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Exclusivo: "Todo cinema é político", afirma Pablo Larraín, diretor do chocante O Clube
Por Bruno Carmelo — 01/10/2015 às 17:30
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Nós conversamos com o diretor chileno sobre este drama a respeito dos crimes da Igreja Católica.

Berlinale

Já está em cartaz nos cinemas O Clube, filme vencedor do Urso de Prata no festival de Berlim. O drama do diretor Pablo Larraín narra o cotidiano em uma casa à beira-mar, onde moram cinco padres com passados criminosos. A chegada de um novo padre altera o funcionamento deste lugar, revelando os segredos de cada um.

A produção está repleta de imagens memoráveis e cenas marcantes sobre as questões da pedofilia, da agressão contra menores e outros crimes cometidos pela Igreja Católica. O resultado é tão belo quanto perturbador - leia a nossa crítica. Nós conversamos em exclusividade com Larraín, que comentou o curioso método de direção de O Clube, explicando o caráter político desta história e mencionando a ótima fase atual do cinema chileno. Confira:

Você não tinha um roteiro concluído, certo?

Pablo Larraín: Este é um método com o qual eu nunca tinha trabalhado antes. Eu nunca entreguei o roteiro aos atores, nós montávamos as cenas todos os dias, de manhã, por isso os atores não tinham controle da história, nem possuíam muitas informações sobre seus personagens ou sobre o futuro deles. Este método foi interessante, porque eu tinha um elenco muito experiente, com quem já tinha trabalhado antes, em quem tinha muita confiança. Para os atores, era necessário criar um espaço de presença, de abertura ao acaso. Isso cria uma estranheza, porque estas pessoas podem parecer muito frágeis, mas violentas em certos casos.

Enfrentou dificuldades de produção ou financiamento por lidar com um tema tão delicado?

Pablo Larraín: Não, porque este não foi um filme muito caro de produzir. Além disso, o tema tem um caráter ambicioso, e de tom certamente político. Em sociedades como as nossas, sul-americanas e católicas, esta história tem muita relevância, e acaba despertando interesse.

As imagens de O Clube são surpreendentes, claustrofóbicas, em tons de azul. Como chegou a esta estética? 

Pablo Larraín: Foi Sergio Armstrong, o fotógrafo com quem trabalho há anos. Tentamos encontrar um espaço visual que estivesse de acordo com a história que eu estava contando. Acredito que um filme se faz com estrutura dramática, com roteiro, personagens, diálogos, mas também com o tom das imagens. Às vezes isso adquire um peso muito grande. Buscamos uma fotografia que ditasse o tom desse purgatório, essa casa onde nada se vê, mas se fala de tudo, e onde tudo se oculta. É um espaço trabalhoso, pouco definido, como a consciência dos personagens. Isso determina os rumos da história.

Vários elementos são apenas sugeridos na história. Como escolheu o que mostrar, e o que ocultar do espectador? 

Pablo Larraín: Tentamos mostrar imagens que constituam um relato amarrado, de certa maneira que a interpretação final fique por conta do espectador. No final, tudo depende da vivência de cada um. Poderia construir uma imagem muito violenta, que geraria forte reação, mas prefiro criar imagens menos agressivas. Assim, a ideia fica na cabeça do espectador. Nós queríamos respeitar os espectadores, porque são eles que possuem uma imagem mental sobre o tema. Não existe nada mais violento que a mente humana.

Não existem vilões nem mocinhos neste drama. 

Pablo Larraín: É claro que não. Este não é um filme que tenta denunciar, não somos jornalistas, nem queremos fazer juízo de valores. Procuramos trazer imagens que respeitem o espectador, ao mesmo tempo em que tentamos surpreendê-lo, saindo da superfície. Se começarmos a indicar quem está correto e quem está errado, o filme perde interesse.

Acredita que O Clube possa interferir diretamente na questão dos abusos da Igreja? Enxerga seu filme como uma arma política? 

Pablo Larraín: Todo cinema é político. Não creio que seja possível fazer um cinema que deixe de lado o aspecto social. Todo filme mostra um universo que possui um caráter político. Não gostaria de retirar esse aspecto, porque tornaria o filme ingênuo. Quem não tem consciência do aspecto político do cinema produz obras ingênuas. Mesmo no caso das comédias, e dos filmes de gênero. De qualquer maneira, quem mostra uma realidade humana, também mostra uma realidade política.

Qual foi a reação do público chileno ao filme? 

Pablo Larraín: Bom, algumas pessoas ficaram muito comovidas, outras nem tanto. Alguns não gostaram de nada. Este é um filme que abre mais questões do que fecha, que provoca discussões, ao invés de deixar em silêncio. Isso é mais interessante. Fico feliz que tenha sido assim no Chile, e espero que no Brasil também seja assim.

O Chile tem produzido diversas obras premiadas em festivais internacionais, como Gloria, Nostalgia da Luz, A Vida dos Peixes... Como enxerga o momento atual do cinema chileno?

Pablo Larraín: É um momento muito saudável. Existe um cinema diversificado, com vários tipos de filmes. Também me parece que estamos sendo menos condescendentes: ao invés de apenas filmar sem compromisso, começamos a enxergar o ato de filmar como algo que surpreenda. São filmes mais honestos, e por isso, mais universais. Este é um grande momento para o cinema chileno, e estou orgulhoso de fazer parte dele.

Você já concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro com No, e agora representa o Chile novamente com O Clube. Acredita que a experiência passada ajude na nova campanha? 

Pablo Larraín: Acredito que não. O Oscar é sempre muito difícil, principalmente na categoria de melhor filme estrangeiro. É muito competitivo, e os critérios de seleção são difíceis de discernir. Por isso, é sempre uma experiência nova.

 

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