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    The Umbrella Academy: Crítica da 1ª temporada
    Por Laysa Zanetti — 18/02/2019 às 20:04
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    Os insanos "heróis" criados por Gerard Way ganham vida em uma adaptação divertida, mas imperfeita.

    Nota: 3,0 / 5,0

    Jovens e adultos desajustados, um desejo de fazer a diferença e uma linha tênue que separa o que é bom do que é ruim costumam ser naturais pontos de origem para histórias de heróis. Não seria diferente com The Umbrella Academy: uma receita que dá certo não precisa ser colocada à prova, por mais que se repita. Ainda assim, a nova adaptação da Netflix consegue trazer um frescor muito bem-vindo para o gênero — quando consegue se desligar da preocupação e abraçar seu lado mais insano.

    Adaptada da história escrita por Gerard Way e desenhada por Gabriel Bá, The Umbrella Academy tem início quando 43 mulheres ao redor do mundo dão à luz ao mesmo tempo, sem terem apresentado qualquer sinal de que estavam grávidas até então. Um excêntrico milionário, Reginald Hargreeves (Colm Feore), decide adotar sete destas crianças especiais, cada uma dotada de um poder, e assim está formada a Umbrella Academy.

    Anos depois, já adultos e cada um cuidando da sua vida, os filhos — cada um inicialmente batizado apenas com um número — retornam à mansão onde foram criados para o funeral do pai, que morreu misteriosamente. Ou, pelo menos, os que restaram: Luther, o Número Um (Tom Hopper); Diego, o Número Dois (David Castañeda); Allison, Número Três (Emmy Raver-Lampman); Klaus, Número Quatro (Robert Sheehan) e Vanya, Número Sete (Ellen Page). Número Cinco (Aidan Gallagher), que havia desaparecido na infância graças à sua capacidade de se locomover através do tempo, retorna do futuro como um homem de 58 anos preso no corpo de um jovem de 13, com uma mensagem e uma missão: o mundo vai acabar e eles têm oito dias para impedir o apocalipse.

    Netflix/Divulgação

    A série faz um remix das duas primeiras minisséries da HQ vencedora do Prêmio Eisner, “Suíte do Apocalipse” e “Dallas”. Por isso, ao mesmo tempo em que precisam descobrir o que causa o fim do mundo — e como revertê-lo —, os irmãos são desafiados pela presença assassina de Hazel (Cameron Britton) e Cha Cha (Mary J. Blige), que vêm a Terra na tentativa de capturar e eliminar Cinco, que fugiu de seu trabalho para voltar e avisar sobre o iminente fim.

    A primeira coisa que chama a atenção em The Umbrella Academy, do ponto de vista positivo, é o visual inegavelmente deslumbrante. Há traços evidentes que se inspiram nos anos 1920 ou 30, sobretudo na arquitetura. A contraposição de luz baixa com cenários espaçosos na mansão Hargreeves transmite a ideia de um lugar pouco vivido, apesar de ter sido a casa de sete crianças. O pouco uso de cores, justificado pelo clima enlutado pela morte de Reginald, serve para deixar mais evidente que o passado foi traumatizante. Nada disso é exatamente inédito, mas para aqueles que conhecem os quadrinhos, o reconhecimento é imediato. A inspiração nos traços de Bá é clara, desde a concepção dos cenários ao vestuário e à postura dos Hargreeves.

    Quanto à história, ela vai se distanciando aos poucos dos pontos fixos dos quadrinhos. As pequenas alterações que são feitas no início geram outras ao longo da temporada, no velho fenômeno do efeito borboleta. No entanto, grande parte das modificações soam mais como complementos do que como rupturas: enquanto o motivo da morte de Reginald não tem tanta atenção nos quadrinhos, aqui é investigado; a relação de Diego com a mãe é um ponto hiper sensível e tocante. A ideia de uma expansão demonstra entendimento e apreço pelo material de origem.

    No entanto, a série ganha vida com dois aspectos: o primeiro são dois personagens extremamente bem caracterizados. Aidan Gallagher é incrível como Número Cinco, é sarcástico e te faz realmente acreditar que naquele corpo habita um cinquentenário. Já Robert Sheehan, ainda que tenha uma atuação por vezes demasiadamente afetada, é de longe o que mais causa empatia. Apostar na dupla formada por Klaus e Cinco é uma vitória certa.

