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Bruna Surfistinha

SANTA APELAÇÃO

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Não li o livro "O Doce Veneno do Escorpião" por absoluta falta de interesse em conhecer a vida da prostituta "autora", mas fui assistir depois da estreia e de todo esse blábláblá, o filme baseado na tal obra. O detalhe é que fui cheio de tesão (sem duplo sentido) para ver um longa que me causasse alguma surpresa, principalmente, por causa do que li sobre ele, escrito por alguns críticos de reconhecida sabedoria sobre cinema. E não é que brochei?

Em pouco tempo de projeção na sala escura já estava bem claro para mim a existência de um legítimo soft pornô brasileiro. O gênero que simula o sexo, por sinal, não é novidade e a versão brasileira, a famosa pornochanchada, é a maior prova disso. A gênese está no clássico Emmanuelle (1974), que eternizou a holandesa Sylvia Kristell no papel título e foi bem explorado nos anos 80 pelos americanos em vários longas, muitos deles com Monique Gabrielle, a irresistível Tracey que enlouquecia Tom Hanks e seus amigos no clássico A Última Festa de Solteiro. Lembrou? Pensando nisso, estabeleci uma conexão direta com os dias de hoje, com a ausência deste tipo de filme, ainda mais estrelado por uma atriz egressa da emissora do Jardim Botânico (RJ) e o resultado pareceu óbvio. Se traçarmos um paralelo com a repercussão dos programas de "realidade falsa" da mesma empresa iniciados com a segunda letra do alfabeto, capazes de gerar até celebridades, a coisa só aumenta. Quer dizer, essa sensação de obviedade. Seria essa a explicação para tamanho sucesso? Talvez.

O fato é que a garota de programa tinha muito para dar, como mostrou o filme, mas o que desperta a atenção é que a história não tem conteúdo, transformando as intermináveis quase duas horas de duração em um grande martírio priápico. Tá certo que o binômio sexo / violência sempre fez sucesso no mundo todo, não é uma exclusividade do povo brasileiro, mas foi surpreendente ver que boa parte da crítica, de colunistas e da imprensa ficou de quatro pela produção. Não se trata então de ser contra quem teceu loas ao projeto, até porque foi bem feito, tem boa trilha, edição e a Deborah Secco está boa no papel. O diretor estreante em longas Marcus Baldini mandou bem pilotando Drica Moraes, Fabíula Nascimento e o elenco como um todo. E conseguiu fazer boas cenas. O problema está na repetição ad nauseam delas, fruto de um roteiro pobre, que perdeu a chance de explorar partes que poderiam render algo mais, como o momento confessionário dos clientes coisa e tal.

O que não dá para engolir (sem duplo sentido novamente) é uma protagonista, por exemplo, que já era da pá virada na escola, como diriam algumas mães, apresentar como "grande" conflito a negação de uma viagem com amigas ou um irmão mala sem alça. É demais. Ou melhor, é muito pouco para decidir virar piranha. Sem contar que um cliente endinheirado como Hudson (Cássio Gabus Mendes), frequentando assiduamente um puteiro de quinta categoria é dose para leão. E digo mais, perderam a chance de fazer um merchandising bem humorado da Citroën. Em vez dele usar um Pallas, para combinar com o clima, deveria ter um Picasso. Assim, mesmo que muitos estejam felizes com o momento do cinema brasileiro, já que este título vai entrar (e pode até sair) na casa dois milhões de espectadores, é triste ver que outras produções mais consistentes, menos rasas, sem silicone e igualmente bem produzidas não consigam sequer se aproximar deste número. Santa apelação.

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