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    Rosa e Momo
    Críticas AdoroCinema
    4,0
    Muito bom
    Rosa e Momo

    Encontro de gerações

    por Vitória Pratini
    O retorno de Sophia Loren às telas, após uma ausência de dez anos do circuito comercial, foi em grande estilo. A atriz vencedora do Oscar por seu papel de estreia em Duas Mulheres — a primeira a receber o prêmio por um filme de língua estrangeira — agora com 86 anos de idade, estrela Rosa e Momo na Netflix. Desta vez ao lado de outro iniciante na carreira: o excelente Ibrahima Gueye. E sob a sensível direção de seu filho, Edoardo Ponti (Coming & Going).

    O comovente enredo acompanha Madame Rosa (Loren), uma sobrevivente do Holocausto que vive na Itália. Ela cuida de filhos de trabalhadoras do sexo, profissão que também já chamou de sua. Um amigo pede que ela aceite o jovem Momo (Gueye), um senegalês órfão bastante rebelde, e envolvido em tráfico de drogas. Só que, enquanto isso, ela precisa lidar com um impiedoso Alzheimer — momento em que Loren transita muito bem entre a mulher madura e firme e a jovem amedrontada por causa de invasores nazistas.

    A trama é inspirada no livro do premiado Romain Gary, escrito sob o pseudônimo de Émile Ajar. Tal obra já foi adaptada anteriormente para os cinemas em Madame Rosa, sob o olhar do diretor e roteirista Moshé Mizrahi, com Simone Signoret premiada no Oscar pelo papel principal. Nesta nova adaptação, Rosa e Momo vivem na Itália, ao invés da França, e sua jornada parece mais intimista.

    FILME DA NETFLIX TRATA TEMAS SÉRIOS COM DELICADEZA

    Temas como imigração, abandono, guerra, doença e transexualidade são tratadas com leveza e delicadeza pelo roteiro de Ponti e Ugo Chiti. A relação entre Rosa e Momo é um tanto quanto envolvente de se acompanhar. Enquanto no início vemos as faíscas entre eles — com Loren representando bem uma matriarca italiana, enquanto Gueye traz muita personalidade a Momo — logo a produção vai construindo as etapas que levaram à conexão entre eles, e o mistério que o filme apresenta no início. Existe um quê de “provocação” durante todo o filme, que transparece nas emoções de Momo e do jovem Iosif (Iosif Diego Pirvu), por exemplo.



    É curioso que, em momento nenhum, o filme é explícito sobre o fato de que Rosa é sobrevivente do Holocausto. O espectador, é claro, tem as pistas dos números tatuados no braço dela e a menção a Auschwitz. Mas, apesar de saber sobre elas, Momo é jovem demais para entender o que significam, e não chega a importar para que os dois desenvolvam uma relação. Até porque o longa-metragem é do ponto de vista de Momo e tem um enfoque mais ingênuo — mesmo que algumas cenas podem parecer melodramáticas demais.

    Ibrahima Gueye domina as telas como Momo — especialmente as sequências alegres e joviais da bicicleta e da pista de dança. Tanto que há o sentimento geral de que o filme é sobre ele, e Sophia Loren é uma coadjuvante de luxo frente ao espaço que o personagem do rapaz ganha em cena. As duas gerações de atores trabalham de igual para igual, e isso é bonito de ver. Sem contar que é imperdível a cena de Loren dançando ao lado de Abril Zamora, intérprete de Lola.
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