Meu AdoroCinema
Bruna Surfistinha
Sessões Vídeos Créditos Críticas dos usuários Críticas da imprensa Críticas do AdoroCinema Fotos
Filmes Online Curiosidades Bilheterias Filmes similares Notícias
Críticas AdoroCinema
3,5 Bom
Bruna Surfistinha

Ousadia na Medida

por Francisco Russo

A imagem vem de uma webcam, com a baixa qualidade habitual. O nick atende pelo sugestivo nome de Raquel Sensual. Uma adolescente vestindo apenas uma camisa larga começa a se exibir, dando a entender que fará um striptease. Assim como aquele que está do outro lado da webcam, o espectador é colocado na posição de voyeur. Pode apenas acompanhar e, talvez, apreciar o breve show da ainda Raquel, sem jamais tocá-la. Assim começa Bruna Surfistinha, brincando com quem está na sala de cinema. Um pequeno aperitivo sobre um dos temas mais importantes e explosivos do filme: a sedução.

Sedução que escancara de vez quando Raquel ruma para um privê e deixa a vida de garota comportada. Vira prostituta, em um misto de busca pela atenção e vontade de ser independente. O filme evita julgar tal ato para se concentrar apenas na história de como a garota tímida e de franjinha se transformou na mais desejada do local em que trabalha. Uma mudança paulatina, que pode ser notada pelos trejeitos e pela segurança adquirida, aos poucos, pela ainda iniciante Bruna. A cada programa feito, mais acostumada ficava. E gostava. Item importante para seu bom desempenho na cama, refletido na procura cada vez maior de clientes. "Sou a melhor coisa do dia para eles", Bruna diz.

O sucesso, é claro, abre portas. Para o bem e para o mal. Por um lado, permite que Bruna alugue um apartamento luxuoso e abra seu próprio negócio. Por outro, as amizades por interesse surgem e o vício por cocaína aumenta. É quando Bruna Surfistinha se estabelece de vez, através do blog que a leva ao estrelato. Curioso notar que, à medida que a fama bate à sua porta, Bruna torna-se mais vulgar. O sexo e seus clientes sempre estiveram em primeiro plano, mas de uma forma, pode-se dizer, cuidadosa. A auto-estima adquirida e o culto à celebridade fazem com que deixe isto de lado, assumindo de vez a pose de mulher fatal e dona do próprio nariz. Bruna pode tudo, ela acredita. E paga o preço por isto.

A vida de uma garota de programa jamais é leve, sob vários ângulos. Desde o óbvio fato de ter relações sexuais por dinheiro até a solidão gerada por isto, seja afetiva ou por uma simples companhia verdadeira. Violência, desprezo, mulher objeto, drogas.... tudo isto faz parte de seu dia a dia. Um grande mérito de Bruna Surfistinha é não renegar nem amenizar este lado. Também por isso, trata-se de um filme duro. A cena do primeiro programa de Bruna, por exemplo, é de uma dor impactante, pelo lado emocional que carrega. Há outras no decorrer do filme, assim como momentos de descontração. A cena da blitz policial, por exemplo, é impagável. Nem tudo na vida é dureza, há também momentos de alegria. Mesmo sob a ótica muito particular da protagonista.

Diante de tal realidade, é óbvio que Bruna Surfistinha traz muito sexo para as telas. Entretanto, é importante dizer que, apesar de ser ousado, o filme jamais é explícito. Não há cenas de nudez frontal, mas há uma grande variedade de situações sexuais, inclusive envolvendo taras e fantasias bizarras. Uma atitude necessária, devido ao ambiente retratado. Fosse mais puritano e não seria um filme fiel ao espírito da verdadeira Bruna Surfistinha.

