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    Prova de Coragem
    Críticas AdoroCinema
    2,0
    Fraco
    Prova de Coragem

    Tragédia anunciada

    por Bruno Carmelo

    Adri (Mariana Ximenes) quer engravidar, e retira o contraceptivo sem avisar o marido. Ela engravida e, numa situação de risco, faz questão de carregar objetos pesados no trabalho. Após uma hemorragia, não fica em repouso como deveria. Seu marido, Hermano (Armando Babaioff), sabe que a esposa corre riscos, mas decide fazer uma longa viagem para escalar com um amigo, nos meses finais da gravidez. Sua vida também está ameaçada, pela inexperiência e pelas vertigens que sente quando escala, mas ele prossegue com os planos.


    Prova de Coragem prepara o espectador para o fracasso dos personagens. O relacionamento entre o casal está prestes a ruir, seus planos individuais são sabotados por eles mesmos. Eles brigam constantemente. Ela não o quer por perto, mas o convida numa noite sem saber porquê. Ele, ao contrário, quer tê-la por perto, mas vai buscar o afeto de uma amiga de infância (Áurea Maranhão). Desde as primeiras cenas, o drama caminha rumo à destruição física e emocional dos dois.

     

    Os diálogos fazem questão de salientar a eminência da queda: fala-se em catástrofes mortais no topo de uma montanha pouco antes de Hermano escalar, fala-se da morte no parto pouco antes de ela descobrir as dificuldades de sua gestação. Flashbacks constantes revelam que Hermano já enfrentou situações de coragem e covardia no passado, e que seus atos de rebeldia geralmente terminam mal. Ele esconde um segredo, que o próprio roteiro deixa transparecer várias vezes antes da aparição dos fatos.

     

    Com tamanha reincidência, Prova de Coragem retira o prazer do suspense, ou a tensão dos acontecimentos. As reviravoltas são avisadas com antecedência, introduzindo a noção do destino que pesa sobre os personagens. Em conjunção com a estrutura esquemática, o diretor Roberto Gervitz procura uma direção mais eficaz do que criativa: seus planos duram apenas o tempo necessário, as cenas surgem para transmitir uma informação precisa. Não existem momentos de reflexão, de poesia, de silêncio. O filme pula de um conflito ao outro, de um prenúncio à concretização dos fatos. Esta é uma lógica cartesiana de causa e consequência, antes e depois.

     

    Armando Babaioff e Mariana Ximenes demonstram grande entrega ao projeto: ele tem uma atuação contida, com os olhos sempre marejados; ela prefere uma postura combativa e violenta. Assim, completam-se bem. Os embates do casal poderiam ser mais dinâmicos se a direção explorasse as movimentações dos corpos, o espaço da casa, ao invés de observá-los em planos frontais e pouco imersivos. A montagem é igualmente precisa, enquanto a direção de fotografia opta por planos claros e nítidos. Preocupa-se com a assimilação fácil do conteúdo, com a exposição evidente dos conflitos.

     

    Prova de Coragem consegue trazer suas primeiras surpresas rumo à conclusão. Mesmo abruptas, as reviravoltas fogem de alguns lugares comuns típicos dos romances. Mas a direção engessada impede que o humanismo do roteiro flua de modo satisfatório. Falta ousadia a uma trama potencialmente questionadora sobre os deveres éticos do amor e sobre a possibilidade de individualismo dentro de um casal.

     

    Filme visto no 48º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em setembro de 2015.

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    Comentários

    • Ricardo A.
      Que trabalho ruim !!A nota foi até generosa demais.
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