    Netflix/Divulgação
    Hazel e Cha Cha

    O segundo ponto são as sequências insanamente divertidas. Da cena de luta na Griddy’s Doughnuts embalada por “Istambul (Not Constantinople)” à dança de Luther e Allison — uma das poucas passagens em que o grandalhão não é a pessoa mais irritante da existência, diga-se de passagem — , The Umbrella Academy consegue em seus melhores momentos ser alucinada e nonsense, a pura representação do ritmo veloz e libertário dos quadrinhos. Nas suas grandes passagens, a série assume de coração aberto que não precisa ser necessariamente calcada na realidade ou justificar os seus atos para que seja divertida ou original. Aliás, a ideia é justamente o contrário: quanto mais ela mescla elementos e quanto mais deixa os exageros tomarem conta, melhor fica.

    Mas apesar da embalagem lustrosa e da apresentação divertida, os bons momentos não são suficientes para disfarçar o maior problema de The Umbrella Academy: a síndrome de dez episódios que tentam ser um filme de dez horas.

    É natural que a série precise alongar e modificar certos arcos tendo em vista que não apenas a história mescla duas HQs como ambas são extremamente velozes. Mas quanto mais ela destrincha e esmiúça o arco narrativo do apocalipse, mais deixa de lado a premissa de que cada episódio precisa funcionar e ter um início, meio e fim. Em sua preocupação exagerada em conduzir o espectador até o fim, não aproveita ótimos ganchos para histórias potencialmente deliciosas. Ela passa rapidamente por coisas incríveis, como Klaus no Vietnã e a própria rotina solitária de Cinco. Enquanto isso, Ellen Page passa 80% da temporada completamente desperdiçada, uma personagem tão obviamente sem vida que fica muito claro que ela será de grande importância no fim da história.

    Netflix/Divulgação

    The Umbrella Academy teria muito mais gás se tivesse três ou quatro episódios a menos, e se desenvolvesse o arco de evolutivo de Vanya com menos obviedade. Nos momentos que é incrível, é fantástica. Mas nessa insistência dos 10 episódios, acaba se repetindo demais e explicando coisas que seriam mais divertidas se Cinco não precisasse detalhar duas ou três vezes o porquê de acontecerem. É como se o roteiro adaptado por Jeremy Slater (O Exorcista, Quarteto Fantástico) se esquecesse da diversão, porque quando se preocupa demais com o romance entre Allison e Luther, por exemplo, ou em tentar convencer o público que Leonard (John Magaro) não é o vilão (ainda que seja óbvio que suas intenções não são das melhores), torna-se apenas um programa genérico no mesmo descompasso problemático das séries de heróis da Marvel/Netflix, agora todas canceladas.

    Com tudo isso, é importante destacar que os episódios finais de The Umbrella Academy acabam sendo recompensadores, pois recobram o ritmo e fazem a jornada valer a pena — no entanto, fazem o público desejar que tivessem chegado com um pouco de antecedência. É um drama familiar embalado em uma história deliberadamente confusa de heróis, cujos personagens são (em sua maioria) extremamente bem construídos. Cada um mostra a que veio e, quando a série lembra que escalou Ellen Page, sai do chão. O que faltou foi mergulhar mais de cabeça no mundo anacrônico em que existe e se divertir no caminho.   