Com uma ótima atuação de Drica Moraes e um desempenho competente de Deborah Secco, que apenas não convence nas cenas pré-garota de programa - fica nítida a diferença de idade diante de seus colegas de colégio -, Bruna Surfistinha surpreende. Surpreende por trazer um retrato fiel e ao mesmo tempo atraente sobre a vida de uma prostituta que foi do céu ao inferno, graças às decisões que tomou. Poderia ter caído na armadilha de explorar apenas o sexo, mas este surge não como ponto principal da história mas um importante elemento que a compõe. Mérito para o diretor Marcus Baldini, que brilha também nas boas sacadas visuais usadas para integrar itens do blog ao ambiente de Bruna. Bem atuado e bem dirigido, Bruna Surfistinha é um programa que vale a pena.   

Quer ver mais críticas?
  • As últimas críticas do AdoroCinema

Comentários

  • S?rgio V.

    O livro:

    Vende mais porque é uma bosta, ou é uma
    bosta porque vende mais?

    "Surfistinha é Paulo Coelho do sexo"

    O coitado do professor de literatura que quiser levar seu trabalho a sério e
    mostrar verdadeiras obras épicas aos alunos vai levar um monte de "Fala
    sério!!" na cara, pois depois de terem lido tanto lixo, visto uma pornochanchada, um filme que  é uma apologia a prostituição,  já não conseguiria articular outra coisa. E
    acham que Literatura de verdade é "chatérrima" perto das obras
    "mastigadas" que leem. Conclusão: esse tipo de leitura amortece o
    cérebro de qualquer um. Leiam Machado de assis, Eça de Queirós, José de
    Alencar, Érico veríssimo etecetera. Algo que exercite o cérebro de fato. Cultura
    "trash" sempre existirá e Bruna Surfistinha não é nenhum fenômeno. Paulo
    Coelho, fenômeno de vendas, é considerado "trash" para muitos (vide
    opinião dentro da própria ABL). O que precisamos é aprender a valorizar nossa
    cultura e não esperar que os outros venham a reconhecê-la para que possamos
    então conhecê-la (como acontece atualmente com muitos de nossos músicos). Tupi
    or not tupi. Viva Oswald de Andrade!  Infelizmente, muitos adolescentes
    não se interessam mais pelas obras do saudoso Machado de Assis. Uma pena!
    Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro, Quincas Borba, entre tantas
    outras obras deixou para aqueles que o amam e para os que o querem conhecer e
    com elas se deleitar. O que diria Machado de Assís se vivo fosse, dessa nova
    leva de pseudos escritores!?  Machado de
    Assis se revira(ria) no caixão nesse momento. Não creio que a Bruna não mereça
    por ser ex-prostituta. Se fosse prostituta e fosse uma puta escritora, teria
    meu aplauso. O problema é que ela é péssima escritora.

    Em entrevista ao jornalista e escritor fluminense Fernando Jorge:

     Qual deveria ser a finalidade da
    ABL?

    A finalidade da ABL devia ser esta: eleger os
    escritores de talento e não os literaticidas, os políticos labiosos, repletos
    de vaidade e de cérebros ocos como os santinhos de pau oco, os empresários
    entupidos de dinheiro, porém vazios de cultura e até de inteligência. Ela devia
    fundar uma editora para vender ao povo livros bem baratos. Também devia deixar
    de ser medrosa e nunca aceitar qualquer tipo de censura, de atentados à
    liberdade de expressão ou de pensamento. Os cursos que ela promove são
    fraquíssimos e chatíssimos, geram bocejos e sono profundo.

    Quem o Sr. acha que poderia ocupar uma cadeira na
    Academia: Jô Soares ou Bruna Surfistinha?

    Sem dúvida a Bruna Surfistinha. O Jô Soares merece
    coisa melhor. A Bruna poderia ser a massagista daqueles velhotes reumáticos,
    tentando amaciar suas pelancas, lendo para eles o seu livro.

  • roger r.

    vou admitir sou novo pra ter assistido esse filme ,vou fazer 14 anos mas já assisti , mais eu gostei ateh do filme e alias a Deborah foi corajosa de ter posado nua para esse filme

Mostrar comentários