo, censura e até assédio sexual encontram-se entre os assuntos da temporada. Mas a narrativa os aborda com tamanha naturalidade e leveza, que não se torna algo difícil de acompanhar. Mesmo os capítulos centrados em situações tristes terminam com ganchos de esperança ou deixando claro que a história continua, apesar dos pesares, focando no poder da amizade e da compaixão. Sem falar que tais momentos sérios são dosados dentre sequências de alívio, sejam as frases divertidas de Minnie May (Ryan Kiera Armstrong) ou medo de Ruby (Kyla Matthews) em engravidar por uma dança, por exemplo. Pois a vida é assim: alegrias e tristezas andam lado a lado, e cabe a nós percorrê-las da melhor forma que podemos.

    Ainda é uma alegria viajar para as histórias de Green Gables, mas agora elas têm mais mensagens importantes a dizer, seguindo, com sucesso, um caminho já iniciado em seu segundo ano. Seu único defeito é ter que encerrar a série nessa temporada, fazendo a trama correr com alguns acontecimentos, a fim de deixar uma despedida satisfatória. Para isso, o capítulo final se apressa para deixar quase todas as respostas na tela, caso fosse cancelada — o que realmente aconteceu; então, pelo menos, mostra um cuidado com os fãs. É triste ter que dizer adeus, mas só nos resta agradecer o marco que a série deixou. Essa atitude parece ser algo que Anne faria...

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