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E Aí... Comeu?
Críticas AdoroCinema
4,0
Muito bom
E Aí... Comeu?

Bom apetite cômico

por Roberto Cunha

Com um título sugestivo para os machos de plantão e fêmeas mais avançadinhas (não podemos esquecer que elas existem) E Aí, Comeu? chega nos cinemas com uma abordagem nua e crua sobre relacionamentos acabados, em crise ou apenas mal resolvidos. O longa foi baseado na peça de Marcelo Rubens Paiva (também roteirista do filme) e coloca você em contato imediato de qualquer grau com o dia a dia de três amigos passando sufoco no campo amoroso. E a conversa entre eles invade sem a menor sutileza o território da grosseria ao mesmo tempo em que planta (com a leveza de uma bigorna) a semente de uma bela homenagem às mulheres. Se você achou estranho, acredite porque é possível e o resultado ficou bom.

Para situar o espectador no ambiente etílico onde irão se desenrolar boa parte das conversas impagáveis entre eles sobre o sexo oposto (sempre elas) e também sobre o concorrente (sempre eles e agora também elas), o cartão de visitas do filme é o som de uma loira (sem duplo sentido) sendo aberta (ainda mais sem duplo sentido), seguido da derrubada do precioso líquido e a vibrante espuma em uma tulipa. Para os que não praticam levantamento de copo e não darão a mínima para essa bossa sem imagem, o clima boteco chega na cena inicial num banheiro masculino, verdadeiro templo da filosofia barata e eterno mural de sentenças impublicáveis. Daí em diante, o roteiro destila um festival de frases hilárias, escrachadas, além de palavrões (adorados pelos jovens) bem posicionados nos diálogos e expressões bem conhecidas do público. É hora de falar de sexo e sem rodeios.

Na história, Fernando (Bruno Mazzeo) sofre com a recente separação, Honório (Marcos Palmeira) cismou que terá a cabeça adornada com um par de chifres e Afonsinho (Emílio Orciollo Netto), coitado, acha que é o maior pegador, mas não passa de um romântico enrustido. Para apimentar o enredo, o primeiro vai ser seduzido por uma vizinha menor de idade, o segundo vai mergulhar de galhada, quer dizer, cabeça na "corno-investigação", enquanto o terceiro, doido para fazer um "surubex", será comparado ao memorável Odair José, autor da clássica "Eu Vou Tirar Você Deste Lugar" sobre o amor por uma prostituta.

Vindo de uma experiência positiva com Muita Calma Nessa Hora (2010), o diretor Felipe Joffily acerta na mão novamente, apresentando uma comédia diferente, que vai funcionar com os jovens, mas seu foco é na turma que já passou dos 30 e também invadiu os 40. Assim, quem procura um Cilada.com, vai achar um humor mais verborrágico do que cênico. Os diálogos não perdoam e zoam desde o estilo de se vestir dos publicitários, passando pelas ruivas, pelo negão e pelo cara que toca violão, que pega mulher pra caramba. Esbanjando no escracho, o papo pode ficar mais pesado para uns (ou umas) do que para outros(as), mas não dá para negar que funciona e diverte. Afinal, um filme que tem uma personagem chamada Ana Paula Tarja Preta é fora do sério e se você insiste em ficar de meia na hora do "vamovê", prepare-se para ser sacaneado, meu chapa.

Entre as muitas citações, espaço para Vinicius, Tom e outros caras, que segundo os protagonistas sabiam da importância da mulher. Para os que curtem uma curiosidade, o sarro com o pessoal da propaganda rendeu ainda uma adolescente e cenas no elevador bastante alusivas ao famoso comercial que eternizou o termo Tio Sukita. E mais, não saia antes dos créditos finais porque Seu Jorge (um dos destaques no filme) dá uma canja com viola nas mãos e bossa nova nos vocais, e tem ainda uma pequena homenagem para Chico Anysio, alguém que soube como ninguém amar as mulheres, tendo casado seis vezes. E aí, curtiu? Então bom apetite!

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