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    Exclusivo - Roteirista de Taxi Driver e Touro Indomável fala sobre o trabalho com Lindsay Lohan em The Canyons
    03/10/2013 às 16:30
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    Paul Schrader foi homenageado no Festival do Rio, falou de seu filme independente e com um astro pornô no elenco, e ainda de projeto novo com Nicolas Cage. Veja como foi esse papo exclusivo com ele!

    por Roberto Cunha

    O cineasta Paul Schrader é velho conhecido dos cinéfilos de carteirinha. Seja pelos filmes que roteirizou e marcaram época, como Taxi Driver e Touro Indomável, ou por projetos que dirigiu, como A Marca da Pantera, Mishima: Uma Vida em Quatro Tempos e Gigolô Americano. No Rio de Janeiro para promover The Canyons e também receber uma homenagem do Festival do Rio, com vários filmes exibidos, Schrader penou um pouco com o calor da cidade, mas bateu um bom papo com a gente. Veja como foi!


    Essa não é a sua primeira vez visitando o Brasil, mas isso já tem bastante tempo, não?
    Sim. Eu estive aqui 20 anos atrás, através do Fabiano Canosa (programador de salas, radicado nos Estados Unidos), um dos curadores do Festival, em 1991.

    Você escreveu o roteiro de boa parte de seus filmes, mas não The Canyons. O que te atraiu neste projeto?
    Bret Ellis (roteirista e autor livro que gerou o cultuado Psicopata Americano) é um amigo, nós iámos fazer um filme juntos e não deu certo. E como eu queria trabalhar com ele, falei: "Com a nova economia do cinema, podemos fazer isso nós mesmos. Você escreve, eu dirijo, vamos pagar por isso, receber algum investimento"... E foi como começamos.

    Mas como foi isso?

    Ele teve uma ideia e nós financiamos com a mídia social (crowdfunding), fizemos escalação de elenco, promovemos e distribuímos pela internet.

    E o que achou dessa experiência do crowdfunding?

    Foi um ano muito interessante, porque eu queria ver se era possível e se dava pra fazer. E eu consegui, o filme fez dinheiro, mas é também muito cansativo. É dá muito mais trabalho do que as pessoas pensam.

    O mundo do cinema vive um momento de filmes com orçamentos milionários e você apresenta agora uma produção de baixo orçamento. Qual a sua opinião sobre esta realidade?
    Bem, tudo o que sabemos sobre cinema está mudando. Nos últimos 100 anos, o cinema fez parte de um paradigma capitalista e isso está mudando. Agora, você pode fazer um filme como um quadro, ou uma música, e você pode fazer um filme para ninguém. Antes, tinham pessoas que pagavam para você filmar, agora você pode filmar por contra própria. Então, por um lado nós temos uma explosão de filmes, que não estão sendo realizados para ninguém, e por outro lado nós temos os filmes de grande orçamento, feito para as massas...

    E tem a concorrência da TV, questões com elenco...
    No meio disso, as pessoas estão saindo para as séries de TV americana, com boa carga dramática. E muitos talentos migraram para a televisão. Nós não estamos fazendo filmes assim dramáticos. Então, é um momento ruim para o cinema, se você apenas se refere aos filmes exibidos nos cinemas. Mas eu também acredito que estamos numa outra era pós-cinema tradicional, onde o cinema que estamos acostumados é apenas uma de muitas plataformas de exibição. Então você não depende somente das salas para chegar no espectador.

    Durante a projeção nós podemos ver uma série de imagens relacionadas a decadência dos cinemas, como as salas de rua. Isso estava no roteiro ou é alguma coisa sua?

    Não estava. Eu coloquei isso porque sabia que o filme seria distribuído por VOD (vídeo sob demanda) e muita gente (do meio) assume que você faz isso pela dificuldade de chegar aos cinemas. E eu queria deixar claro que esse era o plano desde o início. Então, colocamos essas cenas de cinemas fechados para que as pessoas soubessem que é por isso que não estamos exibindo nos cinemas, os cinemas estão fechados! (risos)

    Você falou que a produção teve bastante influências da mídias sociais e que parte do elenco, inclusive, veio através de ações nesse "mundo". O protagonista James Deen também?
    Não. James veio pelo próprio Brett. Quando ele estava escrevendo o roteiro, ele tuitou que tinha um personagem livremente inspirado no ator pornô James Deen. E Deen respondeu que não poderia esperar a hora para ler o roteiro. Foi como o encontramos.

    E como foi trabalhar com um astro (mais de mil filmes) da indústria pornô?

    Brett disse que pensava mesmo nele para esse personagem e eu pensei que era uma piada. Sabe, eu não imaginei escalar alguém da indústria pornô, que tem muitos atores ruins. E nós escalamos James e ele é realmente bom. E ao pensar mais nisso, eu concordei com Brett, que esse era o cara sobre quem ele tinha escrito.

    E como foi trabalhar com Linday Lohan? É verdade que você tinha mesmo uma atriz pronta para substituir ela a qualquer momento?
    Sim. Lindsay veio através de um amigo, o seu empresário ofereceu um papel pequeno, mas ela queria o papel principal. Mas fizemos um testes de elenco pela internet e, claro, que eu sabia que era um risco trabalhar com ela. Mas iríamos fazer o filme sem segurança mesmo... Não precisamos de seguro, é nosso próprio dinheiro. E eu disse "Se você não pode arriscar com o seu próprio dinheiro, quando poderá?". Então, nós arriscamos.

    Os dois protagonistas (Lindsay Lohan e James Deen) entraram no filme como coprodutores. Eles tiveram alguma interferência no seu trabalho?
    Não. Era somente uma coisa mais do lado financeiro mesmo. Nós só pagávamos U$ 100 por dia para Lindsay, mas ela ganhou US$ 250 mil em direitos, que ela já recebeu. E esse dinheiro ela ganhou por seu título de coprodutora, é assim que funciona.

    E como foi trabalhar dirigindo um diretor, no caso Gus Van Sant?
    (rindo) Ele é amigo de alguns produtores. Quando você faz um filme do nada, você tem que ligar para os seus amigos. E eu liguei para muitas pessoas... Eu perguntei "Você sabe alguém que faria uma participação" e ele falou "Eu deveria fazer". Então, foi assim que aconteceu.

    Você poderia falar algo sobre seus próximos filmes, como The Jesuit...
    Ele está pronto, mas eu ainda não vi. Não sei nada sobre ele. Eu ia fazê-lo, mas foi feito por outros, então não posso comentar. Mas eu tenho um projeto novo, algo que eu escrevi, que começo a rodar em janeiro de 2014, com Nicolas Cage.

    Nossos leitores curtem Cage. Diga para os leitores do AdoroCinema o nome desse filme?
    Sim. The Dying of the Light.

    The Dying of the Light
    foi escrito pelo cineasta e, segundo ele, faz referência a um poema de Dylan Thomas. O longa é um drama com toques de suspense e seria dirigido por Nicolas Winding Refn. A história conta sobre um agente da CIA, que começa a perder a visão durante uma importante missão. O personagem seria interpretado por Harrison Ford, mas o astro pulou fora no meio do caminho para a entrada de Cage, que deve contracenar com Channing Tatum.

    É isso, pessoal! Assistam o trailer abaixo, fiquem ligados no seu AdoroCinema e vejam as dicas do Festival do Rio! ;)


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