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    Entrevista exclusiva: "Macbeth pode ser comparado a Game of Thrones pela brutalidade demonstrada"
    Por Francisco Russo — 26 de dez. de 2015 às 10:01
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    Conversamos com o diretor Justin Kurzel sobre a nova versão de Macbeth, já em cartaz nos cinemas brasileiros.

    Macbeth, clássico absoluto escrito por William Shakespeare, está de volta às telas de cinema com nova roupagem. Com fotografia e maquiagem caprichadas e um elenco afinado, capitaneado por Michael Fassbender e Marion Cotillard, o longa-metragem foi aprovado pelo AdoroCinema.

    Tivemos a oportunidade de conversar com o diretor sobre as novidades trazidas neste seu segundo longa-metragem (o anterior foi o pouco visto Snowtown). No bate-papo, ele falou sobre a escolha da atriz principal, como Macbeth se assemelha a um faroste ganhador do Oscar de melhor filme e ainda deu uma palinha sobre seu próximo projeto, a aventura Assassin's Creed. Confira!


    MACBETH COMO FAROESTE

    "Algo que percebi ao ler o roteiro é que ele era no formato de um faroeste"
    , surpreendeu o diretor logo no início da entrevista. "A ambientação nos faz entender que aquele é um mundo de guerreiros e, de certa forma, o filme tem muito a ver com o cinema feito na Austrália, onde a história costuma ter uma relação muito próxima com a paisagem que a cerca, sempre tão vasta e épica. A Escócia é apresentada da mesma forma, o que nos faz perceber o quão pequeno se é diante daquilo tudo. Creio que o público poderá entendê-lo como um faroeste nos moldes de Os Imperdoáveis."


    COMO SE ENVOLVEU NO PROJETO?

    "Estava envolvido com outro filme e então eu e Michael [Fassbender] conversamos sobre fazer algo juntos, uns dois anos antes. A gente se encontrou em Londres e surgiu a possibilidade de fazermos uma adaptação de Macbeth. Michael topou a ideia e então começamos a definir como seria o personagem."


    O NOVO MACBETH

    "Era excitante a ideia de apresentar Macbeth como uma espécie de guerreiro que sofria um stress pós-trauma resultante da brutalidade existente", disse o diretor, empolgado. "Michael criou um mundo interior para ele, onde não parecesse histérico e ficasse cada vez mais próximo do mal. Conversamos muito sobre a escuridão que o envolvia e como ele era atraído por ela."


    A ESCOLHA POR MARION

    Inicialmente, a atriz mais cotada para interpretar a emblemática Lady Macbeth era Natalie Portman. A escolha por Marion Cotillard teve participação do próprio diretor, que explicou o porquê da escolha. "Marion é uma das atrizes mais surpreendentes da atualidade, pela humanidade que transmite em seus personagens. Queria que Lady Macbeth causasse empatia junto ao público e para isso precisava de uma atriz com carisma. Fiquei extremamente empolgado quando ela aceitou o papel."


    FOTOGRAFIA

    Um dos destaques de Macbeth é a fotografia de Adam Arkapaw, especialmente nas cenas de guerra. Questionado se ela fora influenciada por algum filme ou série, Justin disse: "Para ser honesto, muito do que é visto em cena veio do ponto de vista do nosso diretor de fotografia, como a imagem das bruxas e as próprias batalhas. Foi ele quem trouxe a proposta dos movimentos mais lentos e de tornar a história mais visceral, conectando-a melhor com a própria guerra."


    COMPARAÇÕES?

    Em parte pela maquiagem usada por Michael Fassbender, Macbeth traz semelhanças com as cenas de batalha de Coração Valente. O diretor não citou o filme dirigido por Mel Gibson, mas comparou a história com outro ícone da cultura pop. "Macbeth é uma história clássica, que pode até mesmo ser comparada com Game of Thrones pela brutalidade demonstrada."

    Justin ainda disse que não quis se basear em nenhuma outra versão de Macbeth já feita para as telonas. "Eu decidi não ver as versões anteriores, para não influenciar minha cabeça."


    FATOR SHAKESPEARE

    William Shakespeare é um dos autores mais reverenciados na história, graças a peças teatrais do porte de Romeu e Julieta, Hamlet, A Megera Domada e, é claro, Macbeth. Questionado se o peso do autor o afetou, Justin Kurzel respondeu: "O projeto me assustou, pois não sabia se tinha a bagagem necessária para assumi-lo. Não é por ser situado no passado ou pelo tamanho da produção, mas por todos terem lido a história no colégio e terem uma relação pessoal com ele."

    Questionado se dirigiria mais uma adaptação de Shakespeare no futuro, o diretor foi enfático: "Acredito que não. Tudo está neste filme, procurei dar o meu melhor. Amo Shakespeare, mas o universo dele é muito particular."


    ASSASSIN'S CREED

    O trio Justin Kurzel, Michael Fassbender e Marion Cotillard estará reunido mais uma vez em Assassin's Creed, adaptação do popular jogo de videogame. O diretor falou sobre o que o atraiu para o projeto, que apenas chegará aos cinemas em 2016. "É um roteiro incrível, que fala sobre ancestralidade. Michael é um dos produtores e o interesse dele nasceu a partir da vontade de fazer algo diferente, assim como em Macbeth. Ele me chamou, gostei do material e da oportunidade de trabalhar novamente com ele. Falamos com Marion, que também gostou do projeto. É incrível estender o relacionamento que tivemos em Macbeth em mais um filme."


     

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