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    Simonal: "Ele não existiu mais como artista porque foi vítima de fake news e racismo", diz Fabrício Boliveira sobre o músico
    Por Fernanda Pineda — 8 de ago. de 2019 às 10:00
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    Intérprete de Wilson Simonal na ficção, Boliveira conversou com o AdoroCinema ao lado de Ísis Valverde, que interpreta a fiel parceira do cantor, Tereza.

    Simonal chega aos cinemas brasileiros nesta quinta (8) e, ao contrário dos documentários que revisitam os mistérios envolvendo o declínio da carreira de Wilson Simonal, neste filme o diretor Leonardo Domingues buscava um outro foco além da música. "Queria mostrar esse lado por trás da fama, esse homem em casa", explicou ele.

    Em entrevista ao AdoroCinema, Fabrício Boliveira falou sobre o desafio de interpretar o cantor e também sobre a decisão de dublar: "Não dá para competir com a expertise do Simonal. Ele é um grande cantor, um cantor insubistituível. O que eu queria, principalmente nos números musicais, era que as pessoas acreditassem naquele número sendo feito ali. Então eu fiz bastante aula de canto e eu cantava de verdade, só que, no filme, a voz é do Simonal". Quem sabe algum dia veremos um making of com esses momentos, não é mesmo?

    Ísis Valverde interpreta Tereza, esposa do músico que teve papel fundamental para manter a estrutura familiar e dar apoio ao músico, mesmo nos momentos mais difíceis. "Coube a mim, dentro desse clichê, fazer com que ela tenha mais veracidade. Eu não sou uma imitadora, não vou imitar a Tereza. Então comecei a trazer coisas que eu tenho também da minha vida como mulher, para que ela tivesse sentido, não apenas fosse uma figura feminina ali do lado do homem, ao lado do 'grande homem'", explicou.

    Além de terem colaborado com a pesquisa, os filhos do cantor na vida real, Wilson Simoninha e Max de Castro, assumem a seleção da trilha sonora e seguem com o objetivo de recuperar a música e a memória do pai. "Eu vivi uma coisa muito pior do que está sendo retratada no filme. Eu lembro quando eu lancei meu primeiro disco, que a Folha de S. Paulo teve que explicar quem foi Wilson Simonal. Eles teriam que explicar se fosse o filho do Roberto Carlos?", comentou Max. 

    Em Simonal, cenas imaginam como pode ter sido a intimidade do cantor após as acusações de ter colaborado com o regime militar, além de muitas pistas deixadas para reflexão. Sobre o caso, Boliveira tem sua opinião: "A história dele tangencia a história do Brasil. Esse cara ficou um mistério no inconsciente das pessoas, a gente não sabe o que aconteceu com ele de verdade. O que a gente sabe é que ele não existiu mais como artista porque foi vítima de fake news e racismo". 


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    O diretor Leonardo Domingues comenta sobre seu desejo de criar um grande universo compartilhado com os artistas da MPB.

    Com o filme trazendo à tona personalidades da MPB já retratadas em outras cinebiografias, como Elis Regina e Erasmo Carlos, o diretor Leonardo Domingues chegou a revisitar sua ideia de desenvolver um grande universo cinematográfico da música brasileira. Antes do casting de Simonal estar definido, ele chegou a cogitar convocar os mesmos atores: "Pensei em chamar a Andréia Horta para reviver Elis, Chay Suede de novo para fazer Erasmo... Mas em algum momento desvencilhei desta ideia e pensei: 'acho que tenho que criar esse filme, essa unidade, mostrar esses personagens'", concluiu.

    A ideia de um "Vingadores da MPB", no entanto, empolgou a dupla de protagonistas: "Seria bom juntar os personagens desse período, fazer um show. Dá para fazer um filme sobre isso, esss encontros", se animou Fabrício. O ator ainda aproveitou para dar um novo papel para a colega Ísis e sugeriu aos risos que ela assumisse o papel de Wanderléa. E aí, quem assistiria? 

    Simonal estreia dia 8 de agosto nos cinemas. 

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