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    Mostra de Tiradentes 2019: "Um país sem arte é um país morto", diz Grace Passô, atriz homenageada no festival
    Por Renato Furtado — 19/01/2019 às 15:30
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    Evento mineiro dá o pontapé inicial ao calendário cinematográfico nacional com cerimônia de abertura recheada de performances e muitos protestos políticos.

    Leo Lara / Universo Produção

    A enorme tenda tradicionalmente erguida no meio do centro histórico de Tiradentes não foi grande o suficiente para abarcar a efervescente e acentuada abertura da 22ª edição da Mostra de Tiradentes (ontem, dia 18) marcada por performances e discursos que também fizeram as vezes de protestos políticos. E na noite em que o brilho maior foi emitido pela estelar Grace Passô — a atriz, dramaturga e cineasta é a grande homenageada do ciclo 2019 do festival —, as palavras foram suas coadjuvantes de luxo.

    Abrindo alas para uma sequência de fortes manifestações artísticas, a emocionada coordenadora da Mostra, Raquel Hallak, proferiu um discurso que ressaltou as duas principais bases desta edição: a reafirmação das identidades das minorias através da livre expressão corporal; e a defesa da cultura. Na cidade mineira, a arte foi elevada ao patamar de "alimento da alma e de toda uma nação", nas palavras da comandante-geral do evento, uma ideia ampliada pelas canções e leituras de poemas que se seguiram.

    Leo Lara/Universo Produção
    "Insubmissa", cantada pela violinista Nath Rodrigues.

    Após críticas à extinção do Ministério da Cultura — a pasta agora tem status de Secretria Especial e integra o Ministério da Cidadania, resultado da reformulação ministerial empreendida pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), em seus primeiros dias de governo — durante as apresentações, as tensões em Tiradentes escalaram. Vaiado pelo público presente assim que começou a discursar, o representante da Secretaria de Cultura do Governo de Minas Gerais precisou medir forças com a voz dos espectadores.

    A Cine-Tenda logo irrompeu em gritos de ordem contrários ao mandatário-geral brasileiro e ao atual governador de Minas, Romeu Zema (NOVO); por outro lado, também foram ouvidas manifestações favoráveis ao ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT), preso desde abril de 2018. Quintino Vargas, coordenador adjunto do evento, buscou apaziguar os ânimos, mas sua tentativa de situar a Mostra — evento de teor político por natureza —, em uma esfera neutra foi em vão; ele também foi vaiado.

    Jackson Romanelli/Universo Produção
    Grace Passô é aplaudida de pé pelo público na Cine-Tenda.

    Mas todo o acirramento de emoções ficou para trás no momento em que a mineira Grace Passô foi chamada ao principal palco da Mostra de Tiradentes. Acompanhada pela mãe, Valdete Lino Paes Souza, a premiada atriz recebeu o Troféu Barroco, grande honraria do festival mineiro, pelo conjunto de sua curta, porém muito intensa obra nas telonas. Egressa do teatro, a dramaturga e cineasta foi ovacionada de pé pelo público e proferiu uma exposição impactante, igualmente centrada nas fundações da Mostra.

    Declarando a proteção do corpo — de todos os corpos, independentemente de credo, etnia ou orientação sexual — como tarefa maior da política, Passô finalizou seu agradecimento pegando emprestadas as palavras de sua mãe: “Um país sem arte é um país morto”. A julgar pelos aplausos dos espectadores, seria impossível encerrar a exposição com mais potente e reverenciada afirmação, ainda mais porque a sentença ainda operou como prólogo de luxo para a pré-estreia nacional de Vaga Carne.

    Leo Lara/Universo Produção
    Exibição de Vaga Carne.

    Média-metragem que registra a peça homônima da atriz, o filme traduz a experimental estrutura narrativa do aclamado monólogo, vencedor de inúmeros troféus Brasil afora, incluindo o prestigiado prêmio Shell, para as telas. Passô e seu codiretor, Ricardo Alves Jr. (Elon Não Acredita na Morte), ampliam a potência crua do texto e por meio de jogos de luzes e sombras e de um hábil desenho de som, Vaga Carne enfim concretiza, de uma vez por todas, a passagem, a jornada feita por Passô dos palcos para as telonas.

    Interessante recriação fílmica de um roteiro de teatro e, acima de tudo, importante documentação e preservação para a posteridade de uma obra teatral fortíssima, o média faz a atriz retomar o papel anônimo que escreveu para si mesma, o de uma entidade aparentemente extraterrena que tem a capacidade de invadir qualquer coisa, de cadeiras a corpos humanos. É, de fato, uma investigação sobre a condição humana — sobretudo feminina e negra no Brasil — a partir de uma perspectiva estrangeira, porém interior.

    Leo Lara / Universo Produção

    Remetendo ocasionalmente, em sua estética e em sua proposta, ao Sob a Pele de Jonathan Glazer, Vaga Carne não só é uma plataforma perfeita para exibir a enormidade do talento de Passô, que comanda o olhar do público através de suas palavras, de seus gestos e de seus olhares, como também coroa o nascimento de uma estrela. Uma estrela que, como as atrizes de outrora de Hollywood, brilha incandescente, mas também uma estrela que inova, desbrava, triunfa e rompe por ser negra e brasileira.

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