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    The Marvelous Mrs. Maisel: Crítica da 3ª temporada
    Por Katiúscia Vianna — 24 de dez. de 2019 às 09:47
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    Quando o visual começa a ser mais elogiado que o roteiro, existe algo errado no mundo da maravilhosa Sra. Maisel.

    Nota: 3,0/5,0

    Existem vários tipos de séries por aí. Algumas são entretenimento puro, outras promovem críticas sobre a sociedade, enquanto ainda existem aquelas que recriam determinada época. Se apoiando bastante nessa última categoria, The Marvelous Mrs. Maisel foi se transformando numa "confort series" Como o nome aponta, ser uma série de conforto, que aquece o coração — com uma viagem nostálgica, design de produção impecável e diálogos rápidos, nesse caso específico. Mas até quando o público deve se contentar em ter simples conforto?

    A terceira temporada da série de Amy Sherman-Palladino acompanha Midge (Rachel Brosnahan) em sua primeira grande turnê, abrindo os shows do famoso cantor Shy Baldwin (Leroy McClain), enquanto Susie (Alex Borstein) ainda aceita o desafio de ser empresária da egocêntrica (e antiga rival) Sophie Lennon (Jane Lynch). Assim, boa parte dos episódios de tal leva coloca a dupla protagonista em divertidas situações em diferentes locais, como Las Vegas e Miami, onde, novamente, o visual da trama segue impecável. Longos takes em dedicados trabalhos de design e figurino transportam o espectador para o início dos anos 60. Mas a discrepância entre o estético e o texto está ficando demais para não ser mencionada.

    Se os diálogos rápidos ainda trazem um toque especial para a narrativa, muitos personagens não encontram evolução em suas jornadas. A própria Midge se apoia em charme por boa parte da temporada, só começando a lidar com problemas "fora de sua caixinha" nos episódios finais. Até sua imaturidade emocional finalmente cobrar um preço alto, vemos a comediante presa em situações de consequências breves, ainda cercada pelo conforto (olha essa palavra de novo) da sua vida na Upper East Side. Um dos poucos momentos de destaque para a moça é justamente sua interação com Lenny Bruce (Luke Kirby, que merece vencer outro Emmy por seu trabalho nessa temporada). Tirando o belo quinto episódio, ela só ganha real importância narrativa no último capítulo — inclusive numa bela, porém demorada, reviravolta.

    Perto do arco da Sra. Maisel, é Susie quem brilha, já que a empresária passa a conhecer um mundo novo com o qual não está acostumada: o sucesso. Se ainda vive em seu minúsculo apartamento, ela começa a aproveitar os luxos da turnê de Shy e almeja voos mais altos com Sophie; ao mesmo tempo que sua queda pode ser ainda maior. E Borstein aproveita esses momentos de forma total, sempre com sarcasmo ácido, entregando frases absurdas de maneira triunfal. A sequência onde sua personagem aprende a nadar é uma das coisas mais hilárias feitas por Sherman-Paladino — o que é dizer muito, considerando que estamos falando da criadora de algo precioso como Gilmore Girls.

    Por falar em Gilmore Girls, aqui fica um desejo claro de construir um universo excêntrico ao redor de Midge, assim como Stars Hollow existia perto de Lorelai (Lauren Graham) e Rory (Alexis Bledel) . Para isso, reforça as figuras inusitadas de sua família e acrescentando arcos para cada um deles. Infelizmente, tal processo também não é bem-sucedido, apesar de tamanha imersão. Abe (Tony Shalhoub) e Rose (Marin Hinkle) enfrentam uma mudança no estilo de vida, precisando morar com os pais de Joel (Michael Zegen): Moishe (Kevin Pollak) e Shirley (Caroline Aaron), numa repetitiva sitcom de gritarias desnecessárias.

    Já a jornada de Joel em abrir sua casa noturna culmina numa subtrama meio estereotipada, salva apenas pelo charme de seu novo interesse amoroso Mei (a ótima Stephanie Hsu). Falando em novidades do elenco, Sterling K. Brown rouba todas as cenas como Reggie, o empresário de Shy, trazendo complexidade pra um personagem que parece simplista a primeira vista, mas embarca numa narrativa de temas importantes, apenas pincelados pela série. Paralelamente, Liza Weil é desperdiçada numa história que não chega a lugar nenhum.

    Resumidamente, The Marvelous Mrs. Maisel se esforça tanto em construir seu próprio universo televisivo, focando em visual e tamanho, mas esquecendo de trazer dimensões mais profundas para seus personagens. Mesmo com episódios de uma hora cada, todas as complexidades são adiadas para o capítulo final, jogando seus personagens em vazias esquetes cômicas até lá. Nessa hora, a trama ousa e mostra que ainda tem coração. Só está escondido debaixo dos muitos vestidos de Midge.

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    Comentários
    • Vida Linda
      ÓTIMA série, não concordo com a crítica pois acredito que eles estão desenvolvendo os personagens com calma, a série começou mostrando o mundo da personagem principal se desmoronando, ou seja, ela perde tudo e sozinha está recomeçando.Fazendo tudo o que ela quer do jeito dela, numa época em que a mulher era completamente dependente de homem e mal vista encima de um palco, à noite e falando de assuntos obscenos (pra época). Essa série é a chance dos criadores de Gilmor Girls acertarem em tudo, pois erraram e MUITO com GG.
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