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    Jack Ryan: Crítica da 2ª temporada
    Por Katiúscia Vianna — 4 de nov. de 2019 às 11:01
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    Episódios inéditos da série de John Krasinski estão disponíveis na Amazon desde 31 de outubro.

    Nota: 2,5/5,0

    Um dos piores defeitos que qualquer série pode carregar é não saber o que é. Não entender qual é seu objetivo e/ou foco. A primeira temporada de Jack Ryan encontrou esse problema, indecisa entre investir numa crítica complexa, no nível dos bons tempos de Homeland, ou num show de explosões e pancadaria a lá Michael Bay. Com o lançamento da segunda temporada, surgem duas notícias. A boa é que a obra criada por por Carlton Cuse (Lost) e Graham Roland (Fringe) sabe exatamente o que deseja ser. A ruim é que optou pelo caminho mais fácil.

    Dessa vez, o Jack Ryan de John Krasinski não é mais o analista ingênuo que conhecemos. Ele recusou a proposta de emprego de James Greer (Wendell Pierce) na Rússia, mas seguiu crescendo em seu trabalho nos Estados Unidos. Mas os caminhos dos dois cruzam novamente na Venezuela, diante da suspeita de que o presidente local, Nicolas Reyes (Jordi Molla), esteja supervisionando algo ilegal que pode se tornar uma grande ameaça internacional. A história ainda traz dois novos rostos importantes: Mike November (Michael Kelly), chefe da CIA na Venezuela, e Harriet (Noomi Rapace), mulher misteriosa que tem sua própria missão.

    Pelo lado positivo, o capricho técnico segue impressionante, investindo pesado em grandes cenas de ação. Substituindo emoção por ambição, a segunda temporada tenta construir um thriller político, sem pressa para apresentar diversas peças de seu quebra-cabeça. Mas, no fim das contas, se assume mesmo como uma série de entretenimento, construindo uma narrativa de clichês, reviravoltas explosivas (literalmente) e forte patriotismo norte-americano. Para os fãs do gênero, isso não será um problema, mas é impossível não lamentar como isso representa uma oportunidade perdida.

    O projeto da Amazon não tenta trazer uma visão realista da América do Sul, preferindo usar estereótipos que ajudem a vender a trama que desejam. Mesmo que a maior parte da temporada seja ambientada na Venezuela, pouco conhecemos do local, que se torna apenas cenário para mais uma disputa de interesses entre pessoas poderosas e companhias internacionais. Perde assim uma chance de dialogar com a realidade atual. A primeira temporada ainda carregava um teor de emoção nas motivações de cada personagem, enquanto aqui isso é apenas salpicado em decisões iniciais de Jack e Harriet, se tornando uma aventura mais fria do personagem de Tom Clancy. Basta perceber como a ausência de Cathy Mueller (Abbie Cornish) nem é citada, apesar de ter sido o principal interesse amoroso do protagonista até então.

    Ao mesmo tempo, é interessante ver que a série investe num aspecto mais ambicioso, separando tempo e espaço para subtramas bem diferentes, mesmo que nem todas funcionem, com um elenco que faz o melhor que pode diante de um roteiro simplista. Se Cristina Umaña (Narcos) rouba a cena como Gloria Benalde, a oposição de Reyes, numa jornada empoderada e humana; Jovan Adepo (Sorry For Your Loss) fica preso num arco O Resgate do Soldado Ryan na floresta que se prolonga por tempo demais. Até Noomi Rapace é desperdiçada numa personagem que começa interessante, mas muda de motivações de acordo com as necessidades do roteiro, e some por parte significativa da história. Outra participação pouco aproveitada é de William Jackson Harper (The Good Place), praticamente um figurante de luxo.

    Um dos trunfos da série continua sendo John Krasinski, bem mais confortável no papel de um Jack Ryan confiante. É a empatia de seu protagonista que conquista a torcida do público por um personagem que, cada vez mais, caminha na linha tênue entre o certo e o errado — vide os constantes embates com o assassino Max Schenkel (Tom Wlaschiha, um destaque do elenco). Chega a ser inútil dar alguma ordem para o moço, já que é previsível saber que ele não irá segui-la, o que ajuda a construir uma dinâmica bem bacana entre os papéis de Pierce e Kelly, sempre competentes.

    Ainda carregando características de thriller político, Jack Ryan abraçou o espetáculo para construir uma grande série de ação. Se ignora tamanho potencial de ser algo diferente e sagaz na cultura atual, pelo menos encontrou o que realmente deseja ser. Então, quem voltar para a terceira temporada sabe exatamente o que vem por aí: mais do mesmo.

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    Comentários
    • Alexandre A
      A série é boa, ação e diversão garantida.Não devemos nos basear em críticas negativas...
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