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    Comentários
    • Giovanna
      Eu acho bastante cômico ler críticas como essas. É verdade o que dizem, toda crítica é uma autobiografia. Concordo com vários pontos que você enumerou, em outros, nem tanto. É preciso ter em mente a que público esse formato de série busca alcançar. A geração dos 30 para cima (que imagino que seja seu caso), de fato, não está acostumada a consumir conteúdo dessa maneira, nessa velocidade (e diga-se de passagem, sem aprofundamento). Enquanto a galerinha da geração Millenium passa horas maratonando netflix e as tão enfadonhas 10 horas, como você aponta, passam voando. É uma geração que está acostumada a consumir conteúdo numa velocidade imensa, passeando rapidamente entre uma informação e outra. Eu mesma, devo dizer, assisti os 9 episódios em um dia só. Para mim, não se aprofundar em algumas questões (como a do Vietnã) é essencial para compor o clima de má comunicação, de experiências secretas, que distanciam essas personagens do que de fato seria considerado uma família, como se cada personagem estivesse isolado no seu próprio passado, nas suas experiências traumáticas, tornando impossível o alcance do outro, mesmo que esse outro esteja ali, na sua frente. Para mim isso se relaciona bastante com a forma com a qual as famílias são estruturadas hoje em dia, incluindo o distanciamento e a falta de comunicação, até a vida secreta ou presente isolado dessas pessoas nas redes sociais. Mas é, eu sou da geração Millenium, e como eu já disse aanteriormente toda crítica é uma autobiografia ahahahaha.
    • andre
      A personagem não tem muitas expressões mesmo, me disseram que isso vem dos quadrinhos.
    • Gεnos FunkO
      Os melhores personagens: Kalus e o número 5.Os piores: Luther, Ellen Page e o cara que tá afim da Ellen Page.
    • Douglas fcc
      Nada é perfeito,Não existe série perfeita nem GOT é perfeita tem seus furos.Mas existem séries boas que valem a pena essa é uma delas,potencial para virar carro chefe da Netflix....OBS:saudades de My Chemical Romance.
    • Goethe ...
      Série excelente, pontos altos sem dúvida são Cinco e Klaus, pontos baixos são os chorões Luther e Allison, pelo menos escolheram um ator bonito pra interpretar Luther, enquanto Allison nem isso, a atriz parece uma tiazona, não convence como superstar, a cena de dança deles no entanto, foi excelente.Mesmo com alguns problemas, tipo o obviedade de Leonard e Vanya, o Luther ser meio chorão demais e um miscast da Allison, achei a série muito divertidade e curti eles terem fugido daquele padrão em que no final todo mundo é bonzinho, me deixou entretido nos 10 episódios, que felizmente foram todos lançados juntos, se tivessem sido lançado separados, 1 por semana, talves não tivesse curtido tanto.
    • Joyce S.
      Série incrível. Começa meio morna, mas, conforme vai desenvolvendo os personagens, as coisas só melhoram. Cinco e Klaus estão realmente impecáveis e a trilha sonora é um show a parte! Preciso da segunda temporada pra ontem! Rs'
    • Skine
      Série maravilhosa. Eles desenvolvem muito bem todos os seus personagens, aproveitando muito bem as habilidades e a personalidade excêntrica de cada um para criar cenas memoráveis no desenvolvimento pessoal. E ainda assim consegue explorar muito bem a relação entre eles, e mesmo diante de todos os absurdos, explorar temas pesados e emocionar o espectador. Com uma estética incrível que dá identidade a série e bons efeitos especiais, as cenas de ação são muito boas e sempre acompanhadas de excelentes escolhas musicais. O roteiro é bom (tem um aspecto ou outro em que fica devendo), mas no geral consegue criar ótimos recursos narrativos (como o do episódio 6) e desenvolver muito bem os personagens (que na verdade é o grande foco da série) e consegue fazer isso muito bem com a ajuda do bom trabalho do elenco, e o grande destaque é Aidan Gallagher, prometeram que ele teria uma grande atuação, e realmente teve, ele é promissor. O primeiro episódio é meio morno, mas só vai melhorando. Gostei de como terminaram sem clichê, fiéis ao que estavam desenvolvendo e abrindo possibilidades interessantes. Até com os coadjuvantes, o final me sastifez. Eu já esperava um cliffhanger sacana então não me decepcionei. No fim a Netflix entregou uma série de herói original e com personalidade, muito superior a quase todas as séries que Marvel ou DC já tenham feito.
    • criança cinéfila canal
      concordo plenamente
    • Pedro Sánches
      Há de convir que a atuação do Numero 5 com todo seu sarcasmo num corpo de 13 anos é o ponto alto da série. Realmente poderiam explorar mais a viagem de Klaus no Vietnã, mas acredito que isso possa ser visto na segunda temporada. Não sei se é por conta da personagem ou dela fazer o mesmo papel em quase todos os filmes, mas a Ellen Page não tá muito legal. Há tempos não curtia uma série da Netflix tão bacana quanto essa.
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